sexta-feira, 25 de setembro de 2015

FREQUENTES FALÊNCIAS DE BANCOS

Nota do blogue: Acompanhe esse Especial AQUI.


Prefácio dos Editores 

Já em outra ocasião foi publicado nas Leituras Católicas um opúsculo sobre a esmola, intitulado “A Esmola segundo Deus”. Esse trabalho foi muito apreciado e estávamos cogitando fazer nova edição, quando foi traduzido o presente opúsculo da lavra do Servo de Deus Padre André Beltrami, da Pia Sociedade Salesiana.
Oh! seja bem-vinda esta voz do virtuoso Sacerdote a acordar certas pessoas que dormem, a evocar certos mortos!
O glorioso Apóstolo S. Paulo nos exorta a fazermos o bem, enquanto temos tempo. Outra não é a exortação do Padre Beltrami neste seu trabalhinho sobre a Esmola.
Hoje a palavra de André Beltrami é mais autorizada, porque já se introduziu a Causa de sua Beatificação e Canonização, e esperamos que, dentro em breve, receba na fronte a auréola dos Bem-aventurados.
Acolhei, pois, esta sua palavra como uma voz vinda do Céu.

CAPÍTULO I 

FREQUENTES FALÊNCIAS DE BANCOS 

Todo ano, nas principais cidades da Europa e da América, os jornais anunciam a falência de algum banco, que arrasta à miséria muitas famílias e lança na desolação regiões inteiras. São desgraças terríveis, que, invés de diminuírem com o avançar da civilização e do progresso, aumentam em proporção espantosa; e dão o que fazer aos homens de Estado, os quais, debalde, procuram medicar essa chaga social, que assassina o comércio e flagela os povos. Mal se acalmaram os gritos de dor pela quebra de um banco, que roubou o patrimônio a inúmeras famílias, eis logo se divulga a funesta notícia da falência de outro banco, que renova as mesmas cenas de desventura, lançando na rua um número grande de pessoas, que da opulência passam à mais esquálida miséria.

São muitas as causas de tais bancarrotas, que constituem um estudo sério para os legisladores que tentam impedi-las por meio de leis.
Algumas vezes é a má administração e a falta de treino no manejo dos negócios; outras vezes é uma crise que paralisa a administração, os negócios de toda uma região. Mas, na maior parte dos casos, a falência provém da fraude ou furto de algum dos administradores. São aleivosias indignas, que desonram o homem e mostram até que ponto de baixeza pode levar o amor ao ouro, o qual bem considerado não é senão um pouco de terra reluzente. Eis a triste história: Um dos diretores do banco apodera-se do dinheiro, das letras e dos valores e foge para o estrangeiro, onde a lei o não pode alcançar, a fim de gozar das riquezas roubadas, que pertencem a inúmeras famílias, as quais talvez suaram por muitos anos, fazendo economia, mesmo do necessário, para assim garantir o futuro. Então o banco abre falência; e o tribunal institui o processo para examinar os delinquentes. 
Que deplorável espetáculo não apresenta a sala judiciária! Aqui, um pobre pai de família, que tinha posto no banco todo seu dinheiro, reduzido agora à miséria; triste, rábido, assiste ao processo, pedindo justiça. Ali uma criada que serviu por muitos lustros, trabalhando de manhã à noite, e pondo no banco, mês por mês, os frutos de suas economias. Já possuía um bom capital, aumentado pelos juros, e esperava ter um arrimo na sua decrepitude, quando fosse impotente para o trabalho. O pensamento do próximo descanso, após duras fadigas, fazia saltar de alegria a boa da mulher; de repente o banco quebra e ela perde tudo. Agora está lá, furiosa, no tribunal, a dirigir imprecações contra os autores de sua irreparável desventura. Quem é aquele ancião, que chora qual uma criança e, de onde em onde, mostra os punhos aos que se assentam no mocho dos acusados? É um pobre operário que tinha posto no banco boa parte dos ordenados recebidos desde os primeiros anos da mocidade. Não podendo mais trabalhar vivia dos juros e passava tranquilo os anos da senilidade; mas a falência do banco o arruinou e o lançou na miséria e, se quer comer, deve estender a mão e implorar a caridade ao transeunte. Estais vendo aquele senhor de modos corteses, vestido de pobre operário? Era um rico proprietário de palacetes e terras. A falência do banco arrebatou-lhe todo o capital; agora é coagido a trabalhar para viver.
Felizes aqueles que sabem transmudar em mérito a sua desgraça, recebendo-a das mãos de Deus e aprendendo à sua custa a não confiar nos homens, nem nas riquezas terrenas, mas a depositar a confiança nos bens eternos do céu! Todavia, são bem poucas tais pessoas! Quantas, invés, reduzidas à miséria, não sabem resignar-se e põem termo aos seus dias com o suicídio, sem refletir que depois da morte cairão numa miséria mil vezes pior.