sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Jovens donzelas, o que a Igreja na realidade vos dá

JOVENS DONZELAS E A IGREJA


O QUE ELA NA REALIDADE VOS DÁ

Assim pensais nas horas menos felizes. Ou antes: assim pensa em vós o que há de menos bom, de menos claro e de menos generoso...

Ah! minhas filhas, a verdade é essa.

Vossa fé

Tendes fé. E isso é uma grandeza, quando se pensa nas que se agitam nas grandes dúvidas ou se imobilizam na incredulidade que nega! E isso é uma luz, quando se pensa nessas almas tenebrosas, num sistema de portas fechadas, sem sol íntimo, que não sabem, não vêem, não se servem das próprias mãos para tatear nas pedras indicadoras do caminho.

Essa fé, de quem a tirais vós? quem vo-la ensinou? quem vo-la conserva? Pensais que sem a Igreja em quem ireis crer então? em que garantias?

Vossas esperanças

Trazeis no coração as ardentes promessas da esperança cristã. E isso já é muito... Só elas mantêm a cabeça erguida, o olhar luminoso sob as lágrimas que às vezes o empanam. Sem essas esperanças, como viver? Como viver, sobretudo quando tantas decepções fazem curvar a cabeça para o repouso tentador da terra, e quando não sendo vocês compreendidas, amadas e felizes, sentis as mornas tristezas amontoar-se, como brumas, ao redor de vossos corações?

Esta quente esperança, princípio de energia, fermento de otimismo, quem é que vo-la mantém, bem alta no céu? Não é sempre a Igreja que canta a suave canção?

Se ela se calasse, quem é que em seu lugar, e com o acento que penetra, modularia o divino acalento para os recém-nascidos e os mortos?

Vosso amor a Deus

Amais a Deus, jovens. Só há carne e sangue, só há lama em vossos corações. Ora, já refletistes no extraordinário que significa tal amor num ser humano? Amais a Deus, pouco ou muito, mas afinal de contas sempre O amais.

Talvez que o desejo de O amar cada vez mais vos atormenta; ou talvez o pesar de não O amardes bastante. Acima de todas as vossas ternuras, paira esse grande amor, como uma luz cálida que matiza a alma. Está no fundo dessas mesmas ternuras, para as vivificar, para as idealizar continuamente e, falhando, para vos consolar de suas insuficiências. Amais a Deus; dizeis-Lhe: "Nosso Pai"; dizei-Lhes: "Meu amigo"; dizei-Lhes: "Vós", e estais certas de sua resposta de amor. Amais Deus em a natureza, obra Sua; em vossa consciência, Sua voz; em Jesus Cristo, Seu Filho e o vosso Irmão... vós... Deus... E, de um o outro, o amor.

E quem vo-lo deu, esse amor o mais belo presente com que enriquece a vida? Fora da Igreja de Jesus, ama-se a Deus? Para amar, seria preciso conhecer. E Deus, esse inexprimível mistério, só nos diz Seu verdadeiro nome pelos lábios de Cristo, não nos faz Sua indiscutível Revelação senão no coração de Cristo... Mas Cristo e a Igreja, isso é uma coisa só (Cabeça e corpo). A Igreja, dando-vos Deus, dá-vos Seu amor por vós, vosso amor a Ele...

Fechai os olhos, jovens, para esta suprema confidência. No grande silêncio íntimo ouvi estas palavras: "Ele me ama... Eu O amo". Deixai que se propague seu eco pelo fundo dos vossos sonhos, das vossas tristezas, das vossas vastas aspirações...

É então que, radiantes e emocionadas, reconhecereis o que à Igreja estais devendo, a essa Igreja à qual estais devendo o amor de Deus.

Vosso profundo coração

E não é ela ainda que, ensinando-vos o amor de Deus, vos ensina as leis supremas de todo o nobre amor?

Pode-se fazer do amor um egoísmo ou dissimulado, uma violenta sensualidade, uma facécia, um jogo barato, ou um drama de sensação... Pode-se fazer dele um dom, discreto e magnífico; uma oferenda até à imolação; o sacrifício de uma pessoa para a alta felicidade de outra. Cristãmente, é o amor total. Aplicado a Deus, aplicado aos seres aos quais nEle se ama.

Vosso coração, jovens, pensa que isso é que é o amor, eu o espero, e se prepara para realizá-lo.

Mas onde é que se lê a fórmula de tal amor? Nas palavras do Templo pagão? De modo algum... Por quem foi trazida sua mensagem? Pela voz da carne e de sangue? Não! Não! A carne é egoísta e fraca; só a natureza, abandonada ao seu instinto, absorve, monopoliza, devora...

Esse amor formulou sua Lei, numa noite de quinta-feira, à Ceia; numa tarde de sexta-feira, no Gólgota. Amar, o que se faz quando se ama, isso o ensinou ao mundo Aquele que segurava o pão consagrado. Agonizando, morrendo, morto, na Cruz sob um céu negro como chumbo, dizia o Amor, era o amor.

Naquelas em que caiu uma só gota desse sangue, o coração está vivo desse amor. E com as outras, como é? De onde tomariam este segredo, que só se lê no fundo do coração de Cristo? Onde o beberiam, quando é Ele a Fonte única?

Então, jovens! Jovens que, aos dezoito anos, quando rufiais as asas para a partida, ides para o Amor-Caridade que vos sacrifica; ó Irmãzinhas, ó Missionárias, a todas vós, dolorosas e abandonadas da vida, é Cristo que vos impele... é a quente mão da Igreja que vos conduz... Duro? Sim, é duro, mas não deixa de ser glorioso. Se a Igreja só houvesse aberto à mocidade um tal caminho de viagem, seria o bastante para verdadeiramente a bendizermos, pois nesta hora generosa estais supremamente belas, com o rosto iluminado e calmo... As filhas dos Patrícios, na Roma antiga, não tinham tal brilho. Agora mesmo ele se extinguiria, nesta mesma tarde, se a Igreja deixasse de perpetuar a Cristo. Uma vez apagada a Luz do mundo, aonde iriam buscar o puro esplendor? Uma vez repelido o Sal, quem preservaria da corrupção nossos fracos corações carnais?

E então, vós, jovens, que, sonhando, com o amor humano, sonhais ao mesmo tempo com a dedicação absoluta, com a união perfeita de dois no culto à Verdade única; quando preferis este futuro de amor ao abrigo de um trêmulo pudor, numa límpida pureza, num exercício cotidiano de obscura fidelidade; quando acumulais, não as desperdiçando, vossas reservas de inviolada ternura; quando colocais o infinito de Deus na espécie de infinito de vosso pobre coração - praticais o amor cristão. Fazeis florir sobre a terra a flor verdadeiramente divina da vossa juventude. Flor das alturas, que não se via desabrochar no tempo em que o "Sol da justiça" ainda não aquecia a terra...

No entanto, sem a Igreja, mestra e mãe, rica de Cristo e de Seus Sacramentos, teria nascido esse amor? Nascido, teria vivido? Ai!...

Abençoada seja aquela a quem, mais de que a ninguém, o mundo o deve. E vós, depositárias de um tal tesouro, não cometais a ingratidão de esquecer a Igreja, da qual o recebestes, e a mão que vos protege contra tantos ladrões emboscados à margem dos caminhos...

Vossa verdadeira grandeza

Foi pela Igreja e nela que subistes às alturas. Que nobreza, que grandeza a vossa, na pessoa de tal ou qual de vossas companheiras que o mundo admira sem reservas!

A jovem isolada torna-se quase fatalmente o ser ameaçado e fraco, que sonha e que treme. Sua idade e seus encantos constituem para ela um perigo. E são tantas as vezes em que celebram sua beleza para a explorarem indignamente! Freqüentemente, para ela, o pedestal não passa de um meio de cair de mais alto, e, caindo, de se fazer maior mal.

Mas eis que ao calor maternal da Igreja ela se ergue, ereta, abrigada e intacta; alta a coragem viril à graça virginal; nas mãos, sustenta o lírio e a arma da batalha; e assim, onde os homens são vencidos e cedem, ela triunfa.

Citemos nomes: Águeda, Inês, Blandina a escrava, Joana d'Arc a libertadora, Bernadette a vidente, Teresa a Carmelita, e outras, inúmeras outras, vestidas de branco ou de púrpura, sorridentes e castas, glória de seu povo, honra de uma raça. Jovens, sim, mas realizando o ideal. Perante elas a zombaria expira, inclinais-vos com respeito, a admiração entusiasta vos confunde, inspirando-vos louvores ardentes.

Nessas generosas campanhas, como sois belas! E, no culto que lhes presta o mundo, que confissão de vossa augusta grandeza! Este mesmo mundo, que tão depressa procura fazer de vós criaturas miseráveis, julga-vos aqui mais fortes que ele. O respeito que aqui vos presta é uma confissão de sua própria derrota.

A tais alturas só a Igreja vos pode elevar. Olhando para estas heroínas da pureza, da humildade, da caridade, olhai para a vossa própria imagem e orgulhai-vos de vós mesmas naquelas de quem vos sentis tão orgulhosas.

Que a Igreja vos seja cara, por vos haver dado de vós próprias tão alta idéia. Entre os serviços a prestar a uma criatura, não é esse um serviço eminente que lhe ensina a dignidade e, quando se trata de uma jovem, a força a crer em seu valor desdobrando-lhe, nos cumes luminosos, o desfile magnífico de suas irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo?

Terei a coragem de o dizer? É preciso que o diga. Sem a Igreja, não só jamais passaria o desfile magnífico pelos cimos luminosos, mas ela própria se arrastaria, pelos barrancos ou pela planície, a caravana das pobres jovens. Assim como antes de Cristo ela caminhava, assim caminha hoje sem Cristo. E, onde Ele deixar de estar, recomeçará ela sua viagem...

Não tenhais ilusão, por favor... Certamente que o grupinho das muito belas, muito inteligentes, muito ricas terá seu êxito fácil e seu prestígio passageiro... Mas é só um grupinho. As filhas dos Patrícios não passavam de uma ínfima minoria em Roma.

E as outras? as outras? O conjunto? Vocês? Se o paganismo integral recobrir a terra, com sua doutrina de aniquilamento e sua moral de imoralidade, que será da jovem? Que respondem os que aprenderam as lições da história e conhecem, no fundo da natureza humana, as terríveis potências do egoísmo? Que será da jovem? Será o que já foi, e por muito tempo...

Sobre esta miséria, deixemos cair o véu por detrás do qual ainda talvez se ouçam algumas gargalhadas, mas principalmente lamentações, apelos dolorosos, pedidos de libertação e o morno silêncio trágico das inocências perdidas...

No triunfo cristão da Igreja ninguém ganhou mais que a donzela, pois ninguém mais que ela tinha tudo a perder da devassidão antiga e da primeira brutalidade.

Não é a moda, não é a dança, não é a "liberdade" concedida ás paixões que, emancipando-vos, vos engrandecem... Serieis ingênuas se assim pensásseis. É antes de mais nada a Igreja, e serieis ingratas se o esquecêsseis; injustas se o desconhecêsses.

(Jovens: Vocês e a vida - coleção moças, pelo Fr.M. A. Bellouard O.P. ; edições Caravela LTDA, 1950, continua com o post: O que ela vos pede)

PS: Grifos meus.
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