sábado, 3 de outubro de 2015

Deus quer salvar-nos

Nota do blogue: Acompanhe esse Especial AQUI.


2 — Deus quer salvar-nos 

“Mais do que tu mesmo, diz S. João Crisóstomo, mais do que tu mesmo, deseja Deus que vivas imune de pecado; nem se pode comparar o que desejas, para o bem da tua alma, com o que Ele se empenha em fazer pela tua salvação. E isto, é com os fatos que ele o demonstra.”
Uma passagem de S. Paulo, referente aos santos Anjos, vem aqui a propósito: “Não são todos eles, diz o Apóstolo, espíritos que administram (administratores spiritus), destinados ao ministério de ajudar aos que hão de receber a herança da salvação?” “Nonne omnes sunt administratores spiritus, in ministerium missi propter eos, qui hereditatem capient salutis?”[1] Estão, portanto, empenhados em nossa salvação todos (omnes) os anjos de Deus. A todos eles podemos recorrer, a todos invocar, certos de que nos socorrerão solícitos, e como que lá estão na mansão de sua bem-aventurada à espera da nossa oração, para nos virem em auxílio. Não é isto apenas uma fria consideração. É a palavra do apóstolo S. Paulo. E S. Paulo escrevia para a instrução dos primeiros cristãos: tinha pois uma especial assistência do Espírito Santo, e portanto não podia errar.

Logo, não temos de que nos queixar, quando sentimos os efeitos das tentações do demônio. Têm estes, não há dúvida, o poder de nos armar ciladas, de suscitar em nossa imaginação representações que nos seduzam, e uma infinidade de modos de se nos insinuar com seus perversos intentos. Mas, em nosso favor temos os exércitos angélicos, sempre prontos a socorrer-nos, se há quem mereça ser objeto de queixa em nossas quedas, somos nós mesmos. Julgamos que, por vezes, pode escusar-nos um pouco a violência das tentações. Seja. Mas o que é certo é que tal violência não pode de todo eximir-nos de culpa. Um exame sincero de nossa atitude na luta, nos dirá se tinha razão S. João Crisóstomo, quando disse que mais se empenha Deus em nossa salvação que nós mesmos. Quantas vezes, na tentação não está a voz de Deus a chamar-nos, a mover interiormente a nossa vontade para longe do pecado, e nós resistimos a esta voz, afastamos os santos pensamentos que Ele nos suscita n’alma, para nos entregar aos pensamentos do pecado e aos consequentes atos pecaminosos!
“Ao demônio, diz S. Pedro, devemos resistir fortes na fé: fortes in fide.” É avivar, portanto, a fé nessa esplêndida verdade da existência dos santos anjos, do seu papel de mediador entre nós e Deus, do seu papel de ministros da nossa salvação: in ministerium missi propter eos qui hereditatem capient salutis. Confortados por esta fé, “ainda que um exército se levante contra nós, não temerá o nosso coração.”

[1]     Hebr. I, 14. Este passo é um dos principais com que se prova a guarda dos santos Anjos.