quinta-feira, 24 de março de 2011

Madalena ou a louquinha que “Flirta”

Madalena ou a louquinha que “Flirta”



O “flirt”... palavra bonita, sentimental e poética... Pronuncia-se com um sorriso porque o que ele significa é justamente um sorriso do coração...

Bonita palavra... e coisa ainda mais bonita...

É o meio de se distrair sem pecar... O modo feliz de se passar alegremente os anos que vão desde a época em que se não é mais uma menina até a época em que se transformará numa mulher... O “flirt”! meio prático de experimentar as doçuras do amor sem, no entanto, sofrer os encargos, os desgostos, as angústias, as decepções nem a monotonia que quase sempre acarreta...

Aliás, é coisa elegante... nada banal... cheia de surpresa... “Quem não tem seu flirt”? Isto não tem nada de mal... não se corre nenhum risco... Poderá haver coisa melhor? Substitui-se a boneca por alguém “verdadeiro”.

E, como todo o mundo se serve dele à larga, soa falso qualquer palavra dita em seu desfavor. Ninguém morre por sua causa. Muitos, ao contrário, vivem à sua sombra... aqueles que por ele adoecem, bem depressa se curam... É o idílio sem drama e, se for drama, termina sem crime...

Pois eu, Madalena, flirto...
Tu, Yvonne, flirtas...
Ela, Gaby, flirta...
Nós, pois, as três, flirtamos...
Todas vós flirtais...
Elas todas flirtam...

E a juventude desliza conjugando o verbo no passado, no presente, no futuro, no condicional, em todos os tempos...

E vai-se por aí afora animadamente! Boa viagem, louquinhas...

Mas deve haver um regresso. Nem sempre voltam intactas. Nesse giro alegre também existem tristes noites em que se têm, entre os dedos, flores murchas e, nos lábios, um sorriso que nem chegou a esboçar-se... Durante a guerra, até mesmo dos setores tranqüilos, vinha-se um pouco sujo, cansado, com uma premente necessidade do ar tranqüilo e fresco da aldeia... O menos que se pode dizer do “setor flirt” é que, nesse setor, se não se morre, regressa-se sujo, magro e com as roupas rasgadas...

Quem pretenderá dizer o contrário?

Quando se disse: “Não é coisa má”, não se disse tudo porque, algumas vezes, é coisa bem má. E o que não é mau pode ser perigoso, o que não é pecado pode vir a ser uma tentação. Aquele que não é culpado agora, ainda pode vir a sê-lo. A inundação não é mais do que um rio que transborda. Para salvar-se, bastará gritar a pulmões cheios: “Não se assustem. Não é o oceano! Isso não passa de um rio.”

O “Flirt” e suas conseqüências

Que é flirtar?

Na sua essência, flirtar é “brincar com o amor”... Tal qual como se brinca, quando pequenos, de “mocinho e mocinha”... Não é amar, é fazer de conta... Mas na idade em que, comumente, esse jogo se inicia, muito depressa se pode transformar, seja numa imitação imprudente, seja numa realidade cheia de ameaças, seja numa desonestidade hipocritamente disfarçada, seja num desrespeito consciente para com essa grande coisa que é o amor.

Flirtar-se para se distrair... E, com efeito, diverte-se “à grande”... Mas, de que? Com que? Essa é a questão... Divertir-se com uma folha morta é coisa inofensiva, divertir-se com uma víbora é mortal...

Que é que diverte no “flirt”? Quais são os jogadores desse jogo? E que procuram nele?

A todas essas perguntas só temos uma leal resposta.
Pondo toda e qualquer sutileza de lado, no “flirt”:

a- Diverte-se com o coração,
b- diverte-se com a consciência...
c- diverte-se com a alma...

É esse o motivo de ser tão sério. E, para assim o considerarmos, não há necessidade de ter o espírito estreito, o caráter mal feito, a mentalidade atrasada. É suficiente enxergar o que existe e dizer o que se viu.

a-      Flirtar é diverti-se com o coração

Com o próprio coração, com o coração de outra ou de muitas outras pessoas.

Ora, a simples junção das palavras “divertir-se” e “coração” dá bem idéia do que se trata.

Porque o coração não é um brinquedo, nem uma raquete, nem um balão. É um músculo, mas um músculo “que tem seu destino”.

Quando Cristo fala sobre o coração, trata dele como se fosse uma coisa desprezível? Por acaso ri ou simplesmente sorri quando se refere a ele? Sempre sério, dir-se-ia que ainda mais o fica ao ditar as grandes leis do coração ou denunciar as iniqüidades que poderá cometer.

Dizer com Ele: “Amarás a Deus de todo o teu coração” é levar o coração muito a sério. Mais tarde, quando diz: “Do coração saem toda inveja, os homicídios, os adultérios”, é bem severa a palavra que pronuncia referindo-se a ele. Isso não faz rir nem chorar ou tremer. Faz refletir. E o primeiro resultado de tal reflexão é aprender a respeitar o coração, a receá-lo, a vigiá-lo, mas não a divertir-se à sua custa... Não nos divertimos com nosso destino, terrestre e imortal. O coração trá-los consigo, aos dois.

Aí está o centro vital, seja fraco ou forte, puro ou contaminado, putrefato ou virginal. Aí se acendem as chamas que purificam ou destroem. Aí se desenrola o drama humano. Aí nascem os heroísmos e os desesperos. Se aí faz calor e está tudo claro, a vida é feliz. Se aí faz frio e é tudo sombrio, a vida está completamente arruinada.

Não nos devemos divertir com o próprio coração. E, como o coração dos outros é tão sagrado quanto o nosso, também com eles não nos devemos divertir. Em ambos os casos, razões idênticas obrigam ao mesmo respeito religioso, homenagem prestada à augusta dignidade do coração humano.

Cristo zombou do reinado deste mundo. Quando Satanás lhO ofereceu, Ele o recusou com um só gesto. Mas creu e proclamou a realeza do coração. Ele amou o coração, Ele, o Homem-Deus possuidor de um incomparável Coração...

Cada vez que nos divertimos com o coração, profanamos a divina fonte das lágrimas!... É dançar no templo vivo, é transformar “a casa do Pai” numa sala de jogo e, como no festim de Baltazar, é beber o vinho da volúpia nos copos do Santuário.

Divertindo-se deste modo com o coração, provamos duas coisas: a primeira é que não se dá grande importância à verdadeira vida do coração, deixando-a entregue aos seus frívolos compromissos. A segunda é que ainda não se compreendeu a verdadeira vida do coração, visto ser ela conduzida para aquilo que a fará morrer.

Em ambos os casos brincamos demais.

É uma brincadeira muito mais violenta do que aquela a que teríamos direito. Cristãmente não se deve fazer com o próprio coração o que se quer nem com o coração de outra pessoa o que ela nos permite fazer. Existem permissões que não podem ser assim encaradas, visto não passarem de uma autorização para correr um perigo grave sem necessidade, ou cometer um pecado, e tal autorização ninguém a pode dar nem receber... A ilusão está em dizer “meu coração me pertence” e em o dizer sem as devidas atenuantes. Na verdade, esse coração te pertence afim de que possas derramar as ternuras e provar-lhes as doçuras, mas, tudo isso, nos limites do dever e de conformidade com as indiscutíveis exigências de uma lei divina superior a ti...

Ele não te pertence para ser entregue a qualquer transeunte nem para aprisionar qualquer porco que grunhe. Ele te pertence para ser dado sinceramente com um amor puro. Ele não te pertence para ser desperdiçado antes do tempo e se acostumar, com os erros de hoje, a um modo de amar que não é o amor.

E, em conseqüência, se se transformar numa árvore que só tenha folhas, sem jamais frutificar, valerá à pena sacrificar tanto para obter tão pouco? A história da figueira estéril do Evangelho tem aqui miserável reedição. Se fosse só uma figueira estéril, não era trágico, mas um coração vazio, usado, dessecado, é coisa bem triste... Pelo menos, para quem acredita no valor do coração, na sua missão, nas eternas conseqüências de suas faltas, bem como na eterna repercussão de suas boas ações.

Com essa brincadeira o coração se macula

Porque permite contatos que não enobrecem... Quantas vezes se flirta com pessoas com quem não se desejaria casar... Isto quer dizer que a jovem que flirta não é muito difícil... Não há necessidade de olhar de muito perto, pois está visto que jamais se fará a vida em conjunto... Exigem-se unicamente belos olhos, uma voz acariciadora, a graciosidade no porte, enfim: ser “chique”... Qualquer serve, contanto que lhe faça a honra de pô-la em evidência e de se preocupar com ela.

Mas, por superficial que seja a intimidade, existe o contato... Trocam-se palavras, as confidências perduram, os sonhos se cruzam... almas que se falam, olhos que se miram, vidas que respiram uma na outra. Se como geralmente acontece, uma das duas vidas tiver o hálito viciado, não haverá perigo imediato para que a outra vida também fique viciada?

Não é suficiente uma só palavra para fazer muito mal? Não é suficiente uma leve batida à porta para que aquela que está só, durante a noite, em casa, fique amedrontada? Como é, pois, que semanas inteiras de “flirt” hão de ser consideradas inofensivas? E como é que esses longos contatos não hão de deixar vestígios na carne do coração? Por onde passa a lesma, aí deixa o traço de sua baba... Que é que o “flirt” deixa por onde passa?

Pode ser – objetarão. – Mas se um vestígio nos desgosta podemos apagá-lo... Um móvel sujo podemos limpá-lo... uma chaga asquerosa podemos lavá-la... o que um “flirt” possa deixar de ruim é depressa apagado pela aragem da vida livre!... O coração é limpo como se fora uma praia... como um céu sem nuvens... enfim, como qualquer outra coisa, visto que tudo se esquece, e, com o tempo, qualquer ferida cicatriza...”

Na verdade, é menos simples do que se supõe... Não é certo que todos os vestígios se apaguem, que todas as manchas possam ser lavadas, nem que toda ferida cicatrize. Existem lembranças que perduram, desejos que espreitam silenciosos e vivos, como a traça no velho móvel... Algumas almas não mais encontram a antiga e pura beleza por se terem deixado contaminar um dia... e a consciência também pode ficar para sempre marcada com esta varíola...

Com essa brincadeira o coração se gasta

Objetar-se-á que, ao contrário, ele se vai formando, faz deste modo um útil aprendizado, assim como que um noviciado do amor, com todas as benfazejas tolices que, mais tarde, poderão ser evitadas... Sendo ainda livre, multiplica as experiências, as faltas. E, uma vez que de qualquer modo temos que as praticar, não será melhor se use desse processo que, afinal, não acarreta grande risco para ninguém e não traz o perigo de catástrofe definitiva? Ao flirtar, a gente se conhece a si mesmo... Observa, compara, escolhe... É o passeio pelas pensões do coração a fim de encontrar a mais amável, assim como se faz, nas adegas, por entre os barris de vinho, para encontrar o melhor... Como é que se pode ser um perfeito conhecedor de bombons se não se provou cada um deles, em sua basta variedade?...

Sim...
E não...

Porque, tratando-se de “flirt”, a coisa deve ser encarada de maneira diferente. No fundo, trata-se principalmente, e de qualquer modo, de dar uma ocupação ao coração enquanto se espera...

E, se o resultado fosse igual ao de uma pessoa que, de tanto haver beliscado os pedaços de pão antes de jantar, nada mais encontrasse para comer, e, de tanto haver provado todas as qualidades de bombons, acabasse por achá-los todos igualmente saborosos ou igualmente insípidos, de modo que fossem todos comprados indiferentemente ou todos indiferentemente rejeitados com a incapacidade de escolher uma só vez e contentar-se com um apenas, onde estaria então esse famoso noviciado do amor?

Se, com este regime, se aprende a amar a quantidade em vez da qualidade, onde está o benefício?

Será vantagem habituar-se alguém a procurar em toda fisionomia ainda não vista o encanto especial ainda não encontrado, em vez de se acostumar a conhecer o encanto do único rosto amado?

Se, no amor, se cria um humor tão mutável, um verdadeiro coração de nômade, se se transforma naquela que chama “viver” ao que é simplesmente “mudar” e que seria horror, mais que tudo, à definitiva imobilidade numa única ternura; se se transforma na amorosa que sempre vive à procura de outro amor, sempre à espera de outro, sempre espreitando um novo livro para guardar na estante do coração, onde está o progresso?

Com essa brincadeira o coração torna-se falso

Habitua-se a simular um amor que não possui

No “flirt”, comumente, existe grande profusão de provas de afeto, de promessas, de confidências, de íntimas confissões levemente amorosas. Nessas aparências todas, em que dose entra realmente o amor? Já é outro caso porque, no “flirt”, quase sempre há exagero e, muitas vezes, mentira. Por boa vontade que haja em acreditarmos sinceridade no “flirt”, sempre haverá nele algo de inquietante que nos leva a suspeitar da verdadeira sinceridade do que nele se diz e se faz. Assim como se admitem e se verificam vários “flirts” simultaneamente, existem igualmente ternas confissões a vários “amados”. E, como a cada um se diz ser o “primeiro”, porque é este o lugar que cada qual exige, acontece que aumenta consideravelmente o número dos “ex aequo”. E, como, ainda mais, a cada um se diz ser o “único”, porque cada qual faz questão de o ser, acontece que existem muitos “únicos” sem que nenhum deles o seja verdadeiramente. Ficam, pois, todos eles mais ou menos “embromados”. Embromados pelos sorrisos e pelas flores, mas embromados...

Muitos pensarão que tal procedimento é mais divertido que trágico. De acordo, mas deverão reconhecer que também pode tornar-se mais trágico do que divertido. Será tão raro assim um deles soluçar enquanto o outro ri? Um deles soluça porque acreditou “ser sincero”... O outro caçoa porque somente o disse por “brincadeira” e esquece a ferida logo após havê-la causado.

Se essa brincadeira não passasse de divertimento, não seria menor a gravidade, porque o coração, brincado com as augustas realidades do amor, adquire, para o resto da vida, um amargo e inapagável ceticismo.

As pequenas mentiras são prenúncio das grandes mentiras. A facilidade em jurar fidelidade que não duram a prodigalizar ternuras que se perderão rapidamente na tepidez da noite, muito se arrisca a tornar-se, uma vez passada a louca juventude, uma temível facilidade em provocar dramas prodigalizando confissões. O jogo, então, deixa de ser um divertimento e os lares desaparecem, incendiados pelas faíscas ateadas pelas moças, namoradeiras agora como antes.

Habitua-se a só viver pela metade

O “flirt” não é um grande amor, não atinge as profundezas do amor. Voa pela superfície, algumas vezes mergulha, o mais das vezes roça a asa pelo “espelho prateado”. Há no “flirt”, um misto de audácia e timidez. Não faz promessas que se mantenham eternamente. Forja cadeias de papel dourado que têm um duplo encanto: o de prenderem durante o tempo que se deseja e o de se quebrarem por si mesmas logo que há um desejo de separação. Não diz “até a morte” e, se o diz, reserva-se o direito de se contradizer. Não se apresenta nem ao Pároco bem ao Juiz. É gratuito e livre de formalidades legais. Não requer o consentimento dos pais e deixa em plena liberdade a escolha recíproca.

Tudo isso é certamente muito interessante e torna-o bastante simpático. Por isso, seu armazém é dos mais variados: objetos para todos os gostos e todas as bolsas...

Mas isso mesmo, que o torna interessante, fá-lo igualmente desastrado. Quem habituou o estômago a um alimento leve poderá suportar outro mais forte? Quem viveu durante tanto tempo com um meio-amor, poderá viver o amor total? Quem gozou sem sacrifício poderá dedicar-se sem que uma alegria lhe sirva de garantia e salário? Quem acreditou que o amor consistia nesse prazer sem deveres, admitirá que o amor tenha suas obrigações? Quem, enfim, se prendeu com fios de uma lã fraca e, por conseguinte, quebradiços, poderá sujeitar-se sinceramente às algemas cristãs da fidelidade conjugal?

E é isso que se torna ameaçador para o futuro.

Habitua-se a uma impossível e exaustiva dispersão de ternuras

Para quem ama verdadeiramente, um único amor basta. Para quem ama cristãmente, um único amor deve bastar. Se for sincero, o dom do coração é total. O lar honesto está cheio de uma única presença, sem necessidade de outras para assegurar a própria felicidade. O amor deve ser mais profundo do que amplo. Tendo em vista a felicidade, as lutas do coração tendem a defendê-lo contra as indiscretas invasões de ilegítimas ternuras e abortar nele a tentadora necessidade que possa vir a ter delas. Isto quer dizer que, na época destinada à preparação e à espera, todos os esforços devem ser orientados no sentido de nos tornarmos aptos para um único amor e de não mantermos, no céu do coração, satélites secundários girando continuamente em volta do astro principal e arriscando a tornar-se, por sua vez, o principal centro de atração.

Então não se vê que uma juventude em que o “flirt” foi à lei única muito se arrisca a prolongar para além do casamento hábitos que favoreceu e necessidades que alimentou, não os cortando logo de início? Quando o coração toma o gosto de se desfelhar à porta de diversas casas, como poderá resignar-se, de repente, a só florescer na chaminé da esposa? E se, durante anos seguidos, se habituou a ver a mesa guarnecida por diversas qualidades de flores, oferecidas por diferentes mãos, não é de temer que a mesa lhe pareça desguarnecida se forem sempre às mesmas flores e as mesmas mãos a adorná-la? O anel de mero símbolo, sem a sua correspondente realidade, se, de antemão, não se pratica a leal fidelidade que ele exprime.

Há exceções felizes. São possíveis radicais conversões. A única diferença está em que, quando se trata dos outros, temos, algumas vezes, o direito de esperá-las, ao passo que, quando de trata de nós, temos principalmente o dever de realizá-las, sem o que a esperança não passaria de mentirosa ilusão e vã tentativa de atingir a fidelidade, pois nunca chegaria a ser praticada.

Para quem sabe quantos fios tece a vida em volta de certas pessoas e como é preciso que a consciência seja firme para que o coração seja puro, as infinitas conseqüências do “flirt” sobre a juventude não se discutem.

São aceitas com toda sua evidência. A mulher capaz de um único amor foi quase sempre à jovem de uma única ternura. Um ano contém outro. Do “flirt” nasce o “flirt”. Quem cultiva muitas flores de amor para com elas fazer um ramalhete variadamente perfumado que colherá no jardim do matrimônio que, bem fechado pelo muro espesso da moral cristã, deveria ser um jardim onde unicamente dois seres, á tardinha colhessem juntos as únicas flores que juntos tivessem semeado?

(Jovens: Vocês e a vida, pelo Frei. M. A. Bellouard O. P - Coleção moças; Edições Caravela LTDA, ano de 1950, continua com o post: Flirtar é divertir-se com a própria consciência)

PS: Grifos meus.