sábado, 26 de setembro de 2015

Um banco infalível

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CAPÍTULO II 

UM BANCO INFALÍVEL 

Há, porém, um banco infalível, no qual deveriam pôr seus capitais todos os cristãos, certos de que se locupletarão no tempo e na eternidade, na terra e no céu. Esse banco conta já milhares de anos de existência e nunca abriu falência, e temos firme certeza que há de durar até o fim do mundo. As pessoas sábias e previdentes, que pensam seriamente nos seus verdadeiros interesses, sempre confiaram a ele os seus bens e dele tiraram riquezas inexauríveis.
Moisés recomenda este banco ao seu povo em muitíssimos lugares de sua lei; e a maior parte dos livros do Antigo Testamento o exaltam com louvores magníficos. O livro de Tobias parece escrito unicamente para demonstrar a sua utilidade, a sua grandeza, as vantagens imensas que traz consigo; e um Anjo descido do céu tece-lhe o mais belo elogio, recomendando-o a todos.
Jesus Cristo, vindo à terra, falou muitas vezes de tal banco, altamente e encomiou e o propôs aos seus sequazes.
Mas, que banco misterioso é esse? Os nossos corteses leitores já adivinharam; esse banco privilegiado é a esmola.

O próprio Deus, criador de todas as coisas, senhor de todo o ouro do mundo, é o banqueiro, que não pode falir, e é fiel a pagar os juros. Os agentes do banco são os pobres, que recebem em nome d'Ele. Tudo quanto damos aos necessitados para aliviá-los nas suas misérias, em dinheiro, alimento, vestiário ou abrigo, é como se o déssemos ao mesmo Deus. Os pobres são uma continuação, uma imagem real, um retrato perfeito de Jesus sofredor, o qual é honrado e servido na pessoa deles. Nosso Senhor considera feito a Si mesmo tudo quanto fazemos em favor dos pobres. Até o copo d'água dado em Seu nome ao sedento terá recompensa. O Divino Redentor repetiu muitas vezes esta confortadora doutrina, que o pobre é Seu representante na terra. Na descrição do juízo universal Ele a tornou óbvia e familiar com um diálogo que vale por um tratado e contém a mais alta filosofia.
No dia em que os homens deverem dar contas das riquezas que Deus lhes colocou nas mãos, Ele dirá com ar de júbilo aos eleitos: — “Vinde, benditos de meu Pai, vinde possuir o reino que vos está preparado desde o início dos tempos. Pois que, eu tive fome e vós me destes de comer; eu tive sede e vós me destes de beber; andava peregrino e me destes pousada; estava nu e me destes de vestir; estava enfermo e me visitastes; estava preso e me consolastes.” Admirados de tal modo de falar, dirão os justos: — “Quando vos vimos faminto, sedento, peregrino, nu, enfermo e preso, e fomos em vosso socorro?” E responderá Jesus: — “Tudo o que tendes feito aos pobres, eu o considero feito à minha pessoa.”
Voltando-se depois para os maus, os exprobará por terem-no desprezado nos pobres, afirmando que todas as vezes que negaram uma esmola aos necessitados, fizeram uma injúria a Ele.
Os pobres são, pois, os agentes do banco divino, que recebem os capitais, em nome de Deus; e o que depusermos em suas mãos será entregue a Jesus Cristo, que nos recompensará nesta vida e na outra. O nosso bom Anjo da Guarda, à guisa de fiel secretário, toma nota das esmolas e das obras de caridade que fazemos.
Ora, se esta é a verdade, porque não pomos os nossos capitais nesse banco? Deus, que é o banqueiro, pode talvez falir? Ele que é o senhor do mundo, que depositou o ouro e os diamantes nas entranhas das rochas e no seio dos montes, pode talvez tornar-se pobre e nos arrastar à miséria, como fazem os banqueiros deste mundo? Não. Ele é infalível e nos enriquecerá no tempo e na eternidade.