domingo, 18 de setembro de 2011

Terceira Dor: Perda de Jesus no Templo

Nota do blogue: Segue as reflexões sobre as Santas Dores da Ssma. Virgem. Acompanhem este especial AQUI.

Saudações,
A grande guerra
TERCEIRA DOR: 
PERDA DE JESUS NO TEMPLO 


 1. Maria perde a venturosa presença de Jesus 

Que nossa perfeição consiste na paciência, é aviso que nos dá o apóstolo S. Tiago. "A paciência efetua uma obra perfeita, para que perfeitos e íntegros sejais, em nada deficientes" (1, 4). Deu-nos o Senhor como um exemplo de perfeição a Virgem Maria. Por conseguinte, A acumulou de padecimentos, para que assim nós pudéssemos nEla admirar e imitar a heróica paciência. Uma das maiores dores de Sua vida foi esta que hoje vamos meditar: a perda de Seu Filho no templo. Quem é cego de nascença, pouco sente a privação da luz do dia. Mas quem já teve vista e gozou da luz, muito sofre vendo-se dela privado pela cegueira. O mesmo se dá com as almas que estão espiritualmente cegas por causa do pó das coisas deste mundo. 
Pouco conhecem a Deus e pouco sentem a pena de não O encontrar. Mas aquele que, iluminado pela luz celeste, foi achado digno de gozar simultaneamente do amor e da presença do Sumo Bem, oh! esse sofre amargamente, quando se vê privado de tudo isso. Por aí meçamos quanto foi dolorosa para Maria essa terceira espada de dor. Estava acostumada à contínua alegria da dulcíssima presença de Seu Jesus, e eis que agora o perde em Jerusalém e dEle se vê longe, durante três dias. Conforme S. Lucas, costumava a bem-aventurada Virgem ir com José, Seu esposo, e com Jesus visitar todos os anos o templo, por ocasião da festa da Páscoa. Foi então que Jesus, já na idade de doze anos, ficou-Se em Jerusalém sem que Maria O percebesse. Julgava-O na companhia de outras pessoas, mas, não O encontrando à tarde do primeiro dia de jornada, depois de haver perguntado por Ele, voltou imediatamente à cidade para procurá-lO. Finalmente, depois de três dias de ansiedade, O encontrou no templo.
Meditemos qual deve ter sido a aflição dessa atribulada Mãe durante esses três dias. Em toda parte perguntava por Ele, com as palavras dos Cânticos: Vós porventura não vistes aquele a quem ama a minha alma? (3, 3). Mas perguntava em vão. Rubem lastimava-se por causa de seu irmão José: O menino não está mais aqui e para onde irei agora? (Gn 37, 30). Exausta de fadiga, sem encontrar Seu amado Filho, com quanto maior ternura Maria tinha de Se lastimar: Meu Jesus não aparece, e eu não sei mais o que fazer para O encontrar; aonde irei, sem o Meu tesouro?       
Das lágrimas que derramou durante esses três dias, podia então dizer o mesmo que Davi dizia das suas: Minhas lágrimas foram para mim o pão, dia e noite; enquanto se me diz todos os dias: Onde está o teu Deus? (Sl 41, 4).
Mui judiciosamente Pelbarto faz observar que a aflita Mãe não dormiu naquelas noites, passando-as em pranto e rogos para que Deus A fizesse achar o Filho. Freqüentemente dirigia-Se ao Filho, diz Vulgato Bernardo, e gemia com as palavras dos Cânticos: Dize-me onde descansas pelo meio-dia, para que eu não ande como uma desnorteada (1,6). Meu Filho, dize-Me onde estás, a fim de que Eu cesse de errar à Tua procura, em vão

2. Grandeza desta dor 

a) pela ausência de Jesus. - Há quem diga que essa dor não só foi uma das maiores, senão que foi a maior e mais acerba de todas as dores na vida de Nossa Senhora. E não falha razão a esse parecer. Em primeiro lugar, Maria nas outras dores tinha Jesus consigo. Padeceu amargamente pela profecia de Simeão no templo. Padeceu na fugida para o Egito, mas sempre com Jesus. Na presente dor, porém, sofreu longe de Jesus e sem saber onde Ele estaria. Desfeita em lágrimas, suspirava por isso com o Salmista: Até a luz dos meus olhos não a tenho (Sl 37, 11). 
Ai de mim! a luz dos meus olhos, o meu caro Jesus, não está comigo, vive longe de mim, e nem sei onde. Pelo amor que tinha a Seu Filho, diz Vulgato Orígenes, essa Mãe Santíssima sofreu mais na perda de Seu Jesus, que qualquer mártir no padecimento da morte. Que longos foram esses três dias para Maria, a quem eles pareciam três séculos. Dias cheios de amarguras, em que nada a podia consolar! Quem me poderá consolar? suspirava com Jeremias. "Por isso eu choro e os meus olhos derramam rios de lágrimas, porque se alongou de mim o consolador" (Jr 1,16). Queixava-Se sempre com Tobias: Que alegria poderei eu ter, eu que sempre estou em trevas, e que não vejo a luz do céu? (5, 12).            

b) Pela ignorância do motivo da ausência. - Razão e finalidade das outras dores compreendia-as a Virgem Maria, sabendo que eram a redenção do mundo e a vontade de Deus. Nesta, porém, ignorava a causa da ausência de Seu Filho. Sofria a Mãe dolorosa vendo-Se privada de Jesus, diz Landspérgio, porque em Sua humildade Se julgava indigna de estar ao lado dEle e tomar conta de um tão grande tesouro.
Pensava talvez: Quem sabe se não O servi como devia? se cometi alguma negligência que tenha motivado a Sua partida? Orígenes escreve: Maria e José receavam que Jesus os tivesse abandonado. Não há, certamente, pena mais cruciante para uma alma amante de Deus, do que o receio de O haver desgostado. Por isso, somente nesta dor é que ouvimos Maria queixar-Se. Tendo achado Jesus, amorosamente Lhe perguntou: Filho, por que fizeste assim conosco? Olha que teu pai e eu te buscamos aflitos! (Lc 2, 48) Essas palavras não encerram censura, como pretendem blasfemamente os hereges. Revelam apenas a intensa dor que a mãe experimentou na ausência do amado Filho. Dionísio Cartuxo também as considera como amorosa queixa e não como censura. 

3. Nosso consolo na aridez espiritual 

Essas penas de nossa Mãe devem primeiramente servir de conforto às almas que se vêem privadas das consolações e da suave presença do Senhor. Chorem, se quiserem, mas chorem com paz e resignação, como Maria chorou a ausência de Seu Filho.
Cobrem ânimo e não temam por isso ter perdido a graça divina. O próprio Deus disse a S. Teresa: Ninguém se perde sem o saber, e ninguém fica enganado sem querer ser enganado. Por apartar-se dos olhos da alma que o ama, não se aparta ainda o Senhor de seu coração. Esconde-se, muitas vezes, para ser procurado com maior amor e mais desejo. Mas quem quiser achar Jesus, precisa procurá-lO não entre os prazeres e as delícias do mundo, porém entre as cruzes e mortificações, como Maria. "Nós te procuramos com aflição". Aprendamos com a Virgem Maria, diz Orígenes, o modo de procurar a Jesus. 

4. Jesus deve ser tudo para nós 

Outro bem fora de Jesus não devemos procurar neste mundo. Jó não era infeliz, quando perdeu tudo quanto possuía na terra: fortuna, filhos, saúde e honras, a ponto de passar de um trono para um monturo. Como sempre, tinha a Deus consigo, e ainda assim era feliz. Perdera os dons de Deus, mas não o perdera, a Deus, escreve S. Agostinho. Verdadeiramente infelizes são aqueles que perderam a Deus. Se Maria se lamentou da perda do Filho, por três dias, quanto mais deveriam os pecadores chorar a perda da graça divina. Pois não lhes diz o Senhor: Não sois o meu povo e eu não quero ser o vosso Deus? (Os 1,9). 
Não é pecado um rompimento entre Deus e a alma? Vossas iniqüidades vos separam de vosso Deus (Is 59, 2). 
Ainda que os pecadores possuíssem todos os bens da terra, tendo perdido a Deus, tudo o mais outra coisa não é que "fumaça e aflição", como confessou Salomão (Pr 1,14). Como é grande a infelicidade desses pobres obcecados! Deles afirma Vulgato Agostinho: Perdem um boi e não deixam de ir procurá-lo; perdem um jumento e não têm repouso. Entretanto descansam, comem e bebem tendo perdido a Deus, o Sumo Bem! 

EXEMPLO 

A Venerável Benvenuta rogou a Nossa Senhora a graça de poder sentir a dor que Ela sentiu, quando perdeu Seu Filho no templo. Apareceu-lhe então a Mãe de Deus, tendo nos braços o Menino Jesus. A vista daquela encantadora criança, caiu Benvenuta em êxtase, mas de repente se viu privada da presença do Menino-Deus. Tamanha dor sentiu então, que invocou a Maria para não morrer de pesar. Depois de três dias apareceu-lhe a Santíssima Virgem e lhe disse: Ouve, minha filha; tua dor não foi uma pequena parcela da Minha, ao perder no templo o meu Filho.

ORAÇÃO 

Ó Virgem bendita, por que assim Vos afligis, buscando o Vosso Filho, como se não soubésseis onde Ele está? Não Vos recordais que está em Vosso coração? Não sabeis que Ele Se compraz entre os lírios? Vós mesma o dissestes: "O meu amado é para mim e eu sou para ele, que se apascenta entre as açucenas" (Ct 2, 16). Vossos pensamentos e afetos, tão humildes, tão puros, tão santos, são outros lírios que convidam o Divino Esposo a habitar em Vós. Ah! Maria, Vós suspirais por Jesus, Vós que não amais senão a Jesus! Eu é que devo suspirar, eu e tantos pecadores que O não amamos, e O temos perdido por nossas ofensas. Minha Mãe amabilíssima, se por minha culpa Vosso Filho ainda não tornou à minha alma, farei que eu O ache de novo. Bem sei que Ele Se faz achar por quem O busca. Mas farei que eu O procure como devo. Vós sois a porta pela qual se chega a Jesus, farei que também eu chegue a Ele por meio de Vós. Amém. 

(Glórias de Maria por Santo Afonso Maria de Ligório)
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...