quarta-feira, 4 de novembro de 2015

A nossa dívida de amor

Nota do blogue: Acompanhe esse Especial AQUI.


2 — A nossa dívida de amor 

É uma coisa que a mesma natureza nos ensina (lei natural) que aquele que ama e faz benefícios a outros, deve encontrar, nestes últimos, amor e reconhecimento. E quem transgride a tão sagrado preceito, manifesta seu próprio coração vazio de afeições, “sine affectione”, como diz S. Paulo (II, Tim.). E sem amor, tido como ingrato, é de todos aborrecido. Nada, na verdade, mais natural.
Mas o amor cristão, abrange não só os amigos mas também os inimigos.
E se aos inimigos devemos amar, quanto mais aos amigos!

“Se aqueles, assim argumenta S. Agostinho, que são objeto das nossas obras de misericórdia ou de cujas obras nós próprios somos objeto, são chamados justamente nossos próximos, é claro que no preceito, que nos foi imposto, de amar o nosso próximo, também estão incluídos os Santos Anjos, pois eles cotidianamente exercem junto a nós inumeráveis atos de misericórdia” (De doctr. Christ.).
Ainda mais longe podemos ir, e ajuntar que esse preceito compreende especialmente os Santos Anjos, pois são, depois da bendita Mãe de Deus e Mãe nossa, Maria, os nossos mais assíduos e liberais benfeitores.
Veem-se por vezes certos santos cultuados com uma constante e nunca satisfeita devoção, por certos devotos, que se confessam objetos das mais assíduas e estimáveis graças e favores. Mas creio que se pode afoitamente afirmar que nenhum santo do céu pode ter de nós cuidado mais assíduo e operoso do que o que de nós tem aquele Anjo que foi destinado por Deus a ser junto de nós, em toda a nossa vida, o nosso fiel guardador. É justo portanto, que a nossa correspondência e amor, a nossa devoção é gratidão para com o Santo Anjo da Guarda não seja em nada inferior à devoção e amor para com qualquer outro dos santos de Deus.
Mas sejamos práticos. A prova do amor são as obras. Ora, a epístola da festa dos Anjos da Guarda nos oferece um belo conselho: é preciso, para corresponder ao amor do bom Anjo de Deus, ouvir a sua voz. Isto resume tudo. Mas eis a dita lição: “Assim disse o Senhor Deus: Eis que enviarei o meu Anjo; ele te precederá e te protegerá no caminho e te introduzirá no lugar que eu te preparei. Respeita-o e escuta a sua voz, e guarda-te de o desprezar; porque ele não te perdoará quando pecares, pois nele o meu nome (autoridade) está. Se escutas a sua voz e fazes o que te digo, eu serei o inimigo dos teus inimigos e afligirei os que te afligem, pois o meu Anjo caminhará adiante de ti.”
Na verdade bem frequentemente nos fala o Santo Anjo ao coração. Então é preciso ouvir a sua voz.
Vivos raios de luz, muitas vezes atravessam a obscuridade das nossas faculdades mentais, e, de súbito, se nos descobre ao conhecimento as verdades eternas e o nada das coisas da terra: é a voz do Santo Anjo.
Outras vezes são noções interiores que nos querem arrancar do pecado, afastar das suas ocasiões, levar à prática do bem, à oração, aos sacramentos, à obediência, ao estudo — são outras tantas vozes do Anjo da Guarda. Ouçamo-las, porque, como diz S. Ambrósio, as internas vozes dos Anjos são outros tantos convites e ordens de Deus, de Quem são eles obedientes ministros: “Angelorum verba mandata sunt Dei” (De Virginit).
Há um caso, sobretudo, em que é mister estar bem atento a essa voz do Santo Anjo, e bem dócil às suas moções: é o caso do chamado ao estado sacerdotal ou simplesmente ao estado religioso.
Com efeito, pode o cristão ser chamado a dois estados de perfeição: ao sacerdotal, simplesmente, ou seja ao estado de padre secular (que não pertence a nenhuma ordem ou congregação religiosa), e ao de religioso, nas congregações e ordens religiosas.
Num como noutro o homem se consagra e prende a Deus com vínculos especiais. No primeiro estado, além de fazer voto de castidade, contrai o sacerdote a obrigação de trabalhar no bem das almas, debaixo da obediência do bispo de sua diocese.
No 2.º estado, de religioso (que pode ser também sacerdotal, ou não), abraçam-se plenamente os três grandes conselhos evangélicos, que são a condição do estado religioso, e ao mesmo tempo os caminhos mais seguros para a perfeição. Isto é, o religioso imola a Deus as próprias riquezas, com o voto de pobreza; o próprio corpo, com o voto de castidade; e a própria vontade com o de obediência.
Não há dúvida que são grandes os sacrifícios que acompanham estes dois estados, e especialmente o segundo. Mas aquele que se vir chamado por Deus Nosso Senhor, tenha por certo que a graça do Senhor e a assistência do Santo Anjo se unirão para aplainar qualquer dificuldade, e suavizar qualquer sacrifício. Além disso se Deus pede o sacrifício é porque pode compensá-lo com graças mil vezes mais preciosas: “todo aquele que deixar a sua casa, ou os irmãos, ou as irmãs, ou o pai, ou a mãe, ou a esposa ou os filhos, ou suas terras, por causa do meu nome (por minha causa), receberá o cêntuplo (em recompensa), e possuirá a vida eterna.” (S. Mat. XIX, 29). Avalie-se agora se vale a pena fazer tal sacrifício.
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