terça-feira, 4 de dezembro de 2012

IX - Julgamento Universal

Nota do blogue: Muito obrigada, minhas irmãs, por me ajudarem com essa transcrição. Deus lhes pague.

Indigna escrava do Crucificado e da SS. Virgem,
Letícia de Paula

Maria falando ao coração das donzelas
pelo Abade A. Bayle, 1917

 
I. O mundo, ó Minha filha, envelhece assim como tu, ainda que mais lentamente. As iniquidades que nele se cometem em tão grande número, deverão ser expiadas como no tempo de Noé. Se então um dilúvio universal lavou tantas impurezas, no dia do Senhor virá um dilúvio de fogo que consumirá este mundo abominável. Se depois da morte, Deus manifesta a cada um a Sua justiça punindo os seus crimes, nesse último dia convencerá o mundo de perfídia, justificará a Sua providência em presença de todos os homens, e mostrará a justiça do Seu poder. As guerras encarniçadas, as revoltas dos povos, a santa religião desprezada, o santuário onde Deus reside profanado por abomináveis ídolos, as blasfêmias e os sacrilégios dos ímpios, serão o princípio das dores. O sol eclipsar-se-á, a lua escurecerá, as colunas do firmamento cambalearão, os astros do céu estremecerão, e o horrível ronco do mar fará estremecer de espanto todas as nações. A cólera de Deus, provocada por tantos excessos, dará o sinal do último castigo. O fogo, seu fiel ministro, arremessando-se dos vulcões subterrâneos, consumirá o mundo. Sem fugida possível, os homens, as mulheres, refugiados nas cavernas profundas, serão cercados de fogo e queimados. Casas de campo, jardins, palácio, habitações reais, cidades, campos, províncias, tudo, tudo será reduzido a pó, não restará delas senão uma pouca de cinza, sinal de aniquilação e desolamento. Um silêncio lúgubre cobrirá a face da terra, onde não mais se fará ouvir nem assobio do ar, nem o gorjeio das aves, nem o som dos instrumentos. Não mais espetáculos, danças, e festas; por toda a parte a morte, a ruína e o horror. Vê, ó Minha filha, vê aquilo que idolatras, vê por causa de que te perdes: um mundo que acaba, e para o qual tu não foste feita; por um mundo que não pode te dar mais que uma passageira e aparente felicidade, que te conduzirá em seguida a uma verdadeira e eterna condenação.

II. O clangôr da angélica trombeta romperá esse silêncio, fazendo nele ressoar repentinamente este mando aos quatro ventos do céu: - Mortos, levantai-vos e vinde ao julgamento. – Então, ó Minha filha, que movimentos agitarão tantos milhões de cadáveres, reduzidos a cinza? O pó consolidar-se-á em ossadas que se juntarão umas às outras, se cobrirão de veias, artérias e nervos, e se revestirão de carne. O espírito do Senhor soprará sobre esses cadáveres, todos se levantarão, e cada um receberá a sua alma e será vivificado. Todos os ressuscitados deverão dirigir-se para o grande vale que será nesse dia o esplêndido teatro da justiça divina. Os anjos descerão para separar os bons dos maus, o trigo escolhido do joio, para depôr aquele nos deliciosos celeiros do céu e lançar este nas chamas eternas. E tu também ressuscitarás nesse dia, mas qual será a tua ressurreição? Será gloriosa com dos justos, ou vergonhosa como a dos réprobos? Serás colocada à direita com os eleitos, ou à esquerda com os réprobos? Desgraçada de ti, ó Minha filha, se devesses tornar inúteis todos os cuidados que tenho tido por ti para teu bem, se devesses condenar-te! Não mais poderias voltar-te para mim para implorar o meu socorro; eu desviar-me-ia para não ver em ti um monstro execrando; tu mesma Me verias armada para te precipitar nos abismos. Oh! Minha querida filha macera agora o teu corpo, reprime os seus instintos desregrados, que lhe fazes serviço. Acautela-te, por tua obstinação em favorecer o teu corpo, de obrigar Deus a fazer ir para o inferno o teu corpo e a tua alma, depois de ter feito tanto para te tornares digna do céu.
III. Quando todas as nações estiverem juntas no grande vale, o supremo e inexorável juiz há de apresentar-Se. A cruz, levada em triunfo pelos anjos, há de precedê-lO: Ah! Que horror, Minha filha, que espanto para os malditos! Com que soluços, com que gemidos, com que lamentações eles farão então ressoar todo o vale! Venturoso quem durante a vida tiver levado a cruz com paciência e resignação; sobre ele resplandecerão raios de graça e de misericórdia. Mas desgraçado daquele que a tiver arrastado com impaciência e desprezo. À vista do juiz supremo dos vivos e dos mortos, todos cairão de face contra a terra, uns pelo respeito por tanta majestade, outros acabrunhados de terror. Que farão então esses libertinos, que na sua cegueira, vivem hoje entregues a todos os vícios? A sua audácia poderá desafiar a cólera e a indignação de seu juiz e eximirem se à sua terrível sentença? Ele mostrará no grande dia todos os crimes dos réprobos, tudo o que tem feito para a sua salvação, tudo o que a sua maldade tem tornado inútil, toda a grandeza das Suas misericórdias de que eles têm abusado. Mostrará de uma maneira brilhante a sua justiça e a sua providência. Exaltará as virtudes praticadas pelos justos. Voltará para eles o rosto radiante, e convidando-os à recompensa e à glória, lhes dirá: Vinde, ó bem aventurados, vinde possuir o reino celeste que vos foi preparado desde o princípio do mundo. E os eleitos alegres, se arremessarão para o céu cantando hinos de louvor ao Deus remunerador. Voltando-Se em seguida para os réprobos, com o rosto irritado, lhes dirá: Retirai-vos, malditos, vós não quisestes a Minha bênção, caia, portanto sobre vós a maldição. Tendes desprezado as minhas misericórdias, sereis o eterno objeto das minhas vinganças; ide, malditos, para o fogo eterno. Ao estrondo de um horrível trovão, precipitar-se-ão perdidamente na mansão das lágrimas e dores. Se tu te precipitasses aí com eles, ó Minha filha, qual não seria tua desgraça! Eu mesma, então tinha de te amaldiçoar. Inutilmente estenderias os braços para Mim implorando o Meu socorro. Ah! Exclamarias tu, não gozarei então mais da Vossa proteção! Não, deveria Eu responder-te, não, indigna, nunca mais. – Não vos lançarei mais sobre mim os Vossos olhares compassivos? - Não, nunca mais. Não me será concedido ver o Vosso rosto? – Não, nunca mais. Imagina se pode, qual seria o teu horror, o teu espanto e desespero! Um quadro do julgamento derradeiro, ó Minha filha, bastou em outro tempo para converter um rei idólatra; não te será suficiente para mudar de vida, ter ouvido a descrição da boca de uma Mãe que te ama tão ternamente?
Afetos: De que terror a Minha alma está penetrada pela meditação do julgamento universal que Vós pusestes sob meus olhos, ó Mãe dulcíssima! Horríveis serão os sinais que o procederão, horrorosa seria para as almas criminosas a obrigação de retomar um corpo manchado de pecados, para serem atormentadas nele durante toda eternidade. Terrível será a sua separação dos justos, medonho será o seu comparecimento diante do juiz onipotente e irritado. Quem poderá suportar as suas justas e amargas queixas? Quem poderá não tremer quando ressoar a irrevogável sentença da condenação? O desfalecimento? Ó desespero! Mas quanto eu estou aterrada em pensar que deveria achar em Vós mesma uma inimiga, que deveria ser separada de Vós eternamente. Oh! Malditos sejam os meus desvarios! Malditas as pompas e vaidades! Malditos os amores e os prazeres culpáveis! Malditos seja tudo que puser obstáculo à minha eterna salvação! Ó Maria, ó Minha boa Mãe; eu não quero ser separada de Vós. Que eu seja humilhada, desprezada, escarnecida sobre a terra, que chegue a ser o objeto da perversidade do mundo e do interno, contanto que seja unida a Vós. Em vossos braços quero viver e morrer para neles me encontrar no dia terrível do julgamento, e não mais separar de Vós nem do meu Deus durante toda a eternidade.
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