segunda-feira, 28 de setembro de 2015

O ABANDONO À DIVINA PROVIDÊNCIA - Capítulo II

Nota do blogue: Acompanhe esse Especial AQUI.

O ABANDONO À DIVINA PROVIDÊNCIA
pelo
P.J.P de Caussade, S.J


CAPÍTULO II
Os deveres de cada momento são sombras, sob as quais se oculta a ação divina.

A virtude do Altíssimo cobrir-te-á com a Sua sombra, disse o Anjo a Maria. Esta sombra, na qual se esconde a vir­tude de Deus para gerar Jesus Cristo nas almas, é o que cada momento traz em si de deveres, de gozos ou de cruz. Com efeito, estes são apenas sombras à maneira daquelas a que damos este nome na ordem da natureza, e que se estendem sobre os objetos sensíveis como um véu que nossos encobre. Assim na ordem moral e sobrenatural, os deveres de cada momento, sob as suas obscuras aparências, encobrem a verdade da vontade divina, a única a merecer a nossa atenção. Assim as olhava Maria. E por isso essas sombras deslizando sobre as suas faculdades, longe de A perturbarem alimentavam a Sua fé d'Aquele que é sempre o mesmo. Retirai-vos, ó Arcanjo, vós sois uma sombra; o vosso momento voa e vós desapareceis. Maria ultrapassa-vos, vai avançando sempre; já vos encontrais longe d’Ela; mas o Espírito Santo que d’Ela se apoderou através desta missão sensível, jamais A abandonará.

Há poucos rasgos extraordinários na vida exterior da Virgem Santíssima. Pelo menos a Sagrada Escritura não no-los faz notar. A vida de Maria apresenta-se-nos muito simples e comum, quanto ao exterior. Faz e sofre o que fazem e sofrem as pessoas da sua condição. Vai visitar sua prima Santa Isabel, como vão também os outros parentes. Recolhe-Se a um estábulo; é uma conse­quência da Sua pobreza. Volta a Na­zaré, donde a perseguição de Herodes a havia afastado; Jesus e José aí viviam com Ela do Seu trabalho. Tal era para a Sagrada Família o pão de cada dia.

Mas de que pão se alimenta a fé de Maria e de José? Qual é o sacramento de todos os seus momentos sagrados? Que descobrem debaixo da aparência dos acontecimentos que vão enchendo esses momentos? O que neles há de visí­vel é semelhante ao que sucede ao resto dos homens; mas o invisível, o que a fé aí entrevê e descobre, é nada menos que Deus realizando grandes coisas. Ó pão dos Anjos, ó maná celeste, pérola evan­gélica, sacramento do momento presente! A quem é que tu o dás? Esurientes re­ples bonis! Enches de bens os que têm fome de Deus. E Deus revela-Se aos pequenos e aos humildes, ainda nas coisas mais pequenas; mas os grandes e sober­bos, que não consideram senão as apa­rências, esses não O descobrem nem mesmo nas coisas grandes.
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