sexta-feira, 30 de outubro de 2015

O AMOR QUE DEVEMOS A ESSES NOSSOS CELESTES PROTETORES

Nota do blogue: Acompanhe esse Especial AQUI.


Capítulo VII 

O AMOR QUE DEVEMOS A ESSES
NOSSOS CELESTES PROTETORES
 

Um amigo verdadeiro não é somente aquele que nos não ofende. É sobretudo aquele que com amizade afetuosa paga a amizade que lhe votamos. Se quisermos viver da nossa fé e fazer do esplêndido dogma da guarda dos Santos Anjos um apoio poderoso da nossa vida espiritual, é indispensável pagar-lhes com amor a amizade que eles nos dedicam.
Os três pequenos parágrafos que seguem — o amor que os Anjos nos têm; o que lhe devemos; e a sua alegria em se verem correspondidos — pretendem ajudar-te, com o auxílio de Deus, a pagar essa dívida de amor. 

1 — O amor que os Anjos nos têm


Há duas espécies de amor. O amor de concupiscência e o de benevolência. Pelo de concupiscência procura, o que ama, não o bem do ser amado, mas o bem, a vantagem e a utilidade própria. E pelo de benevolência unicamente o bem, proveito e vantagem de ser amado.

Ora, nem os Santos Anjos (como dizia Sêneca a respeito de Deus [de benef. IV, c. 9]) precisam dos nossos favores, nem nós lhos podemos fazer. “Nec ille collato eget, nec nos ei quidquam conferre possumus.”
Na verdade, os Santos Anjos já são bem-aventurados em Deus, no céu: de que mais podem precisar? que utilidade ou vantagem de nós, míseros mortais, podem auferir? Portanto o seu amor para conosco é um puríssimo amor de benevolência, e nós somente amor, de nossa parte, lhes podemos dar.
“Os Santos Anjos nos amam, diz S. Agostinho, por três motivos ou causas: por causa de Deus, por nossa causa, e por causa de si próprios. Por causa de Deus, porque Deus nos ama também, e com tais extremos; por nossa causa, porque lhes somos semelhantes na natureza racional; por causa deles próprios, porque nos querem sentados naqueles tronos supernos dos Anjos que prevaricaram.” (S. Ag. De dilig. Deo, cap. 3; S. Bernardo, Sermo I, in festo S. Michaelis, n. 4).
A estas razões do seu amor, ainda outras lhes podemos juntar. Amam-nos, porque é grande a aversão que sentem pelos demônios, capitais inimigos da natureza humana. Amam-nos porque nos veem tão amados de Maria Santíssima, queridíssima Rainha sua. Amam-nos, porque intensamente nos ama Jesus, nosso Redentor, e Rei dileto seu. “Se o nosso Rei — assim faz Orígenes falar os Anjos — o Unigênito Filho do Padre, desceu do céu e desceu revestido de um corpo humano, se ele de mortal carne se vestiu, levou a sua cruz e morreu pelos homens; que mais esperamos nós, nós, (Anjos seus), seus ministros, que faremos?” (Hom. I in Ezech.).
Maravilhoso espetáculo aos olhos de quem sabe contemplar! Três fontes puríssimas de amor, de que prorrompe, intenso e veemente, o amor dos Anjos para com os homens! É um amor não de meros desejos, não de estéreis afetos, mas de obras, mas constante, duradouro como a vida, longo como a eternidade!
Não insistiremos mais nos fatos que provam o amor dos Anjos para com os homens. Apenas citaremos ainda uma profunda observação de S. Tomás, que se resume nisto: Todas as obras salutares e meritórias que fazemos, são outros tantos favores dos Santos Anjos, pois sem a sua ajuda e cooperação não as lograríamos fazer. Mas eis as textuais palavras do santo e angélico doutor: “o homem pode, por si mesmo, cair em pecado, mas não pode produzir obras meritórias, sem o auxílio divino, o qual lhe é dado mediante o ministério dos Anjos. Eles, portanto, concorrem para todas as nossas boas obras (I. p. q. CXIV a. 3).
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