segunda-feira, 11 de outubro de 2010

V- O AMOR DOS HOMENS

A BELEZA DE MARIA
II PARTE
 
 
V- O AMOR DOS HOMENS
 
Quando se ama verdadeiramente a Deus, ama-se sinceramente o próximo, porque o primeiro amor não pode subsistir em uma alma, sem que produza o segundo.
 
Nosso amável Salvador, para que nós pudéssemos compreender a inseparável união existente entre o amor de Deus e o amor dos homens, a nós assim falou: "Amareis o Senhor, vosso Deus, de todo o vosso coração: eis o primeiro mandamento; e amareis o próximo como a vós mesmos: eis o segundo, semelhante ao primeiro".
 
E a Santíssima Virgem, que tão perfeitamente cumpriu o primeiro mandamento, teria podido faltar ao segundo?...
 
Não somente havia Deus destinado Maria para ser Sua Mãe, mas também destinou-A a ser mãe de todos os homens e, em consequência, Lhe deu, ao criá-lA, um coração de mãe para com eles.
 
Além disso, Jesus Cristo, durante a Sua permanência no Seu casto seio, comunicou-Lhe os ardores de Seu amor para conosco, em um grau tão elevado, que jamais uma simples criatura amou os homens como Maria os amou.
 
Oh! sim, digamo-lo com ousadia, Maria é o coração que nos ama, e ele nos ama, terna, ardente e apaixonadamente.
 
Aliás, poderia Ela deixar de amar-nos?...
 
Cada vez que Ela vê a Deus, vê o amor infinito que nos consagra desde toda a eternidade - "in perpetua caritate dilexi te", o amor com que e por que ele nos amou, conservou, sustentou, cumulou de graças e de benefícios.
 
No coração paternal de Deus Ela vê a ternura cheia de misericórdia com que Ele nos segue, permite que sejamos submetidos à prova, respeita a nossa liberdade, e sem cessar conserva os olhos fixos sobre nós, com receio de que algum apego criado desvie por um instante as afeições de nosso coração, que Ele deseja seja todo Seu, e repleto de Seu amor.
 
Ela vê este Pai celeste escutando só o Seu amor e enviando-nos o Seu Filho único para nos arrancar do inferno e reconduzir-nos ao caminho que ao céu conduz!...
 
E quando fixa o seu olhar sobre Jesus Crito, contempla-O acabrunhado e triturado sob o peso dos sofrimentos, das humilhações e das dores.
 
Ela assiste em espírito à flagelação, à coroação de Seus espinhos, à crucifixão, à morte de Seu divino Filho, e ouve ressoar ainda aos Seus ouvidos esta comovida prece: "Meu Deus, que nenhum daqueles que me destes, pereça eternamente".
 
Oh! como não nos amará Maria a esta vista assim como a esta lembrança?...
 
Admitamos que para Ela nós nada sejamos, nada nos atraia a Sua compaixão, Sua estima e Sua afeição; entretanto, por amor a Deus, e por saber que nos amando faz prazer a Ele, não deverá Ela amar-nos e amar-nos ternamente?...
 
Oh! como é doce este pensamento: "Maria nos ama, e nos amará sempre".
 
E depois, desde que Ela considera a nossa alma, esta pobre alma, tão lânguida, tão ferida e, entretanto, tão desejosa de amar e de ser amada, vendo-a a ponto de se perder para sempre, se não vier em seu socorro, poderia Maria não Se sentir tocada pela compaixão?...
 
Sendo nossa alma a imagem de Deus, cuja beleza e santidade são bem conhecidas por Maria, e podendo Ela impedir que a mesma seja manchada e desfigurada, como poderia Ela consentir que essa alma estivesse em poder do demônio, objeto dos seus insultos e suas blasfêmias?...
 
Não, isso é impossível... Seu amor a Deus se recusa a tudo isto.
 
Nossa alma é criatura de Deus, filha de Deus, destinada a participar um dia do reino de Seu Pai, e poderia a Santissima Virgem permitir que esta alma fosse afastada de Deus e arrancada de Seus braços para eternamente sofrer nos abismos abrasados do inferno?...
 
Não! o Seu amor a Deus e a Sua caridade para com os homens a isso se recusam.
 
Nossa alma é resgatada pelo sangue de Jesus Cristo, pelo sangue de Seu Filho; ela é o preço de humilhação, de angústia e de lágrimas, que estão sempre presentes em Seu espírito, e, podendo impedi-lo, poderia a Virgem Santíssima permitir que por toda a eternidade esta alma se perdesse?...
 
Não! o Seu amor a Deus e a Sua caridade para com os homens a isso se recusam.
 
Nossa alma é destinada a conhecer e amar a Deus, e a unir-se aos anjos para glorificar e exaltar eternamente as grandezas, a majestade e o amor de Deus, e, podendo impedí-lo, permitiria a Santíssima Virgem que, durante toda a eternidade, esta alma amaldiçoasse e blasfemasse o seu Deus?...
 
Não!... seu amor a Deus e Sua caridade para com os homens a isso se recusam.
 
Além disso, quando Maria se considera a Si mesma, não se vê Ela cumulada de graças que continuamente excitam o Seu reconhecimento?...
 
E para mostrar esse reconhecimento não se sentiria Ela obrigada a fazer por Deus tudo o que Lhe é possível fazer?...
 
Sem dúvida, continuamente o Seu coração transborda de agradecimentos e louvores para com Deus, mas o amor é ativo e não Lhe é suficiente fiel e reconhecido.
 
Em Deus Ela encontra toda a alegria que procura, conservando-lhe fiéis e inocentes as almas por Ele criadas e reconduzindo ao Seu amor aqueles que O abandonaram.
 
Vê-se deste modo que Ela é por reconhecimento obrigada a nos amar.
 
E se tudo isso ainda não fosse suficiente, poderia Maria Santíssima esquecer-Se de que é Mãe dos homens?... Ser mãe significa ser vigilante, doce, condescendente para com o ser pequeno, fraco e necessitado que a Providência lhe confiou.
 
Ser Mãe dos homens é trazer em Suas entranhas esta humanidade inteira, desfigurada e ingrata, sem dúvida, mas algumas vezes nobre em suas aspirações, em seus esforços e em suas lutas.
 
E poderia a Santíssima Virgem esquecer-se de tudo isso, Ela, que não foi feita tão grande, tão poderosa, tão "mãe", senão para nos aliviar e levar-nos todos em Seu coração?...
 
Oh! não! isso repugna ao Seu reconhecimento para com Deus, como repugna a um coração de mãe esquecer o fruto de suas entranhas.
 
Maria conhece em toda a sua extensão e todos os seus pormenores o dever que Deus Lhe impôs, que foi manifestado por Seu Filho, quando, pregado na Cruz, iria consumir o Seu Sacrifício.
 
O Seu coração sondou toda a extensão das obrigações de uma mãe. De certo modo aprofundou as intenções de Deus a Seu respeito, tornando-A tão grande, tão poderosa e tão misericordiosa.
 
Ela compreendeu esta palavra que ressoa continuamente aos Seus ouvidos: "Eis aí o Vosso filho".
 
E Maria, que tanto ama a Deus, que deseja tanto agradar-Lhe, sabe também que, amando os homens, glorifica mais e mais o Seu divino Filho, oh! como Ela deixa dilatar-se o Seu coração, até transbordar de todas as ternuras e misericórdias.
 
Dia e noite Ela cosnerva os olhos fixos sobre os Seus filhos, receando que lhes aconteça alguma desgraça, e sem cessar Se inclina para nós com o sorriso nos lábios, para nos alentar nos sofrimentos, com o Seu olhar velado em lágrimas para chorar as nossas infidelidades, mas com as mãos repletas de graças, para nos auxiliar, esclarecer e guiar para o céu.
 
Oh! que doce e animador pensamento!...
 
Maria me ama e me conduz por toda parte em Seu coração. Também eu Vos amo, ó terna Mãe, e quero amar-Vos sempre, já que o amor só pode gerar o amor e o coração só pode retribuir um dom do coração.
 
(Por que amo Maria, pelo Pe. Júlio Maria, continua com o post: O amor de mãe)
 
PS: Grifos meus.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...