quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

XVIII- Acerca da comunhão sacrílega

Nota do blogue: Agradeço a generosidade de uma preciosa alma por essa transcrição. Deus lhe pague, minha irmã. Com esse texto encerramos esse livro faltando apenas as orações finais que estão a ser feitas por outra irmãzinha. 

Indigna escrava do Crucificado e da SS. Virgem,
Letícia de Paula

P.S: Especial, em andamento formiguinha, AQUI.


Maria falando ao coração das donzelas
pelo Abade A. Bayle, 1917


I. Considera, ó Minha filha, que o crime daquele que oculta os seus pecados em confissão, por maior que seja, é sempre maior que o crime que se comete aproximando-se da sagrada mesa em estado de pecado. Ó ingratas criaturas! Na confissão profanam o sacramento das divinas misericórdias; na comunhão profanam o sacramento do amor infinito de Deus para com os homens; insultam o autor dos sacramentos e da graça na Sua própria pessoa, ó Minha filha, o pecado destes indignos excede demasiadamente a atrocidade do crime cometido por aqueles que sacrificaram o Meu divino Filho; porque esses O sacrificaram sobre o Calvário; os sacrilégios sacrificam-nO no coração, onde Lhe erigem um patíbulo bem mais doloroso e cruel. Os judeus crucificaram-nO durante a Sua vida mortal sobre a terra, onde viera morrer para a redenção do mundo; os sacrílegos sacrificam-nO no tempo em que vive glorioso no céu. Os judeus maltrataram-nO, por que O não conheciam, e os sacrílegos tratam-nO indignamente no ato mesmo em que O veneram e recebem como seu bem supremo e seu Deus. Finalmente, os judeus não O crucificaram mais que uma vez e os sacrílegos tantas quantas O recebem indignamente. Tratam-nO como Judas e mais horrivelmente ainda. O discípulo pérfido, com um falso beijo, traiu-O e entregou-O aos judeus a fim de que a sua cólera se saciasse sobre ele; mas os sacrílegos entregam-nO nas mãos do demônio que habita a sua alma, a fim de que Se torne brinquedo dele; ó perfídia! Ó afronta espantosa! A este crime horrível, os anjos que seguem Jesus por toda a parte derramam amargas lágrimas, e todas as criaturas estremecem de indignação.

II. Considera também, ó Minha filha, com que repugnância Jesus Cristo, Meu divino Filho, entra, sob o véu da Eucaristia, num coração corrupto e manchado pelo pecado. Não receberia injúria maior se fosse lançado aos cães ou arremessado sobre um monturo. Aí apenas acharia imundícies materiais e não receberia nem mais injúria nem mais ataque que os raios do sol que passam sobre tais objetos. Lançado aos cães, achar-Se-ia numa criatura que nunca O ofendeu; mas numa alma sacrílega, tanto que durem as espécies sacramentais, é constrangido a ficar unido ao Seu maior inimigo, - o pecado mortal. Eis-ai um crime do qual só a idéia faz horrorizar. Quantas vezes tenho tido de desviar dos Meus olhos esse horrível espetáculo! O Meu divino Filho, oculto no sacramento, conduzido pelas mãos dos padres, dado às almas culpadas onde o demônio habitava! Oh! Sim, à vista disto derramaria abundantes lágrimas se pudesse no céu sentir a dor; os meus amargos prantos molhariam toda a terra, tão aflito estaria o Meu coração. Ó Minha filha, não tens tu chegado nunca a este excesso de receber Meu Filho indignamente na sagrada comunhão? Se assim é, se tens participado do sacrilégio de Judas, deves temer e assustar-te partilhar a sua sorte. A penitência, ó Minha querida filha, é uma penitência pronta, pode só salvar-te duma grande desgraça.

III. Considera finalmente os males indizíveis que provém das comunhões sacrílegas, e a que terrível condenação se expõe todo aquele que ousa participar indignamente do corpo e sangue do Meu divino Filho. Donde provém que entre vós, escrevia S. Paulo aos Coríntios, há tantos fracos, tantos enfermos, tantos fulminados por uma morte repentina? Provém de que não fazem diferença nenhuma entre a mesa divina onde é dado o corpo do Senhor e as mesas profanas. Mas isto nada é comparado com outros males maiores enumerados pelo mesmo apóstolo. Aquele que ultraja tão indignamente o seu Deus, que despreza o objeto de tanto amor, que profana o valor infinito da redenção, come e bebe o seu julgamento. Troca em veneno mortal o que devia dar-lhe a vida, e em selo de eterna condenação o sangue que devia assinalá-lo para a glória eterna. No cálice da salvação, bebe a cólera mais terrível da justiça divina. Tu tremes de horror, ó Minha filha, com o pensamento do sacrilégio, e dizes em teu coração: Como pode o Senhor sofrer um tão grande insulto e não tirar dele logo uma vingança severa? Oh! Quantos são castigados por uma morte horrível ou por outros castigos não menos espantosos! Uma das Minhas servas fiéis admirava-se junto de Deus por que tantas comunhões sacrílegas não eram imediatamente punidas. – Não te surpreendas, respondeu o Meu divino Filho; o pecado dessas almas más é tão grande, tão enorme, que não tem nesse mundo castigo proporcionado, e que Me reserve para puni-lo no outro. Desgraçados desses infelizes! Oh! Mais valia não terem nascido se eles não reparam os seus erros enquanto é tempo. Acautela-se, Minha querida filha, de chegar até esse excesso. Se por tua desgraça tens cometido um crime igual, acalma sem demora a justiça divina com as lágrimas da penitência, porque é tempo ainda.

Afetos. Meus Deus! Quem me amparará! Quem me fortificará para que o meu coração se não parta de dor? E vós meus olhos, transformai-vos, sim, transformai-vos em duas fontes de lágrimas acerbas, à vista dos excessos de iniqüidade cometidos pelos sacrilégios contra o meu Salvador. Ingratidão humana, como és monstruosa! Mais ai! Não tenho eu cometido esse crime enorme? Não tenho nunca recebido o meu Salvador indignamente? Não tenho nunca abandonado Jesus Cristo por um horrível sacrilégio às mãos do demônio, que pelo pecado habitava na minha alma, para que ele fosse o seu brinquedo? Ó Mãe Santíssima, Vós bem sabeis que não obstante me não lembre de ter cometido um tal sacrilégio, tremo entretanto e estremeço em pensar que talvez me tenha tornado culpada dele sem o saber. Desgraçada de mim, se assim é, a minha ignorância, na verdade tornaria a minha culpa menos monstruosa, mas não a desculparia inteiramente. Ó Mãe amabilíssima, já que Vos tendes dignado esclarecer-me, não desprezeis ajudar-me a abrandar o Vosso divino Filho, meu Redentor. Que Ele me conceda a graça de fazer penitência das minhas culpas passadas, que não mais cometa o enorme crime de sacrilégio, se nunca o cometi, por que a Deus não agrada.