domingo, 4 de outubro de 2015

A inescusável desídia dos que se perdem

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3 — A inescusável desídia dos que se perdem 

Uma dúvida: admitindo que os exércitos angélicos lidam em nosso favor, que são poderosos, e isto muito mais que os demônios, como é possível crer que estes nos possam levar à perdição?…
Antes de mais nada é preciso que nos lembremos que jamais cairemos no inferno se por nós mesmos não caminharmos para lá. “Quem ora, se salva, quem não ora se condena”, é a conhecida afirmação de S. Afonso de Ligório. “Ajuda-te, que Deus te ajudará”, diz a sabedoria popular. Portanto, se nós mesmos não cooperamos com Deus e os seus santos e anjos, de nada nos servirá que estejam a nosso dispor, no Céu, inumeráveis exércitos de espíritos bem-aventurados.
E a razão disto, está radicada em nossa mesma natureza. Somos seres racionais e livres, capazes de nos determinarmos a nós mesmos à escolha disto ou daquilo. A nossa natureza, portanto, como tal, não pode ser constrangida a eleger isto ou aquilo, a se determinar por este ou aquele caminho.

As criaturas inferiores ao homem na escala dos seres, estas cumprem fatalmente a sua finalidade, pela força das leis físicas. Com o homem não é assim. Ele deve livremente atingir a sua finalidade de completa felicidade, na glória do seu Criador. As leis que o devem reger não o induzem fatalmente a trilhar o caminho que lhe marcou a mão de Deus. Deus lhas apresenta, fá-lo ciente delas pela voz íntima da consciência (Lei natural), e também expressa exteriormente, pelo magistério dos seus enviados, dos seus representantes na terra (a lei escrita).
O regime e o governo dos anjos, sobre nós, têm portanto que se conformar com a nossa natureza de seres livres. Eles cooperam conosco, dão-nos a mão, facilitando o caminho, quando pelo bom caminho é que queremos andar. Os anjos da Guarda são como executores da Divina Providência com respeito aos homens, diz S. Tomás: “Custodia Angeli est quaedam executio divinae Providentiae, circa homines facta.” (I p. q. CXIII, a 6). Donde se segue que assim como a Divina Providência não exclui o exercício do livre arbítrio, nem nos necessita fisicamente a evitar o pecado, assim também não é tal coisa que havemos de esperar do ministério dos Anjos junto de nós.
É portanto inescusável desídia a de quem, sabendo que vive constantemente lado a lado com um Anjo de Deus, vive e morre em pecado. O mesmo Anjo que lhe devia ser auxílio, luz, proteção, torna-se-lhe testemunha e acusador no tribunal de Deus.