sábado, 29 de janeiro de 2011

AS BELEZAS DE MARIA: CONCLUSÃO

AS BELEZAS DE MARIA


CONCLUSÃO

Ó doce e admirável Mãe, é por uma prece e com os joelhos em terra que deveria terminar esta parte das nossas considerações.

Que maravilhas não encontrei eu estudando a Vossa beleza!

De que íntimas e deslumbrantes consolações não foi  inundada a minha alma, ao contato de Vossa alma tão santa, tão pura e tão divinamente bela!

Que chama senti abrasar-me o coração ao sentir o contato do Vosso coração, obra-prima de amor e de ternura.

Com que anelo se elevou todo o meu ser até Vós, ao contemplar Vossos conhecimentos e indizível encanto de Vosso semblante.

Até aqui eu Vos havia admirado; aqui começo então a amar-Vos. Sob o Vosso olhar compreendo a vaidade das belezas perecíveis, indignas das minhas atenções e do meu coração. Procurei a beleza e a descobri; ela fulgura em torno de Vós, como a luz brilha em torno do Seu foco.

Fazei, ó Mãe amantíssima, que só a Vossa beleza me cative e atraia a minha ternura e o meu afeto.

Que outra conclusão se poderia tirar da contemplação de tantas maravilhas?...

O homem não se deixa guiar senão pelo encanto da beleza. Os próprios contemplativos, os homens de coração generoso, fixam sobretudo a beleza. A razão é que Deus deixou subsistir em nós uma como imagem que Adão pode entrever outrora no paraíso terrestre...

No coração trazemos uma ferida insanável, porque não pode ser curada aqui na terra. Precisamos da beleza, não, porém, dessa beleza vulgar, que não passa de colorido ou brilho que uma criatura mortal possui, mas trata-se de uma beleza que subsiste para sempre.

Precisamos da beleza da alma, da beleza do coração e do espírito, da própria beleza fisionômica, embora santificada e transfigurada pela graça e pelo amor.

Eis por que Deus nos deu Maria, para que por Ela e nEla nos fosse permitido satisfazer este anelo do nosso coração.

Um semblante agradável, traços simpáticos, modos amáveis nos atraem e cativam. Ora, tudo isso temos em Maria, e o temos de um modo inefável.

A doce Virgem se nos oferece com todo o esplendor de Sua virginal pureza e com todo o atrativo de Sua alma iluminada, junto a todo o ardor de Seu coração abrasado.

Ela se nos oferece  bela e como a mais amante e mais amável das criaturas, não para nos seduzir, mas para nos conduzir; não para excitar a nossa concupiscência, mas para a extinguir e dominar, cativando deste modo o nosso coração e embelezando-o pela Sua própria beleza, para oferecê-lo a Deus com as Suas mãos tão puras e tão doces, pois o Altíssimo Lhe permite haurir a Seu bel prazer dos Seus tesouros e da Sua misericórdia.

Reflitamos muitas vezes sobre a beleza de Maria e a Sua grandeza enlevará o nosso coração, torná-lo-á fixo e insensível a toda outra beleza.

Ouçamos ainda uma história que se relaciona com o assunto. É narrada pelo P. Silvano Razzi e confirmada por Santo Afonso de Ligório. (Glorias de Maria: A Assunção)

"Tendo ouvido falar sobre a beleza de Maria, um religioso que muito A amava desejava ardentemente vê-lA pelo menos uma vez. Pediu-Lhe humildemente esta graça e a bondosa Mãe mandou-lhe um anjo para que lhe disesse que seria satisfeito o seu pedido, com esta condição, porém, que, depois de tê-lA visto, ficaria cego.

Por essa causa apareceu-lhe a bem-aventurada Virgem um dia. E ele, para não perder os dois olhos, quis a princípio contemplá-lA com um só olho. Mas, em breve, encantado pela grande beleza de Maria, abriu o outro olho para contemplá-lA melhor, e, neste momento, desapareceu a Mãe de Deus.

Desde este dia, não continuando mais a ver a Sua amável Rainha, ele ficou tão aflito, que não parava mais de chorar, não por ter perdido um dos seus olhos, mas por não ter podido ver a Santíssima Virgem com os dois olhos.

Por isso, suplicou-Lhe que se lhe mostrasse novamente outra vez, consentindo de boa vontade perder ainda o olho que ficara: "Ó Maria, Lhe dizia ele, serei feliz e contentar-me-ei se ficar cego por uma razão tão sublime, pois amarei então somente a Vós e a Vossa beleza".

Enfim, Maria quis consolá-lo novamente e lhe apareceu pela segunda vez. Mas, como esta boa Mãe não faz mal a ninguém, em vez de privá-lo inteiramente da vista restituiu-lhe o olho que antes ele havia perdido".
E vós, ó filho, mui piedoso de Maria, não tendo talvez a felicidade de contemplar com os olhos corporais a fisionomia de Vossa doce Mãe, contemplai-A ao menos e muitas vezes com os olhos de Vossa alma.

E a Sua imagem bendita sobrepairará ante o vosso espírito e vossa imaginação, como um ideal, com um farrol, para guiar-nos na senda do dever, da dedicação e do amor.

Sim, ó Virgem imaculada, subi cada vez mais alto nos espíritos e nos corações, a fim de que todos Vos contemplem e Vos admirem.

Elevai-vos sempre mais, para que todos Vos percebam e para que possam as Vossas mãos espargir em número maior e mais eficaz as graças de perdão e de misericórdia.

E se, deste modo, já A contemplamos aqui na terra, contemplá-lA-emos lá no céu, na plentitude de Sua glória, na perfeição de Sua beleza moral e física, com todo o atrativo que pode ser exercido por uma criatura de escol, no auge do poder, da grandeza e da beleza.

Vê-lA-emos no esplendor incomparável que Lhe comunica a Sua beleza sem par, e a Sua divina maternidade.

Vê-lA-emos com o coração a palpitar de alegrias desconhecidas na terra, com todo o Seu ser beatificado pela possessão íntima do Seu Bem-Amado.

Vê-lA-emos mais bela do que já a anteviu Isaías, quando o véu do futuro foi elevado ante o seu olhar profético; mais radiante do que a contemplou o apóstolo de Patmos; mais divina do que apareceu durante a Sua vida terrestre; do que a contemplou aquele bispo (Nota de rodapé: São Dionísio Areopagita) que veio vê-lA a Jerusalém e foi como que impelido a cair de joelhos ante aquela que lhe apareceu a encarnação dos esplendores da divindade.

Vê-lA-emos mil vezes mais perfeita do que A representam os artistas em suas telas.

Cansados de corrigir continuamente as suas pinturas, desesperando a bem dizer de realizar perfeitamente o seu ideal, eles põem a cabeça entre as mãos, respondendo ao entusiasmo da multidão maravilhada: "Ah! que diríeis vós, se A vísseis como a vejo!"

Sim, ó nobres gênios, vós A contemplastes belíssima em vossos sonhos, esta visão vos servia de inspiração e guia.

Mas esta imagem nada mais é que o resultado de vossa criação humana. E que diríeis, se A vísseis tal qual A veremos um dia, obra-prima viva, em que tão pródiga e afetuosíssima se manifesta a sabedoria de Deus!...

Contemplá-lA-emos mais radiosa e sorridente do que Se mostrou aos olhos ainda demais terrestres de Bernadete.

Entretanto, era bela a Virgem imaculada, tendo no olhar um amor indizível, nos lábios um sorriso virginal a iluminá-los, tornando-A uma inefável aurora, de suaves esplendores. Bela, com a Sua túnica de lirial alvura que eclipsava o anil celeste do mais belo dia; tão bela que um dos raios caídos sobre a vidente bastou para transformar a humilde camponesa, e o reflexo da Sua beleza, iluminando a fronte de Bernadete, fazia passar através da multidão de espectadores uma aspiração de ideal, suspendia a respiração em milhares de peitos e fazia com que a mãe da vidente dissesse, entre soluços, que não mais reconhecia a sua filha.

Oh! como era bela a Virgem e, entretanto, no céu, não devemos mais atender à fraqueza de nossos órgãos então deificados, a Virgem nos aparecerá mais radiosa ainda na grandiosa luz da eternidade, porque nossas faculdades será dotadas de energias divinas, estando já a gozar da glória.

E nos aproximaremos dEla, como dEla aqui na terra se aproximava Bernadete.

E o Seu olhar amado envolver-nos-á de virginal e maternal amor.

A Sua bendita voz encantará os nossos ouvidos (P.Anizan: Para Ela). O Seu coração haverá de aquecer-nos com o Seu amor e o Seu esplendor há de deslumbrar-nos e encantar-nos por toda a eternidade.

Ó Maria, bela e doce Virgem Maria, fazei que não vivamos mais senão em Vós e para Vós.

(Por que amo Maria, Tratado substancial e completo dos principais motivos de devoção para com a Virgem Maria segundo os Santos Padres, os Doutores e os Santos; pelo Pe. Júlio Maria, missionário de Nossa Senhora do SS. Sacramento; Editora Vozes, ano de 1945)

PS: Grifos meus.
PS 2: Ver o este especial completo AQUI
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