quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Não há paz estável senão só na submissão à ação divina

Nota do blogue: Acompanhe esse Especial AQUI.

O ABANDONO À DIVINA PROVIDÊNCIA
pelo
P.J.P de Caussade, S.J


CAPÍTULO VII
Não há paz estável senão só na submissão à ação divina

A alma que não adere exclusivamente à vontade de Deus, não encontrará nem satisfação nem santificação nos mais di­versos meios e nos diversos exercícios de que possa lançar mão, por mais exce­lentes que eles sejam.

Se o que o próprio Deus escolhe para vós, não vos satisfaz, que outra mão que não seja a Sua poderá servir-vos à me­dida dos vossos desejos? Se mostrais de­sagrado do alimento que a própria von­tade divina vos preparou, que outro manjar não será insípido a um paladar tão estragado?


Uma alma não pode verdadeiramente ser alimentada, fortalecida, purificada, enriquecida e santificada, senão por esta plenitude do momento presente. Que mais queres portanto? Se n’Ele encontras todos os bens, porque buscá-los noutra parte? Ou é que tu entendes as coisas melhor do que Deus? Se Ele ordena que sejam assim, como desejar que fossem de outro modo? Porventura se engana a Sua divina sabedoria e a Sua divina bondade? E se a bondade e sabedoria de Deus dispõem uma coisa, não deves estar plenamente convencido de que é excelente? Ou é que pensas encontrar a paz pondo-te em luta com o Onipo­tente? Pelo contrário, não é verdade que esta luta que tantas vezes renovamos, sem quase o confessarmos a nós mesmos, é a verdadeira causa de todas as nossas agitações?

Com efeito, é justo que a alma que se não encontra satisfeita pela plenitude divina do momento presente, seja castigada com a incapacidade de encontrar contentamento em qualquer outra coisa. Se os livros, os exemplos dos santos é os tratados espirituais privam da paz; se enchem, mas não saciam, é sinal de que nos desviamos do puro abandono à ação divina e a enchemos dessas coisas como se lhe pertencessem. A sua plenitude, nesse caso fecha a entrada a Deus, e é preciso despojar-se dela como de um obstáculo à graça.

Mas quando a ação divina ordena essas coisas, a alma recebe-as como o resto, isto é como ordem de Deus. Dei­xa-as tais quais são, não tomando delas senão simplesmente o uso, para se man­ter fiel; e desde que a hora dos pensa­mentos passou, abandona-os para se con­tentar com o momento seguinte. É que de fato, nada há de bom para mim, a não ser a ação emanada da ordem de Deus. Nem posso encontrar noutra parte meio algum, por melhor que seja em si mesmo, mais apropriado para a mi­nha santificação e mais apto para me dar a paz.
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