quarta-feira, 7 de outubro de 2015

QUE É O POBRE? É A PESSOA DE JESUS SOFREDOR

Nota do blogue: Acompanhe esse Especial AQUI.


CAPÍTULO XI 

QUE É O POBRE?
É A PESSOA DE JESUS SOFREDOR
 

Jesus habita na terra oculto sob os véus eucarísticos e sob os andrajos do pobre; no santo Tabernáculo e no pardieiro do mendigo. E é por isso que muitos santos serviam aos pobres, de joelhos, com a cabeça descoberta, com a reverência com que se costuma servir a um rei. Apenas Jesus declarou feito a Si o que se faz ao próximo, viram-se os soberbos senadores romanos e os sábios do areópago, que antes consideravam os escravos como animais, abraçá-los como irmãos e pô-los em liberdade, maravilhando com isso os pagãos. Quanta vez Jesus Cristo apareceu andrajoso ou enfermo para ser socorrido por seus eleitos! 
* * *

Santa Isabel, duquesa de Turíngia, filha do rei da Hungria, foi a heroína de caridade que edificou o século XIII. Dava aos pobres quanto podia, mantendo grande número deles em palácio e servindo-os à mesa, com grande humildade. Abaixava-se para lavar os seus pés, curar as suas chagas, beijando-os com afeto e reverência.
Andava pelas casas a visitar os enfermos, a levar-lhes alimento e remédios; e encontrando crianças abandonadas, Isabel levava-as para sua casa, as lavava e penteava como se fossem filhos seus. Subjugara de tal modo a natureza que sentia até prazer no exercício daquela caridade e quereria passar os seus dias entre os pobres e os doentes.
Os cortesões e principalmente a sogra murmuravam e desaprovavam abertamente o procedimento da santa, dizendo que desonrava a dignidade ducal, e que não sabia manter o decoro de sua alta posição. Mas a Isabel pouco se lhe davam tais murmurações; e continuava a fazer obras de misericórdia.
Deus interveio com muitos milagres a aprovar o seu procedimento. Em um dia de cruel inverno, descia do castelo em companhia de uma donzela, com abundante recurso que ia distribuindo aos pobres. De caminho encontrou o marido, que voltava da caça; aquele senhor, digno de ser esposo de uma santa, quis ver o que ela levava no avental. Isabel o abriu, para mostrar-lhe o trigo que ia distribuir aos pobres; e com indescritível maravilha o achou convertido em belíssimas rosas de variegadas cores.
Nutria grande amor para com os pobres leprosos, tão numerosos na Idade Média, lembrando-se de que Jesus foi descrito pelo Profeta Isaías como um homem coberto de chagas da cabeça aos pés, à guisa de leproso. Certo dia, acolheu um no palácio e o pôs na sua mesma cama para limpá-lo e curá-lo. A sogra ficou indignada; e correu a chamar o filho para mostrar-lhe o que Isabel estava fazendo. Vão ao leito, abrem o cortinado e invés do leproso, dão com Jesus Cristo pregado na cruz. 
* * *
S. Francisco, logo após a sua conversão, percorria a cavalo a planície de Assis, quando encontrou um leproso. Desceu logo do cavalo, abraçou o doente com ternura e deu-lhe uma esmola. Montando o cavalo, voltou-se para o saudar; mas não viu ninguém. Compreendeu, então, que Jesus lhe aparecera sob aquela forma para ser honrado e socorrido por ele; e daí por diante concebeu um amor terníssimo para com esses infelizes, ao ponto de entrar nos leprosários para lhes prestar os mais humildes serviços. 
* * *
S. João, o esmoler, tendo dado muitas vezes boa soma de dinheiro a um indivíduo que mudava sempre a roupa e o nome, fingindo ser grande necessitado, ainda depois de perceber isso, continuou a fazer-lhe caridade. Avisado dessa fraude, disse ao secretário: — “Dá-lhe o dinheiro pedido, pois pode ser que Jesus Cristo queira experimentar a tua caridade.”

* * *
Na vida de Tobaldo, conde de Chartres, narra-se um fato assás curioso. Viajando, um dia, acompanhado de muitos amigos no coração de rígido inverno, encontrou um pobre seminu. Tobaldo, liberalíssimo como era, perguntou:
— Que desejas?
— Dai-me, respondeu o pobre, o vosso manto.
Deu-lho o conde, dizendo:
— Se queres, pede mais alguma coisa.
— Dai-me o hábito que tendes sobre a túnica.
Foi-lhe dado. Vendo tanta generosidade, o pobre ousou replicar:
— Bem vedes, sr. conde, que tenho a cabeça nua… dai-me, pois, o chapéu porque podereis logo arranjar outro, enquanto que eu não tenho dinheiro.
O conde, que era calvo, não gostou do pedido, e:
— Caro filho, disse, és demasiado importuno e não posso satisfazer-te.
Então o pobre desapareceu, deixando tudo sobre a neve. O conde apeou incontinenti, ajoelhou-se, pedindo a Deus perdão por aquela recusa e prometeu não mais negar no futuro qualquer coisa que lhe pedissem os pobres. 
* * *
Apareceu um dia a S. Gregório Magno, quando ainda abade do mosteiro, um Anjo, disfarçado em comerciante que, devido a um naufrágio, perdera toda a sua mercadoria; pelo que, vinha lhe pedir algum recurso. Gregório deu-lhe seis escudos; mas o comerciante observou-lhe que era pouco; o abade deu-lhe outros seis escudos. Alguns dias depois, volta o mesmo negociante todo aflito a pedir-lhe novo auxílio, alegando a sua extrema miséria. Como Gregório encontrasse vazia a bolsa do mosteiro, mandou que lhe dessem uma bandeja de prata que Silvia, sua santa mãe, lhe mandara aquela manhã.
Elevado ao sólio pontifício, ordenou certa vez a um seu capelão, que chamasse à sua mesa doze pobres, em honra dos doze apóstolos; durante a refeição notou que eram treze. Perguntou ao capelão, porque chamara mais de doze; ele protestou que não tinha convidado senão doze. Mas Gregório via treze e suspeitando de algum mistério fixou atentamente o olhar sobre o décimo terceiro; notou que mudava de semblante, parecendo ora moço, ora velho. Terminada a refeição, chamou-o à parte e o conjurou a dizer-lhe quem era:
— Eu sou aquele comerciante arruinado pelo naufrágio, a quem vós destes doze escudos de esmola e a bandeja de prata, presente de vossa mãe. Sabei que por vossa caridade quis Deus que fosseis o sucessor de S. Pedro.
— Como sabes isto? continuou S. Gregório.
— Eu sou um Anjo mandado por Deus para vos experimentar.
Prostrou-se o santo com grande reverência e exclamou:
— Se por uma coisa tão pequena Deus me fez Pastor universal de Sua Igreja, quantos benefícios ainda maiores posso esperar d'Ele, se O servir com grande afeto na pessoa dos pobres!
Com isso, aumentou muito a sua liberalidade para com os necessitados. Um dia, querendo servir com suas próprias mãos a um pobre, este desapareceu. À noite, apareceu-lhe em sonho Jesus Cristo e lhe disse: — “Outras vezes me tens recebido nos meus membros; ontem, porém, me recebeste em minha própria pessoa.” 
* * *
O venerável Monsenhor De Palatox, toda quinta-feira dava jantar a doze pobres. Lendo a vida de S. Martinho, notou que o santo lavava os pés aos pobres e lhes servia a comida; e logo se propôs a fazer o mesmo. Cumpriu à risca a promessa.
Se todos os ricos vissem a Jesus nos pobres, porfiariam em socorrê-los e a terra não seria mais um vale de lágrimas e de dores. Queira Nosso Senhor iluminá-los com a Sua santa graça e fazê-los compreender esta verdade que, praticada, torná-los-á felizes no tempo e na eternidade.[1]


[1]          Merece lembrada a sentença que tinha sempre na boca S. José Cottolengo: — “São os pobres que nos hão de abrir as portas do Paraíso.”
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