domingo, 26 de dezembro de 2010

VII- OS CARACTERES DO AMOR DE MARIA PARA CONOSCO

A BELEZA DE MARIA
PARTE II

VIII- OS CARACTERES DO AMOR DE MARIA PARA CONOSCO


"Deus havia decretado, diz Santo Afonso de Ligório,
que um coração de mãe seria a fonte da salvação,
não de uma alma somente, mas de todas as almas”.

Este coração de mãe devia ser, pois, a obra de predileção e complacência do próprio Deus, pois nele o Altíssimo devia acumular todos os tesouros e ternuras que a elevariam acima de tudo o que a beleza possui de mais atraente e mais forte.

O amor das mães não é mais do que uma imagem pálida e longínqua do amor de Deus. O amor de Maria, porém, é uma semelhança real do amor do Pai e do amor de Jesus, pois representa-os pela sua própria natureza.

E não é somente por criação que o Pai e o Espírito Santo produziram este amor, como Eles produzem o amor das mães, mas sim por uma comunicação interna de Seu próprio amor.

O amor das mães é, por assim dizer, tirado do nada.
O amor maternal de Maria nasceu de Deus e, como já dissemos, provém da mesma fonte que deu à Virgem o Seu filho.

Deste modo, o amor aos homens participa do amor do Salvador para conosco.

Quem seria capaz de compreender tão tocantes caracteres que este amor deve a esta divina origem?...

Para entressonhar algo de sua beleza, temos o amor materno, terrestre, como termo de comparação, muito imperfeito embora, mas que ao menos, nos pode auxiliar a penetrar nos mistérios do amor de Maria Santíssima para conosco.

Ora, quais são os caracteres do amor de uma mãe ao seu filho?...

Especialmente três: a bondade misericordiosa, a ternura e a força.

O primeiro caráter é a bondade misericordiosa.

Mais adiante desenvolveremos este consolador assunto, como fonte de inumeráveis benefícios com que nos mimoseia o coração de nossa mãe...

Aqui mostraremos somente esta inclinação para a infância, pois, tratando-se de amor, todos nós somos crianças.

A primeira atitude de uma mãe é enternecer-se e inclinar-se, amorosa, com uma dedicação sem reserva, para a criancinha que vem ao mundo tão desprovida e tão fraca.

Falta-lhe tudo. É preciso que sua mãe veja e ouça por ela. Não há miséria mais impotente que a sua. O primeiro caráter de amor maternal de Maria para conosco é ser ele um amor misericordioso.

Na ordem sobrenatural, mais ainda que na ordem natural, precisamos nós, antes de tudo, de comiseração, tanto para as nossas fraquezas, para nossas próprias misérias físicas, quanto e, sobretudo para nossas ilusões, nossos erros e pecados.

Ora, o amor de Maria é puramente misericordioso, porque Sua maternidade não vem castigar, mas somente santificar e consolar.

E não há miséria que Ela não queira socorrer e curar.

Se Ela sente compaixão à vista de qualquer imperfeição dos justos, muito mais viva ainda é a Sua comiseração para o horrível estado dos pecadores.


“Ó Virgem bendita, exclama Santo Afonso de Ligório, por Vós encheu-se o céu, por Vós muitos evitaram o inferno; por Vós ainda foram reparadas as ruínas da Jerusalém celeste e a vida espiritual dada aos desafortunados que a esperam”.
(S. Ligório: Glórias de Maria)

Chama-se ternura esta sensibilidade delicada, esta atenção extremosa, graças à qual as menores alegrias do objeto amado nos deslumbram, seus mais leves sofrimentos nos contristam profundamente, suas ingratidões nos transpassam de dor.

Tudo isto se encontra no coração materno, e em um grau intensamente superior se encontra no coração de Maria, pois, para compreendermos a ternura deste coração, é preciso elevar-nos à ternura infinita de Deus.

Com efeito, por Sua maternidade, a incomparável Virgem participa da ternura infinita do Altíssimo.
Depois da compaixão, o que domina no amor de Maria é a ternura.

Em Seu coração, tanto quanto é possível em uma criatura, revive a ternura perfeita de Deus, a quem interessam perfeitamente todos os nossos bens.

À comiseração e à ternura o amor materno alia a força.
A força do amor materno é verdadeiramente maravilhosa.

Não somente a águia, o tigre ou o leão são prodígios de energia, quando ameaçados os seus filhotes, mas também uma mãe sabe afrontar os maiores perigos e a própria morte se seus filhos.

Entretanto, embora seja o amor materno o mais forte, mau grado as suas energias, ele também é fraco!
Mas em Maria encontra-se não só a força amante, mas ainda o poder do amor materno.

O amor de Maria transborda de um amor materno onipotente que Deus tirou de Seu próprio  coração e com que enriqueceu o coração de Sua Mãe. E o que há de mais sublime neste amor é que ele se dá sem reserva a todos e a cada um em particular. A cada um de nós Deus ama em particular, como se somente a nós tivesse que amar.

Ora, o amor de Maria é uma comunicação, uma derivação à parte e única do amor paternal de Deus.

E pelo fato deste amor maternal de Maria não ser simplesmente um amor criado, mas antes uma comunicação do amor do Padre eterno e do Espírito Santo, ele é antes de tudo sobrenatural e pode aplicar-se a cada um de Seus filhos: ele nos segue sem cessar, por toda parte, em todos os perigos, em todas as nossas provações e trabalhos.

E conservando este caráter todo particular e individual, o amor de Maria, semelhante ao amor de nosso Pai celeste, estende-se a todos os homens, abrange em um só devotamento a todos os Seus filhos, sem reserva alguma, pois Seus filhos são a humanidade inteira.

Na mais perfeita visão beatífica, Ela vê os seus sofrimentos, seus perigos e suas chagas.

Oh! não deveria este amor de nossa admirável Mãe para com os homens em geral ser um objeto de delícias?...

Como não concluir que o coração de Maria, sob o abrasamento do amor materno, ama a cada um de nós em particular e de um modo inefável, sabendo-se que ele, segundo a palavra de Santo Afonso, foi feito expressamente para nos amar, como o foi para amar a Jesus, e que sempre foi plenamente fiel a essa predestinação que constitui toda a razão do Seu ser?...

Oh! repitamos sempre: Maria nos ama com um amor maternal, com o amor mais delicado, mais terno, mais devotado e mais misericordioso.

Que ao pensamento desta grande verdade possa despertar e inflamar-se o nosso amor filial e que em nós o amor de Maria domine todo o amor criado, para que os nossos corações se apeguem a esta inefável beleza, sempre antiga e sempre nova, que é o coração de uma mãe, a gloriosa Mãe de Deus e dos homens.

(Por que amo Maria, Tratado substancial e completo dos principais motivos de devoção para com a Virgem Maria segundo os Santos Padres, os Doutores e os Santos; pelo Pe. Júlio Maria, missionário de Nossa Senhora do SS. Sacramento; Editora Vozes, ano de 1945)

PS: Grifos meus.