quinta-feira, 15 de maio de 2014

A Pérola Preciosa - 12.º Mistério

Nota do blogue: Acompanhar esse especial AQUI.

A PÉROLA PRECIOSA

Breves pensamentos sobre o Rosário meditado, para sacerdotes.
pelo
Padre Wendelin Meyer, O.F.M.
Tradução portuguesa por
Alberto Maria Kolb


2.º MISTÉRIO

O pensamento do céu entrelaça-se intima­mente com a vida mortal do Redentor, pois como Deus jamais Jesus abandonou a habita­ção do Seu eterno Pai.

Como seria possível a Jesus esquecer aquele paraíso, sendo hipostaticamente unido à divindade com Sua humana natureza?! Não viu Ele por acaso o céu sempre aberto? os an­jos a descerem e subirem (1 Epist. S. João, 51). À Sua vida pois era um contínuo pensamento e uma prolongada saudade do céu. Ate a cruel e cruenta «passio» era perpassada por fios de ouro de ininterrupta contemplação, até que a própria ascensão levantou Seu corpo e Sua alma aquelas sacrossantas alturas, onde sempre já tinha permanecido o Seu espírito. Direção para o céu tomará também a vida sacerdotal, se ela represen­tar uma verdadeira e total imitação de Cristo Nosso Senhor. Qual a forma que tomará esta direção da alma e da nossa vida, isso nos indica o 2°. mistério, pois a ascensão de Nosso Se­nhor efetuou-se: a) Quarenta dias depois da Sua ressurreição; — b) do Gólgota; — c) diante dos Apóstolos.

Quarenta dias depois da Sua ressurreição.


Pouco espaço de tempo! Jesus já não era, como d’antes, deste mundo; logo também não mais para este mundo. Após a noite sepulcral passou seu ainda terreno corpo por uma grande transformação. Estático, espiritualizado, mais lu­minoso que o sol, voltou Ele para a luz. A pobre figura de servo desapareceu. Assim o Redentor sobre-excedeu a humanidade. Cresceu por cima da humanidade e entrou para aquele mundo que chamamos a pátria dos bem aventurados. Por isso Jesus não pertencia mais ao mundo. Somente 40 dias permaneceu no mundo, ora aparecendo aos discípulos, ora às santas mulheres, dando ordens, organizando, constituindo Sua igreja. Então dei­xou o mundo e voltou para o pai.

Tão depressa talvez não, mais rapidamente porém do que muitos julgam, tomamos o caminho para as alturas, quando o espírito e a gra­ça dominam e iluminam o homem, quando se inicia em nós a ressurreição espiritual.

Sim, logo que começa a vida interior, pura, sem macula, começam também os pensamentos a voar para o céu. Oh, quão depressa podería­mos nós levar uma vida celeste! Quase sem se perceber, a alma em pouco e bem curto espaço de tempo separa-se desta terra vivendo então só em paragens mais elevadas. Aí então a alma acha-se como em sua pátria.

Do Gólgota!

O «In monte Oliveti» ressoa em tom triste e lúgubre nos ofícios de trevas na Semana San­ta. Ouvimos com estas três palavras o grito de angústia de Nosso Senhor retumbar pela noite silenciosa, vemos o Homem-Deus na sombra das vetustas oliveiras do Getsêmani ajoelhado, e brilhar em todo Seu corpo o precioso sangue que brota entre as mais acerbas dores e agruras da vida. É o começo da Paixão. Neste mesmo sitio a paixão deu lugar à ascensão.

São Lucas conta dos Apóstolos:

«Reversi sunt a monte qui vocatur Olive­ti». (Act. Apost. 1-12).

A ascensão, pois, deu-se no Gólgota. Esse venerável monte, de uns 800 metros de altura, viu o Redentor descer às profundezas do mais completo abandono, mas viu-O também desaparecer nas nuvens. Como vencedor dos sofrimentos e da morte, olha Jesus das alturas para o Jardim das Oliveiras. Quem poderá compreender as alegrias inefáveis de nosso Salvador?!

Quem jamais poderá medir a felicidade que sente um sacerdote, quando, após trabalhosa edu­cação de si mesmo, se elevou além do terreno para o eterno que encanta e espiritualiza? Provou os sacrifícios do munus sacerdotal, teve o seu bem duro «Getsêmani», estava sempre pronto a sacrificar toda sua vida para o serviço de Deus Nosso Senhor, verter até, por seu amor, se fosse preciso, o sangue todo. A «via dolorosa» de sua regra de vida era para ele o mais agradável pas­seio. Este sacerdote estava crucificado para o mundo e o mundo nele; por isso elevou-se do «monte Olivete», do lugar de sua operosidade tão fecunda em sofrimentos, com alma e coração para o céu. Lá, onde estava a sua igreja e seu presbitério, lá, onde tantas vezes se entregou completa e inteiramente à vontade de Deus, foi também o monte de onde partia para o céu. O mesmo lugar viu também a sua vida íntima, sua vida d’alma, sua vida de graça, tão bela, tão rica, tão separada do mundo, tão interior!

Diante dos Apóstolos:

Os Apóstolos tinham já costume de ver mi­lagres. Observaram grandes sinais e extraordinários milagres na vida de seu Divino Mestre: os que Ele fez no mar, junto dos sepulcros, no meio dos doentes, durante a Sua paixão.

Apesar de tudo isso, ficaram como absortos e petrificados quando o Senhor Se elevou e Se afastou de seus olhos. Esta cena tão única em seu gênero, produzindo nos Apóstolos estupefação e dor e saudade ao mesmo tempo, os sub­jugava. Seus olhares estavam fixos no amigo querido e amado. Já desaparecera de suas vis­tas, mas contudo ainda olhavam fixamente para o alto. «Homens de Galiléia, porque estais aqui olhando para o céu?» (Act. Apost. 1-11). Era o mestre querido desaparecido por entre as nu­vens, podiam acaso esquecê-lo?

Como é natural, os homens elevam o olhar desta terra imunda para as alturas tão lim­pas e puras, contemplando sacerdotes que repre­sentam uma ascensão da alma.

Sacerdotes, cujo viver está no céu, operam para os seus paroquianos como operou o Redentor na Sua gloriosa ascensão para os discípulos. Estes sacerdotes são um vivo «Sursum cor­da» para os fiéis.
Afastam o espírito de seus paroquianos dos prazeres deste mundo efêmero, da sensualidade e de todo pecado, de todo vão amor, terreno e temporal. Homens desta qualidade são uma verdadeira benção para as paróquias. Quan­do morrem e trilham então o caminho para a eternidade, para onde seu espírito e seu olhar durante a vida sempre convergiram, então mui­tos e muitos lhe seguem com os olhos tendo nos corações saudade da celeste pátria, saudade do céu.
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