sábado, 7 de janeiro de 2012

O Espírito Santo e a Simplicidade


De tudo o que foi dito, resulta ser a simplicidade essencialmente um dom do Espírito Santo; ou melhor, o dom por excelência, pois é o Espírito de Deus em substituição ao espírito do homem. Trata-se de morrer para si e de viver para Deus. A simplicidade é o Espírito de Deus no Cristo, e, pelo Cristo, em nós, para que "nós vivamos... não mais nós, mas o Cristo em nós...” (Epist. aos Gálatas, II, 20)

O Evangelho afirma-o de modo claro, quando mostra a pomba simultaneamente como símbolo do Espírito Santo e da simplicidade; e é sob essa forma que, no Jordão, o Espírito Santo desce sobre Jesus.

A devoção ao Espírito Santo, tão negligenciada pelos fiéis e incompreendida por um grande número, é, pois, o meio por excelência de alcançar a simplicidade.

O Espírito Santo está em cada um de nós. Pelo batismo, desceu em nós, como em Jesus no Jordão; e na confirmação o recebemos em plenitude. O Espírito Santo não veio transitoriamente: veio residir e permanecer em nós, como o atesta o caráter especial que nos imprimiu cada um destes dois sacramentos.

Mais ainda, permanecendo em nós, o Espírito Santo quer agir em nós; toda a graça, todo o sopro, todas as inspirações do Espírito Santo tendem a formar-nos a Sua imagem, a tornar-nos simples como Ele. Demonstra-o a Escritura, quando diz: "Todos os que são movidos pelo espírito de Deus, esses são filhos de Deus." (Epístola aos Romanos, VIII, 14.)

O Filho é a imagem e a semelhança do Pai. Agindo pelo espírito de Deus, tornar-nos-emos semelhantes a Deus assim como o Filho ao Pai; seremos um, com Eles e como Eles.

Mas, sem a nossa cooperação, o Espírito Santo não pode agir em nós. Precisamos adaptar-nos a Ele, seguir Suas inspirações e, Seus movimentos. Quando pecamos, vamos contra Ele, entristecemo-lO; podemos mesmo fazê-lO extinguir-Se em nós. Podemos também paralisá-lO, impedi-lO de agir, neutralizar Sua força.

Para alcançar a simplicidade e fazê-la crescer cada dia, é preciso deixar-nos conduzir pelo Espírito Santo, cooperar em Sua obra, trabalhar com Ele, e, com a mesma finalidade, enfim, entregar-nos a Ele sem reservas e sem arrependimentos.  

Então, o Espírito Santo, cada dia, crescerá em nossa alma, enquanto diminuiremos na mesma proporção. Cada vez mais nos revestiremos dEle e nos despiremos do espírito do mundo, que é Seu inimigo mortal.

Todo o progresso da simplicidade depende, em última análise, do trabalho vitorioso do Espírito Santo em nossos corações. Esta é Sua obra predileta, poder-se-ia até dizer, Sua única obra, tanto é básica e essencial e tanto as outras com ela se relacionam e dela dependem. A simplicidade é, verdadeiramente, a vida do Espírito Santo em nós. Quando uma alma não age senão pelo Espírito de Deus, é perfeitamente simples: Filha de Deus, é toda semelhante ao Pai e, de modo absoluto, una e simples como Ele.

Que o Espírito Santo se torne, pois, Senhor em nós: o Senhor de nossos pensamentos, sentimentos, julgamentos, afeições, vontade, atos, de toda a nossa vida; o Senhor amado com supremacia, ouvido com obediência, sempre seguido com fidelidade!

Ó Deus, ó nosso Pai, enviai-nos o Vosso Espírito! Ó Jesus, em nome da promessa que nos fizestes, fazei-O descer em nossas almas!

Que em nós trabalhe! Que em nós tudo renove! Que nos crie um coração novo, uma alma nova, um ente novo, que não seja nascido da carne nem do sangue, mas da vontade de Deus; um ente em que nada mais exista de mau, mas em que tudo seja reto e bom, em que tudo seja simples, porque tudo será de Deus e para Deus!

Ó Espírito Santo, glorificai o Pai e o Filho, glorificai-Vos, refazendo as criaturas à Vossa imagem e dando-lhes a plenitude da simplicidade!

"Quando vos houver deixado, vos enviarei o Espírito Santo...” (São João, XlV, 7).

(A Simplicidade segundo o Evangelho pelo Monsenhor de Gibergues, 1945)

PS.: Grifos meus.
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