quarta-feira, 25 de agosto de 2010

III- AS CAUSAS DESTE AMOR

A BELEZA DE MARIA
PARTE II


III- AS CAUSAS DESTE AMOR

Ninguém duvida que Maria tenha amado a Deus. E é este amor da Virgem imaculada para com Deus que atraiu ao Seu seio o Verbo feito carne. E quem poderá dizer-nos a extensão, a veemência, e a profundidade de um amor que produziu tais efeitos?... Mas qual era a causa deste amor, a fonte do contínuo crescimento que ele experimentava?

Esta causa é dupla: o conhecimento de Deus e a Sua união íntima com Ele.

Antes de tudo, Maria conhecia a Deus com um conhecimento perfeito, que não era inferior senão ao conhecimento face a face e sem véu, na pátria celeste.

Ama-se perfeitamente o que se conhece bem, e mais o objeto conhecido  é amável e digno de ser amado, mais o coração se inflama.

Ora, aqui são dois abismos que se desvendam aos nossos olhos: - Deus, tão infinitamente amável... e Maria, que O conhecia como nunca homem algum O conheceu. Ele era o Seu Filho... e Ela era a Sua Mãe, e quem, melhor do que uma mãe, compreende e penetra os mistérios do coração do Seu Filho?...

Oh! quão inefável foi o amor que Maria hauriu nesta primeira e não única fonte!

Maria, por Sua fé e por Seu coração, via a Deus tal qual Ele é, fonte de todo bem, foco de amor, abismo de grandeza, oceano de beleza. Ela O contemplava e O conhecia mais e mais, para amá-lO sempre mais nestes trinta anos passados com Jesus, ao mesmo tempo que nEla aumentavam o conhecimento das perfeições divinas, e tornavam mais vivas as chamas de Seu amor. E estes benefícios derramados por Deus a mancheias, e cada vez mais perfeitamente conhecidos por Maria, eram novo combustível lançado nos braseiros de sua alma. (Petitalot)

Contemplando-Se, Maria sentia-Se escolhida por Deus, enriquecida por Ele de todas as prerrogativas que podem ornar uma criatura, elevada a um trono, de onde dominava todos os demais tronos, excetuado o de Deus.

Ela via o Seu Deus feito Seu Filho, e via-Se chamada a participar da incomunicável paternidade divina e também da fecundidade do Espírito Santo. E, à vista de tantas maravilhas sem iguais no passado, como sem espécimes nas idades futuras, poderia Ela amar demais?... ou mesmo podê-lo-ia amar bastante?...

Além disso, Maria amava a Deus por causa dos laços que os uniam reciprocamente. Não era Ela ao mesmo tempo filha, irmã, mãe e esposa de Deus?... E Deus A preferia tanto, que a cognominava Sua "Bem-amada", Sua "Única", a "Toda-bela".

E como é que a Virgem não corresponderia por reciprocidade a este amor do Seu Deus?...

Os pais amam os seus filhos, e não era Jesus o filho de Maria?... E que filho! Ela podia, pois, amar neste Menino Deus, o Seu filho, o mais amante, e o mais amável dos filhos, o Seu filho único, osso de Seus osso e carne de Sua carne, formado todo Ele de Sua substância.

A esposa ama o seu esposo. Desposada com o Espírito Santo e com a Santíssima Trindade, como não amaria Ela o Seu Deus, que é amor?

Sobre um assunto tão divinamente terno e tão ternamente divino, um anjo poderia apenas balbuciar; amando a Deus, amada por Deus, Maria Santíssima não Lhe era unida senão por laços de amor. Nela tudo é amor, como tudo é fogo em um forno incandescente, como tudo é água no imenso oceano.

Oh! como é admirável o coração de Maria!

Se o amor divino tão vivamente pôde comover o coração de um São Filipe Neri, que abriu uma das suas costelas para dar lugar à sua impetuosidade, se um São Francisco Xavier com igual razão sentia arder o seu peito, a ponto de ele abrir as suas vestes, para refrescar o peito, se um Santo Estanislau Kostka devia refrescá-lo com toalhas embebidas em água, se uma Santa Teresa morreu, tendo o coração transpassado por uma flecha de amor que lhe cravou um serafim, é preciso concluir que não se pode explicar nem sequer conceber o celeste e amoroso ardor que abrasou continuamente o coração da Santíssima Virgem, superior ao coração de todos os santos reunidos, na intensidade e na grandeza de Seu amor para com Deus.

Se a Santíssima Virgem pôde sustentar tanto tempo em Seu coração uma violência tão excessiva de amor, sem sucumbir, é preciso atribuí-lo a um prodígio sobrenatural, como foi um milagre ter Ela suportado em Sua alma um martírio de dor, sem por Ele morrer vitimada.

Oh! que motivo para amarmos a Maria!

Honra-se o coração de um São Francisco de Sales, de um São Carlos Borromeu, de uma Santa Teresa, porque foram abrasados do amor de Deus. Mas se pudéssemos encontrar um coração que, em amor para com Deus, igualasse os corações destes três santos unidos, não seria ele mais venerável?

Se houvesse um coração do qual se pudesse dizer que amou tanto a Deus quanto O amaram os santos todos juntos, que na solidão não se preocupava senão em pensar em Deus e em amá-lO, não mereceria ele, seguramente, um culto mais especial e mais elevado?...

Ora, o que se deveria dizer do coração de Maria, que amou mais a Deus do que a todos os santos do Antigo e do Novo Testamento?

É pouco assemelhá-lA, como fez São Bernardino de Sena, a uma fornalha ardente do divino amor. - Quis thesaurus melior quam ipse divinus amor, quo fornaceum cor virginis ardens erat? (Serm. 9 de vir.).

Depois do coração de Jesus, não há coração que mereça um amor tão alto e tão extenso como o coração de Maria, pois não há coração que possa, não digo ser comparado ao Seu amor para com Deus, mas que possa dEle aproximar-se. (Muzzarelli: Opúsculos)

(Por que amo Maria, pelo Pe. Júlio Maria, continua com o post: O amor supremo)

PS: Grifos meus.