segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Os anjos são puros espíritos

Nota do blogue: Acompanhe esse Especial AQUI.


Capítulo II 

A NATUREZA ANGÉLICA 

Gostarias de certo, caro jovem, de ver ao teu lado o teu anjo da guarda. Tudo darias para poder contemplá-lo em sua celestial formosura, em sua atitude de habitante da pátria celeste, naquela feição peculiar e cheia de majestade dos seres superiores.
Se isto, por ora, te não é dado, nada impede que o contemples à luz dos ensinamentos da teologia católica.
Que são, pois, os santos Anjos? Não é fácil responder. Mas sabemos de certo que são puros espíritos — que são sumamente privilegiados dentre todos os seres criados — que têm também uma história como a nossa. 

1 — Os anjos são puros espíritos 

O Anjo, diz S. Gregório Magno, é espírito, e só espírito, enquanto que o homem é espírito e carne.[1] Não são, portanto, seres corpóreos, como as criaturas que povoam este mundo que habitamos. Não são, também, compostos de espírito e corpo, como somos os homens. São seres simples e puramente incorpóreos sem que em sua constituição física entre matéria de espécie alguma, por leve e etérea que seja. Inútil dizer que são inacessíveis aos nossos sentidos: nem os podemos ver, nem os podemos tocar. Assim fala, a propósito, o IV.º Concílio de Latrão: “Com seu poder onipotente tirou (DEUS) do nada, no princípio, juntamente a uma e outra criatura, a espiritual e a corporal, a saber, a criatura angélica e a criatura terrena, e em seguida a humana, como composta que é de espírito e de carne.”[2] E por sua vez, o Concílio do Vaticano adota a mesma doutrina, transladando a citada passagem para uma de suas “Constituições”.[3]

Não obstante bastas vezes deram-se a mostrar os anjos sob forma visível. Viram-nos deste modo Abraão e Ló, Jacó e Tobias e inúmeros outros personagens bíblicos. Foi, pois, para lhes poder falar, que tomaram forma humana, para poder guiá-los (como no caso de Tobias), para poder empenhar-se em porfiada luta, como aconteceu com Jacó. Tal, entretanto, não era o seu estado natural. S. Rafael Arcanjo, por exemplo, depois de revelar-se a Tobias, teve o cuidado de notar-lhe isto. “Eu parecia, disse-lhe ele, que de fato comia contigo e contigo bebia. Na realidade outro é o meu alimento, outra a minha bebida, invisíveis ambos aos olhos humanos.” (Tobias, XII, 19).
Por motivo semelhante os representamos em nossas imagens sob figura humana. Damo-lhes a forma humana, para indicar quanto estes nobilíssimos espíritos sejam amavelmente propensos aos homens; damo-lhes feições de belíssimos jovens, para indicar que as suas forças e prerrogativas jamais se deslustram ou afeiam, permanecendo eternamente louçãs e inteiras; damo-lhes asas para significar quanto estes excelsos ministros de Deus Altíssimo estejam prontos para executar as suas ordens; e os vestimos de vestes candidíssimas para designar, como diz S. Gregório Nazianzeno, a sua natural pureza, ad designandam naturalem ipsorum puritatem. (Catecismo do Concílio de Trento).

[1]     Moralium l. IV, c. III, n. 8.
[2]     Cap. Firmiter.
[3]     Const. Dei Filius cap. I.
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