quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

XXIV- A fé

XXIV- A fé


JESUS CRISTO
FALANDO AO
CORAÇÃO DO SACERDOTE
OU
MEDITAÇÕES ECLESIÁSTICAS
PARA TODOS OS DIAS DO MÊS
 
por
 
Escritas em italiano pelo Missionário e doutor
Bartholomeu do Monte
Traduzidas pelo
Pe. Francisco José Duarte de Macedo
(1910)

I- Vê, filho, como nestes miseráveis tempos abundam os escândalos, é dilacerada a Minha Igreja, são blasfemados os Meus dogmas; a Religião é considerada como um fanatismo, suas práticas como supertição o Evangelho como uma fábula, o Inferno como um espantalho.

Examina-te por um pouco; e vê qual será a tua firmeza na fé. Vacilarás também tu, em lugar de confirmar na fé os tentados? Acaso, por pareceres sábio à moda e como espírito forte, amarás, ou até protegerás aqueles livros ímpios que insultam o Cristianismo, em vez de refutá-los?

Comprazendo-te com uma liberdade licenciosa, aplaudirás Meus inimigos, devendo impugná-los, fugir deles e denunciá-los a quem compete? Proferirás palavras ambíguas que deixem ver a corrupção de teu coração, em vez de corrigir e sarar o de teus irmãos?

Que horrenda injúria Me não farias, se estimasses mais as espirituosas blasfêmias dos impostores e libertinos, que as santas verdades do Meu Evangelho! Que desonra para o teu ministério, que te obriga a zelar a fé, até dar o sangue e a vida por ela! Que ruína nas almas com o teu pérfido exemplo! Que tremendos castigos não chamarias sobre ti! Oh injúria! Oh desonra! Oh ruína!

II - Confessas, filho, com a boca que tens fé; mas qual é a tua fé? Crer que estou realmente na hóstia santa, e depois celebrar com tamanha frieza e, talvez, em pecado! Crer que são frutos do Meu sangue os Sacramentos, e não te aproveitares deles, e administrá-los tão indignamente! Crer, explicar o Evangelho, pregar, e depois viver uma vida inteiramente contrária, mais efeminada e dissoluta que a dos leigos!

Crer que será para ti mais rigoroso o Juízo, e mais terrível o Inferno, e, não obstante, irritar-Me, e buscá-lo com teu ócio e pecados! Crer que as almas foram redimidas pelo preço do Meu sangue, e não cuidar de sua salvação, antes perdê-las com maus exemplos! Crer que a tibieza Me enjôa e te perde, e viver sem fervor e sem desejo algum de perfeição!

Crer que, quem ouve a Igreja, a Mim ouve, e desprezar os seus cânones, e impugnar sua autoridade! Crer que é divina tua dignidade, e alvitá-la em negócios, reuniões e divertimentos os mais profanos! Crer que és Meu lugar-tenente e representante na terra, e viver como mundano, como um descrente, e até fazer ofício de demônio com as almas!

Dizer que crês, e obrar deste modo, não será negar com as obras o que dizes com a boca? Dizes que crês; mas também crêem os demônios e tremem; e tu nem seguer tremerás? (1)

Se tuas obras se não conformam com tuas palavras, tu mesmo Me ensinas a julgar-te horrivelmente, como um impostor. (2)

III- Não vês, filho, que, procedendo assim, não só tu naufragas na fé, mas fazes naufragar teus irmãos? Quantos, vendo-te, Sacerdote ou Religioso, tão relaxado, vacilam na fé? chegando até a não crer em nada do Evangelho, julgando tudo, não inspiração divina, mas invenção dos homens!

Assim não crêem na virtude das Chaves; desprezam os Sacramentos; não curam de vícios nem de virtudes; não pensam que sua alma é imortal; não temem o Inferno; não aspiram ao Céu; fazem consistir seu paraíso no gozo das coisas vis e passageiras deste século.

Tu mesmo sabes que és a causa destes danos.

Ah Sacerdote! Tu sabes quanto Eu trabalhei e padeci para estabelecer a Minha fé; sabes que te fiz Sacerdote para que confirmasses na fé as almas, redimidas com o Meu sangue; sabes que deves opor teu zelo sacerdotal à perversa incredulidade que inunda a terra; mas tu, sucessor daqueles primeiros santíssimos Sacerdotes que, com tantas fadigas, estudos, milagres, e por fim com o próprio sangue, propagaram e defenderam a Minha fé; tu, mestre, guarda e defensor da mesma fé; em vez de fortalecer nela os tentados, dar a mão aos lapsos e perseguir os contumazes, assim correspondes à tua vocação?

Fruto. - Foge dos que sentem mal a respeito da fé; denuncia os hereges e suspeitos de heresia; arroja de ti os livros contra a fé, aborrece-os, persegue-os; deixa os estudos inúteis, e cultiva aqueles que fortalecem nos fundamentos da fé, e te instruem no poder da Igreja; a fim de que, munido de sã doutrina, te possas defender a ti e aos outros dos erros; e até, com a necessária prudência, combatê-los por palavra e por escrito.

Não dês lugar a curiosidade e vaidade nos teus estudos (3) , lembrando-te que Deus esconde as Suas luzes aos sábios soberbos do mundo, e as comunica aos verdadeiros humildes.

Acautela-te do interesse, pelo qual tantos teólogos e canonistas, adulando os poderosos, adulteraram a verdade, traíram a Igreja e assim naufragaram na fé.

Foge da desonestidade, que tem precipitado na apostasia ainda os maiores sábios.

Notas de rodapé:

1- Omnes creditis id Deum unum, et trinum, etc. - Facit tamen haec fides catholicum? Hac fide utique daemones essent catholici, quia, ut ait S. Jacobus, credunt et contremiscunt. Verum utique catholicum facit, non fides communis daemonibus, sed ea quae per charitatem operantur. (Galat. V, 6). Habetis hanc fidem? Utinam! Sed haec est fides, quae vincit mundum, juxta. (1ª Joan., V, 4) Dixerim vos vincere mundum, an vinci a mundo? Video ecclesias vestras male tractatas: video, etc. Fidem habemus: sed sine operibus mortua est, et nos mortui cum ipsa. Fidem habetis, sed opera vos invito: vos maxime qui estis pastores animarum, qui alios debetis instruere. Multi sunt catholici praedicando, qui haeretici sunt operando. Quod haeretiei faciebant per prava dogmata, hoe faciunt plures hodie per mala exempla; seducunt scilicet popalum, et inducunt in errorem, et tanto graviores sunt haereticis, quanto praevalent opera verbis. (Bern., In Synod. n. 6,7)


2- Nihil doctores frigidus, qui verbis dumtaxat philosophatur. Neque enim hoc doctoris est, sed histrionis et hypocritae. Ideoque Apostoli prius vitae exemplis docebant, deinde verbis. (Chrysost., Hom.1)


3- Videte, ne quis vos decipiat per philosophiam, et inanem fallaciam, secundum traditionem hominum, secundum elementa mundi, et non secundum Christum. (Coloss., II, 8)
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