terça-feira, 6 de outubro de 2015

LUMINOSOS EXEMPLOS DOS SANTOS

Nota do blogue: Acompanhe esse Especial AQUI.


CAPÍTULO X 

LUMINOSOS EXEMPLOS DOS SANTOS 

Os santos patriarcas do Antigo Testamento foram modelos de amor ao próximo, exercitando sobretudo a hospitalidade aos peregrinos. Abraão recebeu um dia em sua terra três anjos em forma humana e os tratou com todo o carinho como se fossem irmãos seus. Job era chamado “o pai dos pobres, dos órfãos e das viúvas”, como já vimos atrás, e passava os seus dias fazendo o bem aos necessitados. Como são tocantes as cenas de caridade narradas no livro de Rut! Booz ordena expressamente aos segadores que deixem cair espigas, a fim de que deixem cair espigas, a fim de que a pobre respigadora possa recolher abundantes provisões e dá-lhe permissão de comer e beber à sua mesa. Não faço alusão a Tobias, porque já narramos mais detalhadamente as suas esmolas e obras de misericórdia aos irmãos cativos. A viúva de Sarepta não tinha mais que uma pouca de farinha e algumas gotas de óleo, pois a carestia flagelava o reino pelos pecados do ímpio Acab; e todavia ofereceu aquele bem de Deus ao profeta Elias, perseguido pelo rei; em recompensa nunca lhe faltou farinha e óleo.

Muito depois, apareceu o Salvador para regenerar a sociedade com o preceito da caridade fraterna, abolindo a escravidão e ensinando que os homens são todos filhos do mesmo Pai celeste, sem distinção de nacionalidade. O cristianismo funda hospitais, institui irmãs de caridade, abre asilos para inválidos, orfanatos e casas para crianças desamparadas, albergues para peregrinos. Os pobres no paganismo eram muitas vezes sacrificado barbaramente como inúteis e de peso à sociedade; mas Jesus os nobilitou, amando-os ternamente e afirmando que eram seus representantes na terra e que considerava feito a si tudo o que os homens faziam para eles. Então a pobreza era mais estimada do que a riqueza e milhares de pessoas de ambos os sexos abandonavam tudo para se tornar pobres por Jesus Cristo.
O santos todos da Igreja porfiaram em socorrer os pobres, vendo neles a pessoa de Jesus sofredor, não conservando mais do que o necessário à vida, segundo o conselho do glorioso apóstolo S. Paulo. S. Lourenço Mártir distribuiu todas as riquezas da Igreja aos pobres, de acordo com seu santo mestre; e interrogado pelo tirano onde escondera o ouro e as riquezas, deu uma resposta memorável, que deveria ser objeto de meditação de todo rico. — “As riquezas da Igreja, exclamou o herói foram transportadas para os tesouros celestes pelas mãos dos pobres.”
Entre os exemplos sem número dos santos, escolheremos alguns dos mais próprios para excitar o amor à esmola.

* * *
A virgem holandesa Santa Ludovina jazeu enferma durante trinta e oito anos num miserável catre em apertado quarto; vítima de muitas doenças, ela as soube suportar com o heroísmo de Job, bendizendo sempre o Senhor. Todas as virtudes avultaram na santa, mas de modo particular a paciência e a caridade para com os pobres. Sua mãe, ao morrer, deixou-lhe alguns móveis; bem que pobre e necessitada de tudo, vendeu-os e distribuiu o dinheiro aos pobres. O mesmo fazia com as esmolas que os fiéis lhe davam, esquecendo-se de si e preocupando-se mais com as necessidades alheias.
Deus mostrou com numerosos milagres quanto amava a caridade de Ludovina. Tinha uma bolsa que dava sempre dinheiro sem jamais esvaziar; por esse meio socorria os pobres da cidade e das vizinhanças. No leito de dores, a santa era informada de todas as famílias necessitadas e sobretudo dos enfermos e lhes mandava dinheiro e abundantes provisões. No princípio de um inverno mandou comprar um quarto de boi e uma medida de legumes para dar de comer aos famintos, que na estação rigorosa costumam sofrer mais que em outros tempos, pelo frio e pela falta de trabalho. Admirável! Aquela carne e aqueles legumes multiplicaram-se de tal modo que pôde distribui-los duas vezes na semana em todo o inverno.
Dava muito, mas o dinheiro e as provisões não faltavam. Sabendo os ricos do bom uso que fazia das esmolas, davam-lhe de boamente dinheiro e alimento; e a casa da caridosa enferma tornou-se um verdadeiro mercado onde os pobres encontravam comestíveis, roupa e o mais de que necessitavam. A fama das virtudes luminosas atraia ao seu leito personagens de alto coturno; e Ludovina sabia patrocinar a causa dos seus pobres e conseguia muitos recursos.
Uma caridade tão heroica lhe obteve de Deus dons sobrenaturais de milagres e profecias. Ludovina recebia o cêntuplo nesta vida, ao mesmo tempo que os anjos teciam-lhe fúlgida coroa no paraíso.
Certo ricaço queria preparar um suntuoso banquete aos principais da cidade e para isso comprou do que havia de melhor. Sabendo disto, Ludovina mandou-lhe pedir, por amor de Deus, um pouco de banha de galinha para preparar um emplastro. Mas o novo epulão negou-lhe, alegando que as galinhas compradas não tinham gordura alguma. A santa conheceu à luz divina a avareza asquerosa daquele rico e mandou-lhe dizer que seria castigado. Com efeito, na noite precedente ao banquete, os ratos penetraram na despensa e comeram uma parte dos acepipes e estragaram o resto. Tal lição abriu os olhos ao nababo, o qual daí por diante guardou-se de negar alguma coisa à santa.
Em muitas visões Deus mostrou-lhe que verdadeiramente a esmola transporta os nossos bens além do túmulo, ao passo que a avareza os abandona no leito da morte. O seu Anjo Custódio apareceu-lhe, radiante de luz, em forma de gracioso jovem e a conduziu ao paraíso, onde lhe mostrou uma mesa cheia dos mesmos alimentos que ela distribuía aos pobres. Nosso Senhor e Maria SS. com os bem-aventurados se assentaram para comer e convidaram a Ludovina a fazer o mesmo. Repetiu-se a visão mais vezes e acendeu em Ludovina novo ardor pela caridade e aos ricos que a visitavam só sabia falar da beleza da esmola.
“Quereis, dizia, encontrar o vosso tesouro depois da morte? Dai-o aos pobres, que o levarão ao céu e lá tereis capitais centuplicados.” E narrava as revelações tidas.

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S. Carlos Borromeu, arcebispo de Milão, merece os louvores de todos os séculos cristãos, pela grande caridade que o levou ao heroísmo. Ele não possuía cofre, nem bolsa para guardar dinheiro; porque tudo quanto lhe caía nas mãos, dava-o logo aos pobres.
Vendeu o seu principado por quarenta mil escudos de ouro; e em um só dia distribuiu toda aquela avultada soma aos pobres, assim que, à noite, já não tinha um ceitil.
Deram-lhe uma pensão de vinte mil escudos e fez o mesmo. Parecia que as moedas lhe queimassem as mãos, tal era a presteza com que as dava em esmola, impaciente por socorrer as misérias alheias. Viviam como um pobre anacoreta, muitas vezes contentando-se com pão e água e um pouco de legumes, e o rendimento do arcebispado que ficasse para os pobres. Os seus familiares lamentavam sua prodigalidade, manifestando o receio de cair na miséria, mas o santo os exortava à confiança na Providência.
Na terrível carestia que afligiu Milão, distribuiu todas as alfaias da casa e depois deu até o leito, dormindo de então em diante em tábuas nuas. Além disso, ele vivia para os pobres, andando pelas casas, visitando os doentes, consolando a todos.
Milão e todo o arcebispado serão eternamente gratos ao seu ilustre prelado e o honrarão sempre como um dos maiores benfeitores que teve a cidade e o cristianismo.

* * *
O homem que personifica a caridade é S. Vicente de Paulo. Ordenado sacerdote entregou-se de corpo e alma a socorrer os necessitados, fundando hospitais, asilos, toda a sorte de casas de caridade. A ele o mundo deve a instituição das Irmãs da Caridade, verdadeiros anjos enviados em socorro das misérias humanas, que assistem os doentes tanto no hospital, como em campo de batalha para onde correm impávidas, afrontando a morte com uma coragem superior ao seu sexo. Fundou também a Congregação da Missão, composta de sacerdotes destinados a instruir o povo rude. Foi tão grande a caridade e zelo, que chegou a dar milhões de francos.

* * *
A Itália teve também seus heróis de caridade, êmulos de S. Vicente de Paulo. Para falar só dos últimos tempos, cito S. João Bosco e S. José Cottolengo.
S. João Bosco fundou a Pia Sociedade Salesiana que arrebanha centenas de milhões de jovens nos dois hemisférios para instruí-los, educá-los na piedade e ensinar-lhes um ofício ou uma profissão e torná-los honrados cidadãos, úteis à sociedade.
S. José Cottolengo fundou a Casa da Divina Providência, onde são recolhidos milhares de doentes para serem curados no corpo e na alma. Todas as enfermidades da pobre humanidade lá se abrigam, e a caridade dos fiéis vem diariamente em auxílio de tantos infelizes.
Esses grandes benfeitores da humanidade fizeram coisas maravilhosas com as esmolas dos bons cristãos. Que esse belo exemplo arraste os ricos à imitação!

* * *
O Bem-aventurado Amadeu de Savoia foi um grande benfeitor da classe pobre e o seu reino foi chamado o paraíso dos pobres. Todo dia dava de comer a muitos pobres no seu palácio, servindo-os ele mesmo, com muita reverência.
Visitando uma vez um senhor de Milão, este, que era apaixonado pela caça, mostrou-lhe uma matilha, que ele tratava com muito cuidado. Retribuindo a visita ao Bem-aventurado, na corte, perguntou-lhe se não criava cães de caça. Amadeu levou-o a um páteo onde estavam reunidos os seus pobres e disse: — “Gasto meu dinheiro sustentando estes infelizes.”
Os ministros desgostavam-se de sua liberalidade; um deles lhe disse que muita esmola arruína as finanças; e que seria mais útil fortificar as praças de guerra e criar novos regimentos. — “Louvo o vosso zelo, respondeu o príncipe sabáudo; mas sabei que as esmolas dum soberano são as fortificações mais seguras dum Estado e o grande segredo para fazer reinar a abundância.”

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S. Paulino, não tendo nenhum dinheiro para dar a uma pobre viúva, que lhe pedia para resgatar o seu único filho cativo, ofereceu-se para ser ele mesmo vendido pela libertação do moço. A proposta foi aceita, e o Santo, na qualidade de escravo esteve por muito tempo como hortelão; até que, conhecida a sua virtude heroica, foi posto em liberdade, com permissão de levar consigo todos os escravos conterrâneos seus.

* * *
Santo Tomaz de Vila Nova era tão caritativo que deu aos pobres tudo o que tinha. Chegou a dar até o leito; e aquele no qual morreu não lhe pertencia.

* * *
S. Nicolau de Bari, que foi mais tarde Bispo de Nissa, quando ainda simples padre em Patara, soube que um gentil-homem, caído na miséria, tencionava casar três filhas com moços suspeitos; isso, por não estar em grau de dotá-las suficientemente. Nicolau fez chegar às mãos daquele senhor uma bolsa de dinheiro. A quantia era bastante para dotar uma das filhas. Por mais duas vezes enviou dinheiro; assim foram colocadas as outras duas. O pai, indagando a coisa, foi ter com o santo e, lançando-se-lhe aos pés, não cessava de agradecer-lhe tanta caridade. Mas, Nicolau o levantou com afeto, dizendo-lhe não ter feito mais do que o seu dever; e pediu-lhe que a ninguém o dissesse.

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S. José Cottolengo, quando não tinha dinheiro para dar aos pobres, dava o relógio, os lençóis da cama, roupas e sapatos. Várias vezes voltou à casa em peúgas e outras vezes descalço.

* * *
S. Francisco de Sales fazia muita esmola, não obstante a escassez de suas rendas. Ele dava sempre e generosamente, sem se importar com os gastos da casa, a tal ponto que o ecônomo vendo-se embaraçado, ameaçava abandoná-lo. — “Tendes razão, disse o Santo com a costumada doçura, eu sou incorrigível nesse ponto, mas o que é pior, creio que o serei sempre.” Outra vez, apontando o crucifixo, dizia: — “Pode-se negar alguma coisa a um Deus que se reduziu a tal estado por nosso amor?”
A princesa Clotilde presenteou-o com um diamante precioso, pedindo-lhe que o guardasse como lembrança.
— Senhora, disse o santo, guardarei até que os pobres não precisem dele.
— Nesse caso, replicou a princesa, dai-o em penhor, que o resgatarei.
— Temo que isso aconteça muitas vezes e não quisera abusar de vossa bondade.
Pouco depois a princesa o viu em Turim sem o diamante e entendeu logo o que tinha acontecido. Deu-lhe, pois, um muito mais precioso, recomendando-lhe que não fizesse como o primeiro.
— Senhora, respondeu-lhe, não vos posso garantir, porque sei por experiência que não sou capaz de guardar coisas preciosas.
Realmente, ele nutria tão grande ternura para com os pobres, que não sabia recusar-lhes coisa alguma.

* * *
Santo Estêvão, rei da Hungria, providenciou à manutenção dos pobres do seu reino, tomando especialmente sob sua proteção as viúvas e os órfãos, dos quais se declarara publicamente pai e defensor.
Mudava a roupa para não ser reconhecido, andava pelos arrabaldes da cidade a distribuir esmolas, a oferecer seus préstimos nos hospitais, etc. Chegou a dar as alfaias do próprio palácio para socorrer nas calamidades públicas os pobres. Deus, para mostrar como se comprazia da caridade de seu servo, quis que depois da morte a sua mão direita, que tanto dera aos pobres, permanecesse incorrupta.

* * *
Santa Catarina de Sena tendo obtido do pai a permissão de dar esmola, imitava a S. Nicolau de Bari levando às famílias necessitadas, durante a noite, pão, carne, vinho, colocando tudo na janela ou na soleira da porta para não ser vista.
Um dia, não tendo nada para dar a um pobre, tirou a cruz de prata de seu rosário e deu-lha. De noite, apareceu-lhe Jesus tendo na mão a cruz ornada de muitas pedras preciosas e resplandecentes como o sol, dizendo-lhe que havia de lha restituir no dia do juízo final, na presença de todos os homens.
Outra vez, não tendo dinheiro, deu a um pobre o seu manto; apareceu-lhe, de noite, Jesus vestido com o mesmo manto, ornado de pérolas e gemas, e lhe disse: — “Catarina, ontem me vestiste com este manto na pessoa daquele pobre.”
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