terça-feira, 25 de março de 2014

A Pérola Preciosa - 3.º Mistério

A PÉROLA PRECIOSA

Breves pensamentos sobre o Rosário meditado, para sacerdotes.
pelo
Padre Wendelin Meyer, O.F.M.
Tradução portuguesa por
Alberto Maria Kolb


3.º MISTÉRIO
FELIZ NOITE... FELIZ MANHÃ...

A santidade da noite de Belém rodeia os nossos altares, pois que, o augusto sacrifício da Missa é o Natal perene do Sacerdote.

Ele enriquece o mundo, como Maria Santís­sima fez, com o Redentor, envolve-o nas faixas das espécies do pão e deposita este grande Deus sobre o pequenino corporal. A imaculada e sempre Virgem-Mãe no presépio e o puro e piedoso ministro do Senhor no Altar tem diante de si a mais graciosa criança. Por isso abrem-se depois da sagração os horizontes e as pro­fundezas da bem aventurada noite de Natal. Ma­ria Santíssima deu à luz: milagrosamente; — com fé viva;— de noite; — em alegria santa.

Milagrosamente: Fiat mihi secundum verbum tuum. (S. Luc. 1, 38). Assim Maria Santíssima falou; concebeu e deu à luz o Verbo. Fato idêntico jamais a história universal registrou, este foi um ver­dadeiro milagre.

Um broto saiu da raiz, mas tão sobre­modo puro, tão pouco terreno que a mãe permaneceu Virgem.

O profundo mistério da consagração não é inferior em seu milagre, não é menos admirável. O que há de mais simples e de mais grandioso? Poucas pa1avras pronuncia o sacerdote, só um diminuto sussurro percebe o povo que está mais perto do Altar, e — o Verbo se fez carne!

Quem poderia com palavras humanas descre­ver o que encerra em si de milagroso este úni­co momento da consagração?!

Estupefata está a igreja diante do Santo Altar, descansa seus olhos na pequenina hóstia e ora e reza e diz: Deus, qui... sub sacramen­to mirabili...!

De tempo a tempo medito por ventura eu so­bre a consagração; aprofundo eu neste mistério divino; leio eu alguma coisa sobre estas matérias?

Com fé viva:

A noite de Natal via um clarão esplendo­roso. Baixou do alto e espalhou-se no presépio e refletiu na lã nitente das ovelhinhas do campo. Mais clara e nitidamente cintilou a luz da fé na alma de Maria Santíssima. Silenciosa, ab­sorta na contemplação da criança, a Mãe de Deus está de joelhos ao pé do presépio. Os olhos de sua alma vêem a luz do mundo, «Lux mundi». Nada a poderá desviar desta certeza: nem os pobres mantilhas, nem a pobreza do presépio, nem a em hospitaleira gruta. Humildemente, em adoração, prostrada em terra permanece a mãe junto da criança, e sua alma engolfa-se na Divindade escondida debaixo da Humanidade.

Oh noite celestial, diga-me como devo eu celebrar a Santa Missa! Não com os olhos deste mundo, responde ela, estes se devem fechar, ou­tros se devem abrir, os olhos da fé!

«Visus, tactus, gustus ni te fallitur»
«Sed auditu solo tuto creditur
«Credo quidguid dixit Dei Filius»
«Nil hoc verbo veritatis verius

(Do hino de St. Tomás de Aquino).

Devo transformar-me num CREDO, mas num credo vivo. Ainda que pobre a igreja, rústico seu altar, simples seus ornatos: eu creio, creio profundamente.

De noite:

Ao redor do presépio estendia-se a noite es­cura. Os homens dormiam, a escuridão espalhou suas espessas sombras por montes e vales; toda natureza jazia envolta em trevas.

Toda redondeza, toda Palestina parecia sub­mergida... desaparecida... varrida do orbe. Tudo isto, nem o mundo inteiro, tinha atrativo algum para Maria, pois mais que o mundo e o universo todo jazia diante dela Aquele que tem em Suas mãos tudo, todo o universo, ab­solutamente tudo. E a criancinha retinha presos todos os sentidos de Maria.

Se o mundo interior, o espírito de Deus, deve reinar, o exterior, o mundano, tem forçosamente que desaparecer. Isso sobretudo no Altar. Em seu redor é noite; só ele é dia, e então vive nos belos pensamentos místicos, que estão escondi­dos nas cerimônias, que brotam das palavras da Sagrada Escritura, que circunvoluam misteriosamente o cálice e a hóstia.

Em alegria santa:

Tocando as cordas de uma harpa, ela co­meça a cantar. A alma de Maria Santíssima era uma bem afinada e harmoniosa harpa.

Santa Izabel conheceu as suas mais pro­fundas e mais recônditas cordas quando disse: Et unde hoc mihi ut veniat mater Domini mei ad me? — E donde a mim esta dita, que venha visitar-me a Mãe do meu Senhor? (S. Luc. I, 43).

E então a alma de Maria cantou aquele belo «Magnificat», o cântico dos cânticos, o hino por excelência, o hino da santa alegria! Se­gunda vez mão misteriosa moveu as cordas da harpa, esta vez foi na noite de Natal. Foram os Anjos que tocaram a harpa. «Gloria in excelsis Deo», cantaram eles e novamente comoveu-se o interior da Mãe de Jesus e soou um som di­vinal. Os pastores estavam ajoelhados ao lado de Maria, tomando carinhosamente parte; e a atitude filial, simples e piedosa desses homens a alegrou.

Quem poderá agora descrever a Sua alegria e o Seu contentamento vendo e olhando o Seu querido filho?


Deus, os Anjos e os homens tom atam-se objeto dum profundo, verdadeiro e santo júbilo para Maria. Também tons maravilhosos perpassam pela alma do sacerdote na digna celebração dos santos mistérios. Jesus no corporal, os Anjos em profunda adoração em redor, o povo rezando aos pés dos Altares, tudo isto inspira ao sa­cerdote sentimentos de piedade, fervor e devoção. Momentos deliciosos goza ele junto do Altar, quando se preparou condignamente, Ele sente, caso viva do espírito da Igreja, um hálito do paraíso celeste, um ar do céu. São alegrias ín­timas, que mais se sentem, mas não se deixam descrever. O augusto Sacrifício da missa, és tu que levantas a cortina que separa o céu da terra! Os poucos momentos da tua duração são um pedacinho da grande eternidade feliz...!
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