terça-feira, 29 de setembro de 2015

A AVAREZA É UM VÍCIO REPUGNANTE

Nota do blogue: Acompanhe esse Especial AQUI.


CAPÍTULO V 

A AVAREZA É UM VÍCIO REPUGNANTE 

A avareza é um dos vícios mais repugnantes e dos que mais desonram o homem. O avarento é odiado por todos, e na sociedade é tido como uma sanguessuga. Quando o amor o torna egoísta, o embrutece, fá-lo incapaz de pensamentos nobres e elevados, curva-o para a terra, fá-lo esquecer o céu. Ele torna-se cruel para com o próximo, espezinha as leis de justiça e da caridade, oprime os pobres e só aspira enriquecer-se de qualquer maneira, justa ou injusta. As moedas que ajunta na bolsa são muitas vezes o preço das lágrimas e das privações dos infelizes. Conta-se que S. Francisco de Paula, uma ocasião, partiu uma moeda e encontrou dentro o sangue do pobre que o avarento barbaramente conculcara.

O avaro não só é cruel para com os outros; ele o é também consigo mesmo; trabalha de manhã à noite, come mal, veste-se pobremente, priva-se do conforto para economizar… Quanto sacrifício… para não gastar! Muita vez o avarento jejua como um anacoreta, veste-se como um pedinte, suporta o frio e o calor com uma constância igualável à dos santos mais austeros. O ouro é a sua divindade, à qual sacrifica a saúde, as comodidades e, às vezes, a mesma vida. Viram-se avarentos preferirem a morte a gastarem dinheiro com médico e remédios!
A paixão pelo ouro, longe de diminuir com a idade, aumenta e, aproximando-se a hora extrema em que se deve abandonar tudo, maior é o apego às riquezas. O velho é sempre mais avarento do que o moço. Que dor não há de sentir o avaro ao separar-se de seus tesouros! Que tristeza no dever ditar o testamento e pronunciar aquela palavra “Deixo…”! Ele bem quisera não deixar.
Conta-se de avaros que morreram desesperados, com as mãos no cofre, como não soubessem separar-se do dinheiro idolatrado; outros apertavam convulsivamente ao coração o vil metal e expiraram naquele ato, furiosos por não o poderem levar consigo. A morte de um avarento, odiado em toda a cidade por sua paixão repugnante, deu azo a que Santo Antonio pregasse sobre a avareza e a necessidade da esmola. Depois de ter comentado as palavras do Evangelho, “onde está o tesouro aí está o coração”, afirmou que o coração do avarento estava dentro do cofre. Foram os ouvintes à casa do defunto, abriram o cofre e encontraram no meio das moedas o coração do avarento. Quis Deus mostrar com um milagre quão asquerosa é a avareza, que prende o homem ao lodo da terra.
Judas é um exemplo terrível, que nos mostra como o ouro cega. Encarregara-o Jesus de guardar as esmolas para prover às necessidades do colégio apostólico. O mísero deixou-se levar pelo amor ao dinheiro e acabou ladrão.
Quando Madalena entrou em casa do fariseu e perfumou com bálsamo os pés do Divino Redentor, enxugando-os com as madeixas, o discípulo prevaricador lamentou aquele desperdício de unguento precioso, que, dizia, poderia ser vendido e dado aos pobres o valor. Não era o amor aos pobres que o fazia falar, mas a avareza acobertada com tal pretexto. Judas queria ter aquele dinheiro em sua bolsa. Esse vício abominável levou-o de excesso em excesso até vender o seu Mestre. Bem sabia que Jesus era Deus, era o Messias, era inocente; presenciara seus estrondosos milagres e tivera provas de amor, de predileção. Cegou-o, porém, a avareza e fê-lo cometer o maior delito, que causa horror e execração em todos os séculos.
“Quanto me quereis dar, se eu vo-lo entregar”? perguntava aos príncipes dos sacerdotes e aos fariseus. Recebeu trinta dinheiros, guiou os esbirros ao Horto das Oliveiras e traiu com um ósculo o seu Mestre; mas, depois, foi assaltado por horríveis remorsos. Tivesse ao menos imitado a Pedro na penitência. Pronunciou as palavras de Caim: “A minha iniquidade é grande demais para merecer perdão”, e desesperou-se. Atirou longe aquelas moedas infames, preço do sangue inocente e pôs termo à sua vida com o suicídio. O triste fim do apóstolo traidor previne-nos salutarmente a não nos afeiçoarmos ao ouro, que cega o homem, levando-o a deploráveis excessos.
Até os pagãos reconheceram a fealdade da avareza e a abjeção daquele que se deixa seduzir pelo dinheiro. Virgílio descreve na sua Eneida os tristes efeitos desta paixão e maldiz a sede execrável do ouro, causadora de tantos delitos abomináveis. Sêneca proclama que o homem é superior à matéria e é talhado para algo de mais nobre e não deve ser escravo do corpo e dos bens terrenos.
Veio depois Jesus Cristo que verberou os ricos avarentos, os quais negam socorro ao necessitado.
Se nos fosse dado acabar com a avareza e fazer reinar na sociedade a caridade ensinada no Evangelho, a terra mudaria de aspecto e tornar-se-ia a imagem do paraíso, onde todos se amam. Como eram belos os primeiros tempos do Cristianismo, quando o supérfluo era entregue aos Apóstolos para ser distribuído às viúvas, aos órfãos e a todos os necessitados! quando a multidão dos crentes formava um só coração e uma só alma para amar e servir a Deus! Podem aqueles belos tempos voltar e o meio para isso é a caridade, é a esmola, é a guerra à avareza e ao egoísmo individual.
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