quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

VII - O SORRISO DE MARIA

AS BELEZAS DE MARIA
III PARTE


VII - O SORRISO DE MARIA

Esta lembrança de Maria não pode deixar de nos cativar os corações e elevá-los ao céu. Mas, para tornar ainda mais doce e atraente esta lembrança, imaginemos a Virgem a esboçar este suave sorriso, que afasta toda timidez e nos dá a impressão de estarmos tratando com uma mãe, com a mais amante das mães.

A este respeito recordamos aqui um episódio das aparições de Lourdes. Trata-se do sr. conde de Bruissard, convertido pelo sorriso da Virgem.

Deixemo-lo narrar o fato. (A grinalda de Maria)

"Estava eu em Cauterets, conta-nos ele, no momento em que se falava tanto das aparições. Não acreditava mais nestas aparições do que na existência de Deus. Era um libertino e, mais do que isto, era um ateu.

Tendo lido em um dos nossos jornais que Bernadete tivera uma aparição, no dia 16 de julho, e que a Virgem lhe sorria, resolvi ir a Lourdes, por curiosidade, e tomar a menina em uma flagrante mentira.

Dirigi-me à casa dos Soubirous, e lá encontrei Bernadete no limiar da habitação, consertando um par de meias pretas. A mim Bernadete pareceu bastante vulgar. Entretanto, o seu aspecto sofredor tinha uma certa doçura.

A meu pedido ela me contou as suas aparições com uma simplicidade e segurança que me impressionaram. Enfim, disse-lhe eu, como é que esta bela Senhora sorria?...

A jovem pastora olhou-me com certo espanto e, após um momento de silêncio, assim falou:

- Oh! senhor, para reproduzir esse sorriso, seria preciso ir até ao céu.

- E não poderíeis vós reproduzi-lo para mim? Sou um incrédulo, e não creio em vossas aparições.

O semblante da jovem anuviou-se, e tomou uma expressão severa:

- Então, o sr. julga-me uma mentirosa?

Senti-me desarmado. Não, Bernadete não era mentirosa, e quase que me pus de joelhos a perdir-lhe perdão.

- Já que sois um pecador, respondeu ela, eis qual foi o sorriso da Virgem.

Lentamente, a jovem elevou-se, juntou as mãos e esboçou um sorriso celestial que jamais eu vi em lábios mortais. Sua fisionomia iluminara-se de um reflexo perturbador.

Ela ainda sorria, com os olhos elevados ao céu, e eu estava de joelhos aos seus pés, certo de ter admirado no semblante da vidente o sorriso da Santíssima Virgem.

Desde então conservo comigo no íntimo da alma esta lembrança divina que me enxugou muitas lágrimas. Perdi minha mulher e minhas duas filhas, e me parece não estar só no mundo: Vivo com o sorriso da Virgem".
"Viver com o sorriso da Virgem!" - Talvez nunca tenhas pensado nesta prática, piedoso filho de nossa Mãe!

E, entretanto, que fonte de pensamento sublimes e luminosos!

Muitas vezes sentimo-nos inclinados à tristeza; nossos ombros curvam-se quase sempre ao peso do acabrunhamento ou do desgosto. Contemplai então o sorriso da Virgem!

Este sorriso é a confiança, é o abandono, é o amor, irradiando sobre a nossa alma e envolvendo-a como que em uma atmosfera de paz e de tranquilidade.

Ó terna Mãe, doravante o Vosso sorriso ilumine a minha vida e presida às minhas alegrias como às minhas lágrimas, santificando as primeiras e enxugando as segundas.

Possa ele, ainda, preservar-me do mal, excitar-me à virtude, guiar-me durante a vida e tranquilizar-me na hora da morte, pois é sob este sorriso suave que quero viver e morrer.

(Por que amo Maria, Tratado substancial e completo dos principais motivos de devoção para com a Virgem Maria segundo os Santos Padres, os Doutores e os Santos; pelo Pe. Júlio Maria, missionário de Nossa Senhora do SS. Sacramento; Editora Vozes, ano de 1945)

PS: Grifos meus.
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