sexta-feira, 17 de agosto de 2012

O marido, os seus deveres - 1ª Parte

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Sacramentum hoc magnum est, ego dico in Christo et in Ecclesiâ.
Este sacramento é grande, digo-o em Cristo e na sua Igreja.
Epístola aos Efésios, V. 3ª.

Meus senhores,

            Se quiséssemos ir até á fonte das decadências e das prosperidades que se vêem suceder na história dos povos, é até à família que deveríamos ir.
            A família é a base e o fundamento da sociedade. É o terreno sagrado aonde vêem desabrochar todas as esperanças humanas.
            É o berço aonde tudo se prepara, pode dizer-se, se decide: os destinos sociais, a sorte da Igreja e das almas, a glória de Deus e a grandeza da pátria.
            A família não é somente a primeira das sociedades humanas. Criação do eterno amor, é de instituição divina; e foi nEle mesmo que Deus colheu o exemplar dela. Antes de todos os séculos, em um só Deus, há uma família divina: o Padre, o Filho, o Espírito Santo; os três dão-se um testemunho inefável de vida, inteligência e amor.
            Conhecem-Se, falam-Se e amam-Se eternamente. A unidade absoluta, a sociedade perfeita, a fecundidade sempre presente, eis a família divina. É o tipo da família cristã.
            Lêde o Gênesis. Por duas vezes, Deus se concentra e toma conselho consigo mesmo.
            Cria o homem à Sua imagem e semelhança; e, imediatamente, dá-lhe uma companheira semelhante.
            Está fundada a família. Logo aparecerá a trindade humana, Trindade divina.
            Uma, indissolúvel, fecunda, como esta, tal foi a família, desde a sua origem.
            Jesus Cristo veio para estabelecer as suas leis desprezadas e violadas na antiguidade, e proclamar, de novo, os seus princípios constitutivos e sagrados. Fez mais. O contrato pelo qual se formava a sociedade conjugal, constituiu-o sacramento; e quis, para demonstrar mais a sua santidade, que os esposos fossem os próprios ministros. O matrimônio não é somente um sacramento que os esposos recebem, mas um sacramento que se dão um ao outro. O padre é apenas a testemunha; são eles que são realmente os padres: Sacramentum hoc magnum est.
            A graça que recebem nele é muito mais do que uma graça momentânea. É um credito que adquirem de Deus e em virtude do qual inúmeras graças lhes são ulteriormente distribuídas, dia a dia, instante a instante, para cumprirem todos os deveres e satisfazerem a todas as obrigações da vida conjugal. É uma fonte abundante e inesgotável de graças, aberta em suas almas, de onde sairão, quando for necessário, torrentes de luz, de força e de vida. Sacramentum hoc magnum est.
            E, para mostrar ao mesmo tempo a abundância da graça, a dignidade santa dos esposos, e também a grandeza dos deveres e a força das obrigações que contraem, é às relações, à união, às trocas inefáveis de amor e dedicação de Cristo e de Sua Igreja, que o Apóstolo os compara: ego dico in Christo et in Ecclesiâ.
            O que foi, o que há de ser sempre Cristo para a Sua Igreja, o marido deve sempre sê-lo para sua mulher; o que a Igreja é para o seu Cristo, a mulher deve sê-lo para seu marido: Sacramentum hoc magnum est, ego dico in Christo et in Ecclesiâ.
            É nesta altura que Jesus Cristo colocou o matrimônio cristão, a sociedade conjugal. Para descobrir quais são os deveres do marido, basta observar que o matrimônio é um contrato. Ora, todo o contrato é uma troca e comparta três elementos: um fim, um objeto, um motivo.
            O fim, é o que se recebe; o objeto, que se dá; o motivo, é o porque, a razão que determina.
            Ponho, por exemplo, a minha casa à venda, aqui tenho o objeto do contrato; o dinheiro que recebo, é o fim; o prazer ou a vantagem que me dá o dinheiro, é o motivo. Todos os deveres do marido podem, portanto, resumir-se nestes três artigos: receber, dar, determinar-se por um motivo. Examiná-los-emos sob este triplo ponto de vista.

Continuará...