domingo, 11 de outubro de 2015

A ESMOLA RESOLVE A QUESTÃO SOCIAL

Nota do blogue: Acompanhe esse Especial AQUI.


CAPÍTULO XIII 

A ESMOLA RESOLVE A QUESTÃO SOCIAL 

A questão social, que tanto empolga os intelectuais do nosso século já foi resolvida perfeitamente por Jesus Cristo com o preceito da caridade. Se todos os ricos dessem esmola, se fossem os pais da pobreza, os provedores e tesoureiros dos necessitados, o mundo trocaria de aspecto e tornar-se-ia um paraíso terrestre.
— Os filósofos, os jornalistas, os economistas, os governos estudam cuidadosamente os males da sociedade e sugerem mil sistemas para pôr um dique a tantos desmandos sociais. Mas, o remédio já foi ensinado pelo Divino Redentor. Ele conhecia a fundo a humanidade, as suas necessidades, as suas aspirações, e como bom médico que é, receitou o remédio da caridade, ordenando aos ricos, que dessem esmola, e aos pobres que tivessem paciência, resignação à divina vontade.

Os males que nos afligem nascem todos da violação do preceito da caridade. O rico deixa-se dominar pelo egoísmo, fecha-se no próprio eu, não pensa senão em gozar e satisfazer às paixões, e o pobre, vendo-se defraudado da esmola, maltratado, levanta-se raivoso e apodera-se com violência dos bens alheios. Então, há furtos, greves, revoluções, que fazem tremer a sociedade, ameaçando-a desde o alicerce.
Nos primórdios do cristianismo, tais pechas não se davam, porquanto o preceito do amor ao próximo era observado escrupulosamente. “Vede como se amam!” diziam estupefatos os gentios, admirando tanta caridade entre os cristãos. Se estivessem ainda em voga a esmola, a misericórdia, como nos primeiros tempos, o século vinte continuaria sua carreira em meio às bênçãos dos povos e dissipar-se-iam os furacões que surgem no horizonte das nações para as flagelar. Se a caridade dos ricos fosse aumentando com o progresso e com a civilização material, não haveria mais necessidade de tantas prisões e tribunais, nem de tantos soldados para manter a ordem.
São tão puras, tão santas as alegrias da caridade, que superam de muito o prazer de possuir dinheiro, honras e todas as comodidades que proporcione o século. Não experimenta talvez um gozo de paraíso o rico que entra num tugúrio para levar alimento ao pobre? As crianças o rodeiam, saudando-o como seu benfeitor, o pai e a mãe vão-lhe ao encontro e o bendizem; e à tarde, toda a família reunida reza o terço por ele e por seus caros. Aquela oração sobe como incenso gratíssimo ao trono de Deus e faz descer as bênçãos celestes sobre os seus negócios e sobre o seu capital; e o rico recebe cem por um, mesmo nesta vida.
Conta-se que Luiz XVI, antes de subir ao trono, disfarçava-se muitas vezes para visitar os pobres nos seus casebres e levar-lhes esmola. Descoberto, um dia, por um oficial da corte, confessou que ia em pessoa para ouvir as bênçãos que sobre sua cabeça invocavam os pobres; e participar da alegria inefável das mães e das crianças que o abraçavam em sinal de reconhecimento.
Se, porém, aquelas pobres famílias veem o rico nadar na abundância não fazendo caso delas, se o veem passear em cômodos carros, enquanto elas morrem à míngua, então, se são boas resignam-se à vontade de Deus; mas se não têm sentimentos religiosos, maldizem a sua crueldade, planejam furtos e talvez assassinatos. Quando o pobre é espezinhado, se revolta e facilmente comete delitos.
Ó ricos! sede generosos para com os pobres e impedireis tantos crimes; e sobre vossa cabeça choverão infinitas bênçãos do céu.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...