sexta-feira, 2 de outubro de 2015

O ABANDONO À DIVINA PROVIDÊNCIA - Capítulo IV

Nota do blogue: Acompanhe esse Especial AQUI.

O ABANDONO À DIVINA PROVIDÊNCIA
pelo
P.J.P de Caussade, S.J


CAPÍTULO IV 
A perfeição não consiste em conhecer 
qual é a ordem de Deus, mas em submeter-se a ela.

A ordem de Deus, o beneplácito de Deus, a vontade de Deus, a ação de Deus, a graça, tudo isto, é uma e a mesma coisa nesta vida. É Deus traba­lhando para tornar a alma semelhante a Si mesmo. A perfeição não é outra coisa senão a cooperação fiel da alma a um trabalho de Deus. A graça produz-se em nossas almas, cresce, aumenta e tem a sua consumação em segredo e sem que a alma se dê conta.

A teologia está cheia de conceitos e expressões que explicam as maravilhas da graça, em cada alma, em toda a sua extensão. Pode conhecer-se tudo o que esta especulação ensina, falar dela admiravelmente, escrever, instruir, dirigir as almas: porém quem não tiver no espí­rito senão este conhecimento teórico, é para as almas que recebem o termo da ordem de Deus e da Sua divina vontade como se não soubesse toda a teoria com todas as suas partes e não pudesse falar dela.


A ordem de Deus, a Sua divina von­tade, recebida com simplicidade por uma alma fiel, realiza nela esse efeito divino, sem que ela o conheça; como um re­médio tomado com submissão opera a saúde num doente que não sabe nem tem que se preocupar de saber medi­cina. Assim como o fogo é que produz o calor e não a filosofia nem o conhecimento deste elemento e dos seus efei­tos, assim também é a ordem de Deus, é a Sua santíssima vontade que opera a santidade nas nossas almas, e não a especulação curiosa deste princípio e deste objetivo.

Quando temos sede, para nos dessedentarmos o que devemos fazer é deixar os livros que explicam estas coisas, e be­ber. A curiosidade de saber não é capaz dessedentar. Assim quando a alma tem sede de santidade, a curiosidade de saber não é capaz senão de a afastar. Deve-se deixar de lado a especulação, e beber com simplicidade tudo o que a ordem de Deus nos apresenta de ações e sofrimentos. O que nos sucede em cada momento, por ordem de Deus, é o que há de mais santo, de melhor, e de mais divino para nós.
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