quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

VII- PRINCÍPIOS DESTE AMOR

A BELEZA DE MARIA
II PARTE


VII- PRINCÍPIOS DESTE AMOR

Maria amada de Deus! Maria radiante de toda a expansão, de toda a união e de toda a ternura que um Deus tem à Sua Mãe!

Deus irradia em Maria, tal o sol brilha no límpido cristal de um mostruário; assim também Maria resplandece nas almas daqueles que Deus Lhe deu como filhos. Contemplemos um instante os irradiações de amor do coração de Maria para com todos os homens.

Vejamos os princípios deste amor, que não deixarão de excitar-nos a uma confiança ilimitada e a um amor recíproco para com a doce e amantíssima "arrebatadora dos corações".

"O primeiro princípio deste amor é a Sua união à divindade".

Antes mesmo da encarnação, a Sua alma imaculada unia-se tão perfeitamente ao nosso Pai celeste, que identificava-se a Sua vontade com a vontade divina e o Seu amor com o amor de Deus.

"Por que é que amamos tão pouco? por que é que o nosso amor é tantas vezes lânguido e mesquinho? - Porque penetramos apenas de um todo superficial e intermitente nos desígnios de Deus e no Seu amor. Há almas que nunca  saem de si mesmas, e por isso para com elas permanece triste e desolado o horizonte de seu amor. Para outras, dotadas de um coração melhor e mais generoso alarga-se o horizonte e elas amam com maior dedicação".
(Ch. Sauvé: O culto do coração de Maria)

 
Mas, onde se encontrará um coração que saiba dilatar-se a ponto de amar  todos os homens e de amá-los com um amor que não conhece nem ingratidão, desfalecimento ou sombra?

Este coração único é o coração de um Deus. E é este coração que resplandece em uma pessoa divina, Jesus Cristo, e por Ele em uma pessoa humana, Maria Santíssima.

Oh! como o mundo se sente bem no coração da Virgem Santa! Deus Lhe comunicou sem medida o Seu próprio amor para conosco. Ele amou tanto ao mundo, que lhe deu o Seu Filho unigênito.

Pela salvação do mundo Maria deu este mesmo Filho que é o Seu Juiz; nEle o Pai pôs todas as Suas complacências, e, entretanto, Ele o sacrifica por nosso amor.

Que haverá de mais revelador do amor de Deus para com os homens?

E as complacências de Maria para com este Filho muito amado imitam e retraçam as complacências do Pai; e, entretanto, Ela o dá como Vítima ao mundo.

Como trabalham e operam juntamente para os homens o amor paternal do Pai e o amor maternal de Maria!

Quem, pois, avaliará a fusão do amor do Pai com o amor da Virgem? Sua vigilância e solicitude, e a vigilância e a solicitude de Maria para cada alma?

Satã, o grande inimigo do gênero humano, encontrará uma criatura que, por falta  de amor à imensa posteridade que dela deveria nascer, levou-o à perdição total, arrastando ao pecado o pai do gênero humano.

Deus, nosso grande amigo, encontrou em Maria uma criatura capaz de compreender o Seu imenso amor. Compreendeu-o Maria. Por isso, participou de todos os mistérios de Seu Filho. (Cfr. Ch.Sauvé: op. cit.)

"O segundo principio do amor de Maria para conosco é a Sua união à humanidade do Filho, que A incluiu em todas as Suas disposições, em todo o Seu amor para com os homens".

Que mundo inesgotável de maravilhas não foi constituído por esta reciprocidade silenciosa e tão amante  entre o Coração de Jesus e o coração de Maria; e isto durante os anos de Sua vida em Nazaré, durante a vida pública, dolorosa e gloriosa do Redentor!

Que irradiação entre estes dois corações!... Como se irradiam, se penetram e se unificam no amor!...

Mas esta correspondência de amor não se limita somente a Jesus e a Maria!

Estes dois amores se encontram em nós ao mesmo tempo que estão neles.

Jesus ama a Maria com um amor soberano: Ela é a Sua muito amada por excelência; mas além de Sua Eva imaculada e santíssima, Jesus tem amor a todas as almas  que deverão nascer do Seu sacrifício. Para Maria, Jesus é o bem amado por excelência, o único que ama e adora com tudo o que é.

Mas, com Ele e nEle, Ela ama a todas as almas, a quem dá o ver, ouvir e viver.

Se algumas vezes dizemos que Maria ama exclusivamente a Jesus, queremos somente com isto significar que, amando-O profunda e integralmente, ama pelo mesmo fato tudo o que é por Ele amado.

Sobretudo Maria ama a Jesus em Seu corpo místico, e uma por uma destas almas pelas quais o Redentor quer morrer, é amada por Maria, com o mesmo amor com que Jesus a ama.

Entre estes dois corações há como que um fusão de amor, não só para se amarem um o outro, mas para juntamente e com um mesmo amor amarem a todos os homens.

Ele é universal e abrange a humanidade inteira.

Dar-lhe-á Jesus o último traço, tornando-o um amor todo pessoal.

Primeiramente, este amor abrasará a São João, e por ele estender-se-á a cada um de nós, para tornar-se verdadeira e perfeitamente maternal.

"O terceiro princípio deste amor é a palavra onipotente do Salvador que a constituiu nossa mãe, e por este fato colocou em Seu coração o amor mais puro, mais forte e mais intenso que jamais houve".

Pois, por meio desta palavra verdadeiramente criadora, o Salvador, e certo modo, desviou para nós o amor de Sua Mãe.

E quando foi que se deu isto?...

- No alto da Cruz...

Pela contemplação das dores, da caridade de Seu Filho e da ingratidão dos homens, o amor de Maria se eleva ao mais alto grau de Seu poder.

Sem a reserva que Lhe impõe a vontade de Deus, vãos seriam os esforços dos homens para impedi-lA de arremessar-se sobre a Cruz, prender-Se ternamente a Jesus crucificado e imolar-Se em companhia do Homem-Deus, cujo coração e cuja imensa caridade mais do que nunca Ela conhecia, assim como era conhecedora do mérito que se adquire amando-O.

Ora, neste momento, o coração de Maria, enternecido, atormentado, abrasado de amor, não sabe senão amar.

É neste momento que a Sua alma é como que presa das mais doces emoções, das mais ternas afeições, dos mais violentos transportes.

É neste momento que Jesus A surpreende, alcança-A, e A detém, obrigando-A a desviar para nós este sentimento de ternura imensa, de amor veemente, de que Ela é abrasada por Ele, dizendo-Lhe:

"Eis aí o vosso filho", o que é a mesma coisa como se Ele tivesse dito: Esse sentimento de amor, tão vivo, tão profundo, tão violento, que vos abrasa inteiramente, deveis dirigi-lo para a Minha Igreja e para Meus filhos que aqui estão representados por São João. Cedo-lhes o Meu lugar e quero que os guardeis como a Mim o fizestes, vosso Filho único e verdadeiro".

Depois disso, quem compreenderá a ânsia, a ternura, a veemência e os transportes deste amor que brotaram do Coração de Jesus neste momento em que o Homem-Deus ia morrer por nós?...

Quem nos dirá as maternais solicitudes de Maria, o zelo ardente que ela nutre por nossa salvação, a felicidade que Ela frui ao ver-nos fervorosos e piedosos?...

Meditemos às vezes estes três princípios tão sólidos e tão excitantes ao amor.

A união de Maria à divindade - e à humanidade de Jesus - e a Sua união ao sacrifício do Redentor - que a estabeleceu Mãe dos homens e Mãe por amor!

(Por que amo Maria, Tratado substancial e completo dos principais motivos de devoção para com a Virgem Maria segundo os Santos Padres, os Doutores e os Santos; pelo Pe. Júlio Maria, missionário de Nossa Senhora do SS. Sacramento; Editora Vozes, ano de 1945)

PS: Grifos meus.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...