sábado, 26 de setembro de 2015

ESPECIAL: O abandono à Divina Providência

O ABANDONO À DIVINA PROVIDÊNCIA
pelo
P.J.P de Caussade, S.J


INTRODUÇÃO

O livrinho que hoje sai pela primeira vez em língua portuguesa, deve-se à pena de um dos mais experimentados mestres de espírito da Companhia de Jesus na primeira metade do século XVIII, o P. João Pedro de Caussade (+ 1750)

Nascido a 7-3-1675, entrou no novi­ciado da Província de Tolosa de França a 16-4-1693. Terminados os estudos e feita à profissão solene a 15-8-1708, exerceu durante sete anos o magistério em Aurillac em Tolosa, e em 1715 come­çou a sua vida de pregador discurrente no sul de França. De 1729 a 1731 es­teve na Lorena, entrando em contato com às religiosas da Visitação de Nancy, as quais nos conservaram a sua correspondência e o melhor do seu pensa­mento. Depois de breve ausência voltou novamente à Lorena em 1733, nomeado diretor da casa de Exercícios Espiri­tuais de Nancy.

As perturbações políticas dessa época, se impediram o desenvolvimento da ação dessa casa, foram, contudo benéficas para as visitandinas, às quais o P. Caussade podia assim fazer mais fre­quentes exortações, ao mesmo tempo que ia solicitamente guiando os progres­sos na vida espiritual de várias dessas religiosas. Esta direção dava-a não somente de palavra, mas também por escrito, respondendo ponto por ponto às dificuldades que lhe eram propostas ou redigindo pequenos tratados, conforme a necessidade das almas que à sua direção se confiavam.

O uso vigente na ordem da Visitação permitia aos membros das comunidades comunicarem entre si esses escritos, que assim foram copiados várias vezes e reunidos em pequenos cadernos, os quais essas boas religiosas se iam transmitindo como piedosa herança.

O tratado do Abandono à Providên­cia Divina foi composto, ao que parece, de cartas dirigidas à Madre de Rottenbourg, eleita superiora do mosteiro de Nancy em 1738, e com fragmentos das exortações feitas a essa comunidade.

Foi editado pela primeira vez em 1861, pelo conhecido teólogo P. Hen­rique Ramiere, S.J e acolhido com ex­traordinária aceitação. Reeditou-se logo em 1862 e foi preciso fazer novas ti­ragens em 1863 e 1864. A 5.ª edi­ção saiu em 1867, acrescentada com 128 cartas do P. Caussade e um “Dis­curso do editor sobre os fundamentos e a verdadeira natureza da virtude do abandono, para explicar e defender a doutrina do P. Caussade”. Em edições posteriores foram-se ajuntando algumas cartas e avisos espirituais. Sob esta forma a obra do P. Caussade continuou a co­nhecer o mesmo fervoroso acolhimento, tornando-se “clássica” nesta matéria. Em 1928 aparecia a 21.ª edição, e em 1930 os exemplares espalhados elevavam-se a perto de 80.000.

Para a versão portuguesa, servimo­-nos da 25.ª edição abreviada (Paris 1952) na qual não aparecem as cartas nem outros avisos espirituais do P. Caus­sade, mas se conserva o “Discurso” do editor e se dão em Apêndice alguns pe­quenos tratados de Surin e de Bossuet e alguns atos de abandono em forma de orações.

Na nossa edição pareceu-nos desne­cessário conservar o “Discurso”, e do Apêndice guardamos apenas o ato de abandono atribuído ao restaurador da Companhia de Jesus na Itália, S. José Pignatelli (1737-1811). Este ato era recitado por Madame Elisabeth durante o seu cativeiro no Templo e parece ser da autoria do P. Caussade.

Oxalá este livrinho, “obra genial”, contendo “muitas páginas duma sublimidade, duma magnificência de vistas e duma profundeza de sentimentos que arrebatam os que sabem compreendê-las” (P. Hilaire, diretor das Damas de Nazaré), encontre na nossa língua um êxito semelhante ao que tem tido na sua língua original.

Lisboa, 25 de Agosto de 1955.

A. C.

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ÍNDICE

INTRODUÇÃO

LIVRO PRIMEIRO
NATUREZA E EXCELÊNCIA DA VIRTUDE DO ABANDONO










LIVRO SEGUNDO

DA AÇÃO DIVINA E DA MANEIRA COMO ELA TRABALHA 
SEM CESSAR NA SANTIFICAÇÃO DA ALMA









CAPÍTULO XI — A ação divina traz a todas as almas a santidade mais emi­nente; basta abandonar-se a ela, para se santificar.

CAPÍTULO XII — Só a ação divina é que nos pode santificar, porque se regula pelo exemplar divino da nossa perfeição.

LIVRO TERCEIRO
DA ASSISTÊNCIA PATERNAL COM QUE DEUS ENVOLVE AS ALMAS QUE SE ABANDONAM INTEIRAMENTE A ELE

CAPÍTULO I — Deus torna-se o guia das almas que se abandonam inteiramente a Ele.

CAPÍTULO II — Deus conduz tanto mais seguramente a alma que a Ele se aban­dona, quanto mais parece tirar-lhe a vista.

CAPÍTULO III—As desolações que Deus faz experimentar a essa alma, são amo­rosos artifícios, dos quais ela um dia se há-de regozijar.

CAPÍTULO IV—Deus dá tanto mais ge­nerosamente à alma que a Ele se abandona, quanto mais parece despojá-la de tudo.

CAPÍTULO V—Deus defende tanto mais poderosamente a alma que se aban­dona a Ele, quanto esta é menos ca­paz de se defender.

CAPÍTULO VI - A alma que se aban­dona a Deus, em vez de resistir aos seus inimigos, encontra neles uns pre­ciosos auxiliares.

CAPÍTULO VII — A alma que se abandona a Deus pode abster-se de dizer ou fazer qualquer coisa para a sua jus­tificação; a ação divina é que a jus­tifica.

CAPÍTULO VIII — Deus vivifica, a alma que se abandona a Ele, pelos meios que mais parecem apropriados a dar­-lhe a morte.

CAPÍTULO IX — O amor ocupa o lugar de tudo, para as almas que seguem este caminho.

CAPÍTULO X—A alma que se abandona a Deus encontra mais luz e mais força na submissão à ação divina, do que têm todos os orgulhosos que lhe re­sistem.

CAPÍTULO XI — A alma que se aban­dona a Deus sabe vê-lO mesmo no so­berbo que luta contra a divina ação. Todas as criaturas, quer sejam boas quer sejam más, lho manifestam.

CAPÍTULO XII— Deus, assegura às al­mas que Lhe são fiéis, uma gloriosa vitória sobre as potências do mundo e do inferno.
ATO DE ABANDONO 
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