domingo, 11 de outubro de 2015

REVERÊNCIA DEVIDA AOS SANTOS ANJOS/ Contínua presença do Santo Anjo

Nota do blogue: Acompanhe esse Especial AQUI.

 
Capítulo V 

REVERÊNCIA DEVIDA AOS SANTOS ANJOS 

São guia, ajuda, defesa nossa os nossos Anjos da Guarda. Um tal fato, tão magnífico, tão certo, tão fecundo para a nossa vida espiritual, é justo que tenha a devida repercussão na nossa atitude perante eles, e em geral na nossa conduta. Qual, pois, deverá ser a nossa conduta perante os Santos Anjos? S. Bernardo: devemos reverenciar-lhes a presença, corresponder com sincera devoção à sua benevolente dedicação, e ter absoluta confiança na sua proteção — “reverentia pro custodia, devotio pro benevolentia, fiducia pro custodia.”
Não podia resumir melhor o Santo doutor as nossas obrigações para com os anjos de Deus. Que são eles, na verdade? Em si mesmos são espíritos nobilíssimos; com relação a Deus, são supremos ministros seus — e por isto lhes devemos reverência. Com relação a nós mesmos, vimos que são nossa guarda, nosso apoio, nosso escudo: e por isto lhes devemos devoção e confiança.
Três pequenos parágrafos: contínua presença do Santo Anjo — reverência que de nós requer essa presença — modo prático de jamais faltar-lhes ao respeito. 

1 — Contínua presença do Santo Anjo 

“Não é só pela vista, diz S. Bernardo, que nós comprovamos a presença das coisas.”

É isto precisamente o que se passa com os Santos Anjos. Estão-nos presentes, sempre e em toda a parte, e jamais os podemos ver. Mas nem por isto estão-nos menos presentes! Aliás, que de coisas, ainda materiais — e não espirituais, como os Anjos — nos são inatingíveis à vista! Quem jamais viu o oxigênio ou o hidrogênio do ar? Sentimo-los, é verdade, passar em voos desabalados e fustigar-nos a face… Não obstante, não os vemos. Muitas vezes, também, passam junto de nós os espíritos celestes que baixam à terra em embaixadas de paz e amor… Não os vemos. Mas podemos percebê-los com as faculdades de nossa alma e a sensibilidade do nosso psiquismo: ora são as inspirações a mover-nos ao bem, ora um certo aumento de fervor, de fé, de esperança, que nos dizem da presença dos amáveis mensageiros de Deus.
Há, entretanto, um Anjo, cuja missão é ficar constantemente junto de nós: é o Santo Anjo da Guarda. Não o percebemos, de contínuo, como também não percebemos o ar quieto que nos envolve. Não ousaríamos, entretanto, por esse só motivo, negar a presença de um ou de outro. A existência do oxigênio, sabemos pela ciência. A do Santo Anjo da Guarda, pela fé — que é algo de mais certo que a mesma ciência humana. Aliás, quantos são, dentre os que admitem as asserções da ciência, os que não as admitem por um verdadeiro ato de fé na palavra da ciência? Quantos há que devem à averiguação do próprio raciocínio as verdades que lhes propõe a ciência?… Ora bem, mais digna de crédito é a palavra de Deus que a palavra do homem.
É, pois, consultar a fé. Que nos diz a fé? Diz-nos que os Anjos nos estão presentes, sempre e em toda a parte, pois de Deus receberam a incumbência de assistir-nos, e de assistir-nos em todo tempo e lugar, ora, uma tal incumbência exige-lhes a presença. “Quomodo, interroga S. Ambrósio, longe stant, qui ad adiumentum sunt attributi?” Como podem estar longe de nós seres que nos são dados por Deus para nossa contínua ajuda e defesa (In Is. 37, n. 43).
Bem curta, na verdade, é a visão do nosso espírito! Bem lânguida a nossa fé! Praza a Deus se nos torne ela mais viva. Que magnífico espetáculo, então, aos olhos da nossa mente! Onde quer que vejamos um homem, aí veríamos igualmente um Anjo de Deus! Anjos de Deus a encher-nos o lar em que vivemos com nossos pais e irmãos, Anjos de Deus a encher os seus santos templos e altares, Anjos de Deus nas escolas, tão numerosos quantos os discípulos e mestres. Anjos de Deus, santos e de sobre-humana nobreza onde quer que se ajuntem criaturas humanas! Ao lado do nosso pai um Anjo, ao lado de nossa mãe, ao lado de nossos irmãos, ao lado dos nossos condiscípulos, ao lado dos nossos amigos e companheiros.
Que magnífico espetáculo, que sublime visão de fé!
É o caso de dizer com S. Paulo: “viestes ao monte de Sião e a Jerusalém cidade do Deus vivo, e à companhia de muitos milhares de Anjos. Accessistis ad Sion montem et multorum millium Angelorum frequentiam.” (Hebr. XII, 22).
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