sábado, 24 de outubro de 2015

Os pecados contrários à virtude angélica

Nota do blogue: Acompanhe esse Especial AQUI.


2 Os pecados contrários à virtude angélica 

Tais pecados, como ficou dito, sumamente repugnam à puríssima natureza angélica. Consequentemente, não podem eles deixar de abominá-los sumamente.
Suponhamos um preceptor, de ânimo singularmente sereno, de atitudes constantemente pacíficas. É fora de dúvida, que tal preceptor, se empenhará, sobretudo, em tornar o seu discípulo igualmente paciente, calmo, pacífico. E tanto mais o amará quanto mais ele se conformar com o seu exemplo e ensino. E a razão disso, é clara: amamos aqueles que têm traços de caráter semelhantes aos nossos, e sentimos aversão pelos que nos são notavelmente dissemelhantes.

Os Anjos, portanto, nada devem aborrecer mais do que os pecados contrários à virtude da pureza. E isto pela razão explicada. A sua natureza puríssima os leva a amar os que lhe são semelhantes, e a aborrecer tudo aquilo que lhe é oposto.
Há, portanto, uma grave ofensa ao celeste Anjo que nos acompanha, em todo ato dessa natureza. E quem deseja viver de sua fé, isto é, admitir, praticamente, a constante presença desse bem-aventurado espírito, deve por isso mesmo evitar tudo aquilo que lhe pode afetar a pureza dos costumes.
S. Basílio usa de uma comparação que nos torna assaz sensível o que asseveramos. “Assim como a fumaça, diz ele, afugenta as abelhas, e assim como um mau odor põe em debandada as cândidas pombinhas, assim esse lastimável e nauseante pecado repele o Santo Anjo de Deus, guarda da nossa vida.”[1]
É certo que não nos abandona o Santo Anjo da Guarda, depois que o ofendemos, como também não deixa de nos estar presente o próprio Deus, no próprio ato pecaminoso. Deus continua presente, como ser Onipotente, mas não daquela forma peculiar, vivificando-nos da sua mesma vida divina. O Anjo da Guarda também continua presente… Mas é claro que os laços de caridade que o prendem a nós se tornam mais fracos… Por outra parte, sendo piores as nossas disposições, menos Ele nos poderá ajudar espiritualmente.
No entanto, ao amor sucede a compaixão. E o bom Anjo de Deus, então, se empenhará em nos reconduzir ao bom caminho, por meio de suas inspirações e moções interiores.
Jovem que me lês, faze por conservar-te digno do amor do teu Anjo da Guarda, fazendo-te semelhante a ele pela pureza dos teus costumes. Se, no entretanto, suceder que venhas a tornar-te indigno até dos seus olhares, presta ouvido às suas inspirações, e volta, pressuroso, aos braços do amável e celeste companheiro do teu peregrinar. E se neste momento em que me lês, reconheces que não és digno do amor do santo Anjo, dá-lhe, porventura pela primeira vez, o prazer de ver-te de novo puro como ele, e digno como ele, do amor de Deus!
Oh, que feliz a vida do moço puro, amável aos Anjos, admirado e respeitado dos homens! “O homem puro, diz S. Bernardo, faz-se de homem, Anjo. O Anjo, e o homem que leva a vida ilibada, diz ele, são, de certo, diferentes; mas não pela virtude, e sim pela felicidade ou excelência da natureza: “differunt… sed felicitate naturae, non virtute” (Epist. XXIV).
Podemos, pois, por virtude, ser o que os Anjos são por natureza.
Sejamo-lo, já que de nós depende.
Sejamo-lo, como verdadeiros seguidores de Jesus, Cordeiro sem mancha, lírio dos convales, como perfeitos filhos de Maria, Mãe puríssima, Rainha das Virgens, concebida sem pecado.


[1]     “Lacrimosum peccatum”, diz S. Basílio: o pecado, provocador de lágrimas… — In Ps. XXXIII, n. 5.
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