quinta-feira, 29 de maio de 2014

A Pérola Preciosa - 15.º Mistério

Nota do blogue: Acompanhar esse especial AQUI. Com esse post encerro a transcrição desse livro.

A PÉROLA PRECIOSA

Breves pensamentos sobre o Rosário meditado, para sacerdotes.
pelo
Padre Wendelin Meyer, O.F.M.
Tradução portuguesa por
Alberto Maria Kolb


15.º MISTÉRIO
AS TRÊS COROAS...

Tratam as fábulas de preciosos diademas de ouro puríssimo, os quais são guardados por anões em profundas e mui recônditas cavernas subterrâneas. — A fé, porém, trata de coisas mais preciosas e o que ela conta é pura ver­dade e realidade absoluta. A fé conhece corôas que, qual tesouro inexaurível, estão guardadas na eterna e celestial Sião. Deus mesmo as guar­da e, quando um peregrino deste vale de lágri­mas consegue alcançar o portão da eternidade ressoa aos seus ouvidos: «Vem do Líbano, esposa minha, e serás coroada...» (Hebr. 4-8).

Também Maria Santíssima esperava este mo­mento feliz. Três coroas estavam para Ela pre­paradas, cada qual mais preciosa e mais relu­zente.

Contemplemo-las de mais perto, pois assim veremos também os três sinais de honra, que receberão todos os bons sacerdotes. Maria Santís­sima recebeu:

A coroa de maior honra e dignidade;
A coroa de inúmeros méritos;
A coroa que jamais perecerá.

A coroa de maior honra e dignidade:

A Virgem Santíssima, a Mãe sem mácula, era uma alma entre todos escolhida e enriquecida de especiais privilégios.

Nenhum anjo do céu podia com Ela riva­lizar. Ela superava os Querubins e os Serafins em virtude e dignidade. Nenhum dos es­píritos angélicos estava tão próximo de Deus como Maria. Poderia por conseguinte o Altís­simo a Ela negar o que Lhe era devido?

Se alta e irrepreensível dignidade requer grandes honras, a mais alta dignidade requer maiores honras ainda. Assim fala, a justiça, e Deus é infinitamente justo. Razão e fé são unâ­nimes: A Mãe de Deus recebeu a mais bela das coroas que o Redentor possuía. Maria foi colocada acima de todos os coros angélicos, acima de todos os Bem-aventurados e foi constituída rainha:

Regina Sanctorum omnium!

Oh Mãe admirável, consola-me a Vossa grandeza, a Vossa elevação ao mais alto grau de honra e dignidade.

Não sou eu também uma alma privilegiada?

Não supero aqui na terra todos os fiéis por meus poderes de ordenação? Não me chamam: Vossa Reverência!

Sim, o meu munus, a minha situação, é sublime, elevado. Sou sacerdote, representante de Jesus Cristo, sou «ex hominibus assumptus, electus a Domino».

Quão bela será a minha coroa, se morrer como bom sacerdote! Será possível que no céu não se tenha bom trato como na terra? Aqui sou estimado e honrado por grandes e pequenos. As crianças tomam minhas mãos, beijam-nas, os adultos saúdam-me respeitosamente. A Igreja triunfante não procederá da mesma forma?

Certamente; eu não procuro estas honras, se­rão porém minha doce herança. Deus não es­quece os Seus.

«Gloriam et magnum decorem impones su­per eum». (Ps. 20-6).

A coroa de inúmeros méritos:

Assim como é difícil contar os grãos de areia nas margens do mar ou as estrelas do céu, assim também ninguém se atreverá a contar os louros anuais de Maria. Deveria com efeito possuir os anuários do céu e ao mesmo tempo uma infinita paciência para folhear tantos livros.

Pode-se contudo perceber estes enormes nú­meros e gigantescas somas. Uma alma sem o mínimo pecado, totalmente entregue e absorta em Deus, adornada das maiores e mais precio­sas graças, pouco a pouco fica tão rica que só os eternos celeiros do mundo sem fim podem guardar os seus frutos todos. Maria Santíssima era a alma mais enriquecida de graças, a mais fer­vorosa e a mais pura; igual jamais nenhuma outra existiu e viveu. Como está acima de to­das as gerações em dignidade, também o está em méritos. Mereceu e adquiriu uma coroa que representa uma indizível bem-aventurança e uma felicidade sem rival. Ganhou um amor e uma compreensão de que apenas algo podemos apa­nhar.

Aqui emudece toda língua humana.

Reconheçamos contudo outra coisa: que também nós podemos esperar uma coroa de inúmeros méritos. Certamente! Não deixemos roubar-nos este consolador pensamento.

Sacerdotes sempre devem viver na graça san­tificante. Tudo que eles fazem, todas suas obras, são de Deus. Oferecem diariamente um sacrifí­cio de valor infinito, cujo «fructus specialissimus» lhes é próprio a eles somente.

Todos seus trabalhos tendem diretamente para a glória de Deus e a salvação das almas. Esta tão pura intenção aumenta consideravel­mente o valor moral das ações e obras, e multi­plica assim os seus frutos.

Oh vida sacerdotal! quão admirável és! tu constróis uma fulgurante coroa para a eternidade!

Quão intimamente contemplarei mais tarde a essência divina! Como arderá meu coração num fogo de amor! Longe de mim todo o prazer ter­reno. Dai-me, Senhor, aqui só trabalhos e sofrimentos, para encontrar somente glórias e ale­grias quando os meus olhos se fecharem.

A coroa que jamais perecerá:

Coroas deste mundo, só por alguns anos ornam as cabeças dos mortais. Ou, cansado, oh homem, declinas a cabeça sobre o peito debaixo do peso da coroa, para não mais se levantar, ou a própria coroa volta ao nada, à matéria da qual foi tirada.

Já muitos diademas de reis e de impera­dores caíram; estão sepultados no lodo dos séculos passados. O mundo além do túmulo não conhece sucessões e portanto nem coroas perecíveis. Há quase 2.000 anos que Maria Santíssima está junto do trono de Deus, mas a Sua glória e Seu brilho são sempre novos e aumentam dia­riamente em beleza. Enquanto os séculos se seguem, a Sua coroa sempre permanece.

Isto não é privilégio de Maria, nem do sa­cerdote, pois a coroa está preparada para todos que entram no lugar dos bem-aventurados, e isto é deveras consolador e dá ânimo. Na duração da bem-aventurança todos são iguais. Assim entre­laça os cidadãos do céu, apesar de variedades múltiplas no mundo das glórias, um vínculo de admirável união, o vínculo da eternidade, produzindo-se tal harmonia de glória que brilha como um imperecível sol.

Oh Deus, como sois bom!

Per omnia saecula saeculorum! Assim eu canto muitas vezes, assim rezo todos os dias. Per omnia saecula...!

Ajoelho-me agora para rezar... e agrade­cer...

Quam bonus, Israel, Deus! ” (Ps. 72-1).