quarta-feira, 30 de setembro de 2015

A história dos santos anjos…

Nota do blogue: Acompanhe esse Especial AQUI.

 

3 A história dos santos anjos… 

Terão os anjos, também, a sua história?
Têm-na, tal como o homem. Como o homem foram criados, como o homem enriquecidos de soberbos dons de natureza e de graça, e como o homem sujeitos a uma prova, que decidiria da sua admissão ou não à visão intuitiva de Deus.
O que foi essa prova, só poderíamos saber por conjeturas fundadas em passos da Escritura. Mas nada de certo sabemos. É o menos. É certo, entretanto, que passaram por esta prova. Assim o exigia a sua natureza intelectual e livre, e por ela quis Deus N. Senhor que passassem para que merecessem o céu. Durou-lhes um instante essa prova, e esse instante deu-lhes a eterna e imutável bem-aventurança — como aos que nela sucumbiram, a condenação.

Eis a propósito o que diz S. Gregório: “vendo os santos anjos que uma parte dentre eles havia caído, tanto mais firmemente resistiram, quanto mais humildemente.”[1] Sabemos, pela Escritura, que capitaneava os bons S. Miguel Arcanjo, e os maus Lúcifer, anjo de grande formosura e enriquecido de maravilhosos dotes naturais. Ao seu grito de rebelião, opôs o anjo fiel o seu Quis ut Deus: “quem há semelhante a Deus?”… Só Ele é o autor de toda formosura e poder, de toda grandeza e excelência. Isto era o que proclamava o Arcanjo. Lúcifer, pelo contrário, endeusado na própria excelência, pensou poder dispensar o seu Criador… Ser magnificamente dotado pela mão criadora, julgou-se, entretanto, grande demais para confessar-se devedor, a outrem, de tudo quanto possuía… Recusou-se assim, a prestar a Deus o seu louvor, atribuindo-lhe o próprio ser e os próprios predicados. Ele, portanto, teria em si mesmo a razão de sua existência e de sua grandeza — ele era Deus!… E como Lúcifer, pensaram os seus sequazes, assim como o mesmo pensar que S. Miguel, tiveram os seus seguidores — dois terços, ao que se conjetura, dos puros espíritos criados por Deus.
Salvou-os, portanto, a humildade, que é o reconhecimento do próprio nada diante do Criador. Salvou-os o reconhecimento para com Deus, pelos benefícios que reconheciam ter recebido de sua mão. E em recompensa, diz ainda S. Agostinho, mereceram receber o devido prêmio: “os seus anjos, diz Nosso Senhor no Evangelho, referindo-se às crianças, sempre veem a face do meu Pai.” Foi esta, precisamente, a recompensa. E S. Gregório: “que língua humana há que possa exprimir como, na posse da beatitude, sejam bem-aventurados; como, na contemplação da eternidade, sejam eternos; como, junto à verdadeira luz, se tenham tornado luz; como, na visão da imutabilidade, se tenham tornado imutáveis?”… (In. Ezech. l. I. hom. VII).
E a Igreja reconhece-lhes a grandeza, a santidade e a excelência, dando-lhes, na sagrada liturgia, o primeiro lugar após a Virgem Santíssima, Mãe daquele que é nosso Rei e é, igualmente, Rei dos Anjos.
E nada, jamais, os poderá arrancar dessa excelsitude, nada dessa eterna e imutável bem-aventurança. É-lhes parte da recompensa, diz S. Agostinho, a impossibilidade em que estão de ser ingratos a Deus e pecar: praemium est non posse peccare. (Contr. duas epist. Pelagii, l. 3 c. 7).

[1]     Dialog. l. III, cap. XIV.
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