terça-feira, 11 de janeiro de 2011

IV - O RETRATO DE MARIA

A BELEZA DE MARIA
III PARTE


IV - O RETRATO DE MARIA

Traçar o retrato da Virgem Maria - não seria isso uma temeridade sem nome?... Como poderemos reproduzir a celeste fisionomia dAquela que excede a toda beleza que se possa imaginar?...

Um dia, num arrojo de seu gênio, Fra Angélico quis representar-Lhe na tela os traços incomparáveis.

Ele tentou pintar a Anunciação.

O ideal cintilava ante o seu espírito, mas, na impossibilidade de reproduzi-lo, foi lançar-se aos pés de sua doce Mãe, e esta, tocada pelas lágrimas do Seu filho amoroso, fez acabar pelos anjos o quadro começado.

Ó doce e terna Mãe, assim como a Fra Angélico, vinde também esboçar o quadro de Vossa beleza, para que Vossa fisionomia de Virgem e de Mãe atraia os corações e em todas as almas viventes a chama ardente do amor.

Nenhum retrato, nenhuma descrição completa nos transmitiu ainda a fisionomia da Santíssima Virgem. Mas nos escritos dos primeiros doutores e de quase todos os santos se encontram palavras autorizadas que, confrontadas entre si, permitir-nos-ão entrever algo deste doce e simpático semblante de nossa Mãe.

Santo Epifânio diz que Maria tinha uma estatura um pouco acima da mediana (De laudib, Virg. I). A Sua face, de forma oval, era de notável fineza e de perfeita simetria em Seus traços.

São Nicéforo compara a cor do Seu rosto ao frescor do trigo sazonado, apresentando, assim, um cor róseo-pálida (Lib. 2 Hist., c. XXIII). Os Seus dedos eram longos, e tudo em Sua pessoa era bem proporcionado e repleto de uma gravidade tão doce e atraente, que nada se podia comparar com Sua beleza.

As telas atribuídas a São Lucas, e que datam incontestavelmente dos primeiros tempos do cristianismo, dão-Lhe sempre um colorido de uma notável pureza. Nelas a fronte é elevada, lisa e alva; as sobrancelhas bastante louras e suavemente arqueadas. (Cedrenus: Comp. hist.)

Santo Epifânio e São Nicéforo, nas expressões que empregaram para indicar a cor dos olhos, indicam o azul-pálido. Os mesmos autores assinalam ainda a doçura e irresistível atração do Seu olhar.

Estas representações indicam-nA ainda tendo o nariz e a boca moderadamente delicados, os lábios de róseo carregado, as faces coloridas e o maxilar suavemente arredondado.

Segundo Santo Epifânio, São Nicéforo e São Gregório Nazianzeno, a Sua cabeleira era loura, e eles acrescentam que Maria deixava  os Seus cabelos flutuarem livremente sobre os ombros.

As Suas vestes, como as que ainda hoje costumam usar as mulheres da Palestina, eram: a túnica de lã branca ou ligeiramente azulada, cinto de estofo simples, enrolado, véu branco, cobrindo-lhe a fronte, flutuando sobre os ombros e descendo até ao solo.

Um cuidadoso asseio fazia sobressair-lhe as vestes mais comuns e lhes se distinguia a humilde Virgem em Suas maneiras e em Suas conversações.

Modesto e circunspecto era o Seu porte, graves os seus passos e sem pretensões; o Seu olhar era doce, firme e límpido e a Sua voz afável e atenciosa.

Um ligeiro e simpático sorriso, testemunho de Sua bondade, aflorando-Lhe os lábios. O Seu exterior, irradiando benevolência e candura, inspirava a virtude. A Sua presença parecia santificar o ambiente e as pessoas nas quais poderia irradiar-se a Sua beleza, de tal modo que, ao Seu aspecto, todos os vãos pensamentos da terra se afastavam, como desaparece o orvalho ao raiar do sol matinal.

As Suas palavras eram sempre comedidas, quanto a Sua conversação era calma e nobre, excitando ao bem e à virtude. Todos aqueles que tinham a felicidade se de entreter com Ela não podiam admirar bastante o esplendor de Suas perfeições e de Suas inumeráveis graças.

O mais belo dos elogios que se Lhe pode dirigir está nesta observação de Nicéforo:

"Onde acabava a natureza começava a graça, e o mais elevado grau de beleza que possa ter existido em uma simples criatura era apenas o primeiro grau da graça, pois Lhe estava reservado completar esta obra-prima. Deste modo brilhava um quê de divino em Suas ações" (Niceph. In ejus ominibus, multa divinitus inerat gratia - Hist. Eccl. Lib. 2, c. XXIII), e a santidade com que Deus cumula a Sua alma, transparecia nos Seus gestos, em Suas palavras, em Seu olhar e em todos os Seus movimentos" (Henric. de Hassia, apud Barrad. Comentário do Evangelho. Lib . 6, c. 9).
A modéstia brilhava sobre Sua fronte a doçura em Seus olhos, o pudor em Suas faces, a virgindade na alvura nívea de Seu colo, de modo que todas as virtudes haviam nEla encontrado a Sua sede.

"Ela era unigênita de Seu pai e de Sua Mãe, que era estéril, diz São Pedro Crisólogo, para que nós soubéssemos que era menos uma obra da natureza do que uma obra-prima da graça e uma maravilha  da mão do Onipotente".

Em uma palavra, os dons da natureza e da graça, que nEla resplandeciam, tornaram-nA tão divinamente bela, que teria sido até considerada como sendo uma divindade, se a fé não nos tivesse ensinado que Ela era uma simples criatura, transfigurada pela graça.

Considerando tanta beleza, exclama, abismado, São João Damasceno:

"Eu Vos saúdo, ó Virgem dulcíssima; a Vossa graça extasia e cativa a minha alma. Como descrever a nobreza  de Vossos traços?... Como exprimir a simplicidade de Vossos adornos?... Como reavivar uma dos mais débeis raios de Vossa beleza?... A majestade que ilumina toda a Vossa pessoa é igualmente realçada e atenuada pela doçura de Vosso olhar. Os Vossos colóquios desalteram e trazem ânimo como tudo o que brota de um coração amante". (Orat. I de Nat. Virg. II)
Aliás, convinha à Santíssima Virgem possuir tão excelente beleza, como já o dissemos, pois Ela devia comunicar ao Seu divino Filho, não somente a natureza corporal, mas também os traços do Seu semblante, e isto de um modo muito mais inefável do que o fazem as outras mães a seus filhos, porque só Ela devia cooperar para a formação do corpo de Seu Filho (Aug. Nicolas).

(Por que amo Maria, Tratado substancial e completo dos principais motivos de devoção para com a Virgem Maria segundo os Santos Padres, os Doutores e os Santos; pelo Pe. Júlio Maria, missionário de Nossa Senhora do SS. Sacramento; Editora Vozes, ano de 1945)

PS: Grifos meus.
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