sexta-feira, 25 de setembro de 2015

A quem devemos a proteção dos Anjos / Número e poder dos Anjos

Nota do blogue: Acompanhe esse Especial AQUI.


Capítulo I 

A QUEM DEVEMOS A PROTEÇÃO DOS ANJOS



Indaguemos: o cuidado dado aos anjos, de velar sobre nós, por quem foi dado? Quis mandavit? Somente por Aquele de Quem são os anjos súditos obedientes e zelosos ministros. Mas quem é aquele, segue interrogando S. Bernardo, de quem são súditos os anjos? E de quem são ministros? Do Senhor, Deus Altíssimo. Foi portanto Deus que deu aos anjos a ordem de proteger-nos em toda a nossa vida. E nesta ordem, como observa o seráfico doutor S. Boaventura, manifesta-se o Seu poder supremo, a Sua sublime sabedoria, a Sua paternal bondade. 

1 — Número e poder dos Anjos 

Conforme a doutrina dos santos e doutores da Igreja, cada homem, ao nascer, recebe um Anjo para guarda seu e seu protetor particular.[1]
Igualmente tem seu Anjo da Guarda cada nação, tem-no igualmente cada província, cada cidade, cada casa, cada família, cada comunidade, cada templo, cada altar. “Serviam a Deus milhares de milhares”, diz o profeta Daniel.
De forma que contamos com a proteção não somente do nosso Anjo particular, mas também com a daqueles que presidem as comunidades de que somos membros.
É exatamente por este motivo que diz a Escritura: “aos seus Anjos Deus ordenou que te guardassem etc.”
Diz “aos seus Anjos” no plural, porque, como explica S. Roberto Belarmino, protege-nos não somente o nosso Anjo da Guarda, mas também os Anjos protetores da nossa pátria, da nossa província, da nossa cidade, etc.
São, portanto, inumerável multidão os Anjos deputados para a guarda dos homens.

E se a este ainda ajuntarmos os que assistem constantemente perante o trono de Deus? E se a estes ainda somarmos aqueles que Deus envia à terra em missões especiais ou que pendem do seu mandado para cumprir cada uma de suas ordens?
Então atingirão o incalculável. Foi indicando esse número sem número que o profeta Daniel exclamou: “milhares de milhares o serviam e mil milhões junto a Ele assistiam: Millia millium ministrabant ei, et decies millies centena millia assistebant ei.” (Dan. VII, 10).
Número portentoso, na verdade, que no dizer do autor do livro sobre a Celeste Hierarquia, excede todos os cálculos e cômputos humanos.[2]
Quem pode calcular o número das estrelas do céu e de todos os seres materiais que povoam o universo: homens, animais, plantas, insetos, peixes, etc. etc.? Pois bem, “a multidão dos Anjos, diz S. Tomás de Aquino, é ainda superior à multidão dos seres materiais.”
Tal é o número dos Anjos. Quanto ao seu poder, exalta-o a Escritura a cada passo. “Bendizei o Senhor, diz o real Profeta, todos os seus Anjos, poderosos em valor, fiéis executores de sua palavra (Es. C I 20). E numerosos são os exemplos em que tal poder resplandece, como se pode ver na segunda parte desta obrazinha.
Mas, além disto, patenteia-se bem o seu poder no mesmo poder daqueles que muitas vezes eram instrumentos seus os santos. Causa espanto, na vida dos santos, o ódio com que se armava os demônios contra eles, e as infernais coligações que entre si faziam para perdê-los e arruinar a sua obra. Vemo-los, entretanto, impassíveis ante os assaltos dos espíritos das trevas e tão poderosos que um instante lhes bastava para dispersar e pôr em fuga os exércitos da infernal nequícia.
Quem era, pois, que lhes incutia tão grande valor? Os Anjos de Deus, a cuja proteção sempre recorriam os santos. “Não poderia a nossa fraqueza, como diz S. Hilário, resistir à perversa ação dos espíritos infernais se não fosse confortada pelo poder dos Anjos.”[3] “É fora de dúvida, diz S. Bernardo, que não podemos resistir ao ímpeto dos espíritos malignos, se de nós se afastam os bons espíritos.”[4]
É força pois, confessar, que são poderosíssimos os Anjos, pois vencem a tão poderosos inimigos quais os demônios.
E é força, também, confessar, que onipotente é Aquele Senhor a que obedece tão grande multidão de príncipes celestiais, e cujo mandado pronta e fielmente executam. “Na verdade não há quem seja semelhante a ti, ó Senhor; tu és grande, e grande em poder é o teu nome (Jer. X 6).”




[1]     Ver Petavio, de Ang. l. II, c. VIII. Suarez, de Ang. l. VI, c. XVII, n. 22; Perrone, de Deo Creatore, part. I, c. III, n. 49.
[2]     Cael. Hier. cap. XIV. Este livro era geralmente atribuído a S. Dioníso Areopagita pelos escolásticos. Estudos críticos mostram que o devemos atribuir a outro autor do séc. V ou do princípio do sec. VI. É certamente um livro de grande autoridade. Ver. S. Tom. I, p. q. L. a 3.
[3]     In Psalm. CXXXIV, n. 17.
[4]     Serm. VII in cant. n. 4.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...