sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

V- O ESBOÇO DE MARIA PELOS SANTOS PADRES

A BELEZA DE MARIA

III - PARTE


V- O ESBOÇO DE MARIA PELOS SANTOS PADRES

Não é de admirar, depois do que se acaba de dizer, que os santos padres, unânimemente, chamam a Santíssima Virgem:

-"A obra-prima da beleza, modelada pela mão do Onipotente, sobre um modelo divino".

- "Rosa primaveril de poderosa beleza".

- "O espelho da verdadeira beleza".

- "O ornamento da beleza em Si mesma".

- "A obra que é sobrepujada só por Aquele que a fez".

- "O corpo da bem-aventurada Virgem Maria, diz Santo Antoninho, era de uma perfeição absoluta e de uma forma irrepreensível".

- "Era dotada, diz São João Crisóstomo, de uma beleza que sobrepuja e que devia sobrepujar todos os atrativos deste mundo, pois que era destinada a ser morada dAquele que o mundo inteiro é indigno de conter".

- "Que mácula ou que imperfeição, diz São Pedro Damião, teria podido desfigurar um corpo que, como um outro céu, era destinado a ser o augusto santuário da infinita perfeição".

-"É em vão, acrescenta Gerson, que procuramos descrever a beleza da bem-aventurada Virgem: Ela reunia todas as belezas repartidas entre as criaturas e em um tal grau de perfeição, que, fora Deus, é impossível imaginar uma beleza mais deslumbrante".

- "E a razão disto é, diz Bossuet, que Deus, formando o corpo de Maria, teve diante do espírito o corpo do próprio Criador".

- "Pois, como deste corpo imaculado devia ser formado o corpo do Filho de Deus, convinha, disse Santo Antonino, que sobrepujasse em beleza ao de todas as outras mulheres".

- "Não se pode duvidar, disse Santo Alberto Magno, que do mesmo modo que o Salvador foi o mais belo entre os filhos dos homens, Maria também não foi excedida em beleza por nenhuma das filhas de Eva. Ela foi, pois, dotada de todas as graças naturais de que um corpo mortal é suscetível".

- "Tal é a perfeição que brilhava em Maria, disse São Boaventura, que é com justo merecimento que se Lhe aplicam estas palavras da Escritura:"nenhuma mulher Lhe é comparável em beleza, em graça e em sabedoria".

- "Jamais, acrescenta o doutor seráfico, jamais aparecerá neste mundo uma beleza semelhante".

- "Sois toda bela, exclama Santo Agostinho, Vossa beleza não conhece mancha, e Vossa glória é sem rival. Que digo? não brilhais somente acima de todas as mulheres da terra por Vosso encantos exteriores, mas, pela Vossa santidade, ultrapassais os próprios espíritos angélicos".

São Bernardo assim confirma os louvores dados pelos santos padres à bem-aventurada Virgem: "Maria era dotada de uma beleza sem igual, tanto corporal como espiritualmente; é, pois, com razão que São Jerônimo disse: "Considerai, atentamente, a santa Virgem, e vereis que não há absolutamente espécie alguma de graça cujo esplendor Ela não reflita".

- "Ornada com as pedras preciosas das virtudes, disse ainda São Bernardo, irradiando um duplo fulgor em Seu corpo e em Sua alma, a Filha dos reis atraia sobre si os olhares de toda corte celeste; e, por Seus divinos atrativos, encantava o coração do grande Rei".

- "Mas, a esta beleza exterior, que encanta e eleva os corações, quando Lhes é dado entrever a fugitiva visão, Maria unia incomensuráveis tesouros de graças e de virtudes.

A este respeito falamos bastante desenvolvidamente nos capítulos precedentes e é inútil repeti-lo: "Ela era cheia de graças, disse Santo Tomás... e Sua beleza corporal, por grande que fosse, era apenas um reflexo longínquo, um eco imperceptível da celestial beleza de Sua alma".

- "Ela era bela e perfeita segundo o corpo, disse Santo Antonino, mas Sua alma era ainda mais bela".

Para fazer compreender esta inefável união da beleza corporal, e do esplendor das mais sublimes virtudes, Gerson personifica estas últimas e lhes faz divinizar, de um certo modo, todas as faculdades da Virgem.

A modéstia dirige Seu olhar, a inocência se reflete em Sua fronte, a doçura expande-se por Seus lábios, o amor faz irradiar Seu coração, a pureza esparge em Seu corpo um irresistível atrativo de castas delícias...

Entretanto, são representações alegóricas, que não passam de um sumido eco da linguagem do homem e dos encantos de Maria, pois a beleza da Filha do Rei está sobretudo no interior.

(Nota de rodapé: Todas estas citações foram tiradas de : S. Andr. Cret. Serm. 3 de Dorm, Virg.; S. Bernardo; S. Ant.; B. Alb. Magn.; S. Jorge Nicomed.; S. Pedro. Dam.; Summa, p. 4. t. XV, c.2; S. Petr. Dam.; Trat: 3 Sup. Magn.; Bibli. Mariana Cant. num.2; Specul. B. Virg. Lect. 6; De Incarnat.; S.Bern. Serm. 2 de B.Virg.; Homil. 2 sup. Missis est.; Summa p. 45. n. 15)

Eis quem é Maria; ei-lA descrita divinamente, pelos padres e pelos santos: autoridades irrefragáveis, testemunhas que a fé aceita e que o amor saúda com respeito.

Ei-lA, como nosso coração procura representá-lA: criatura dotada de todas as ternuras e enriquecida de todas as magnificiências divinas.

Qual é a causa de tanta glória e de tanta beleza?...

Um só palavra resume a de Jesus e também resume a de Maria: "Ela era a Mãe de Jesus". É dEla e nEla que foi formada a suprema e inacessível beleza, um Deus à imagem do homem.

Não tenho mais que um brado em face de tais abismos, aquele que me ditaria meu coração, se a Igreja não o tivesse posto em meus lábios: É um êxtase de amor, é um suspiro de confiança, é, sobretudo, a prece de um coração extasiado:

Super omnes speciosa
Vale, o valde decora!
Et pro nobis Christum exora!

Salve, ó Virgem belíssima, acima de todas as criaturas a mais encantadora, rogai por nós a Jesus, Vosso Filho!

(Por que amo Maria, Tratado substancial e completo dos principais motivos de devoção para com a Virgem Maria segundo os Santos Padres, os Doutores e os Santos; pelo Pe. Júlio Maria, missionário de Nossa Senhora do SS. Sacramento; Editora Vozes, ano de 1945)

PS: Grifos meus.
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