quarta-feira, 18 de agosto de 2010

II - O AMOR DE DEUS

A BELEZA DE MARIA
II PARTE


II - O AMOR DE DEUS

Deus encontra toda a Sua felicidade em amar-Se a Si mesmo; entretanto, em Sua infinita bondade, quis ser amado pelos homens. Para este fim é que Ele lhe deu este mandamento, o primeiro mandamento da lei: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração: Diliges Dominum Deum tuum ex toto corde tuo".

Entre todas as criaturas, nenhuma há que tenha realizado mais perfeitamente este preceito do que Maria Santíssima. Saiu radiante das mãos de Deus. Jamais o pecado alterará, ou simplesmente ofuscará este fogo de amor e de toda ternura.

Desde o momento de Sua Conceição imaculada, a Virgem santa descobriu em Deus tanta amabilidade, que Seu coração pulsou unicamente para Ele. E o que dá toda perfeição ao Seu amor é que, sem visar os Seus interesses pessoais, e sem outro desejo que o de agradar a Deus, Ela O amou puramente, por Ele mesmo, isto porque, sendo infinitamente amável, merece ser soberanamente amado.

E quem avaliará a intensidade deste amor?...

"Tão ardente foi ele, diz um piedoso autor (Dom. L. Rouvier: Novena completa), que foi preciso Deus fazer um milagre contínuo para que Ela não fosse consumida, em todos os instantes de Sua vida, pelas afeições ardentes de Seu coração".

Diz um santo que, quando Maria transportava o menino Jesus, podia-se exclamar: "Eis o fogo que carrega o fogo". Isto é tão verdade que, se se reunissem o amor de todos os serafins, de todos os apóstolos, de todos os bem-aventurados, todos esses amores juntos se assemelhariam a uma centelha diante do vasto incêndio do amor de Maria. É o que faz dizer a Ricardo de São Lourenço que "os serafins, embora sejam todo amor, teriam podido descer do céu, para vir aprender no sagrado coração de Maria o amor de Deus".

"Esta augusta Virgem, diz São Germano, foi maravilhosamente figurada pelo altar de propiciação, onde ardia o fogo de noite e de dia".

"Semelhante a estas flores que acompanham sempre o sol, diz São Pedro Damião, Maria tinha habitualmente os olhos de Sua alma elevados para o sol divino".

Ensina-nos São Bernardino de Sena e Santo Ambrósio, que o próprio sono, por um privilégio singular, não interrompia as afeições de amor produzidas pelo sagrado Coração de Maria.

Para termos uma idéia desta intensidade, basta considerar a fonte desse amor. Ora, esta fonte é o amor que Deus Lhe tem. Ama-a Deus e é este amor que faz com que o Padre eterno A associe À Sua eterna geração, fazendo-A Mãe de Seu Filho único, "comunicando-Lhe, como diz Bossuet, um raio de Sua fecundidade infinita". (Sermão da Anunciação)

Convém notar que o amor das crianças nasce do amor do Criador, como a flor nasce da planta que a sustenta. O amor, ou caridade, é uma virtude sobrenatural que, por isso mesmo, não pode ser adquirida nem pelo esforço, nem pela luta. Ele é um dom de Deus, dom gratuito, outorgado àqueles que o impetram com as disposições necessárias. Isto nos auxilia a compreender a origem sublime do amor incomparável da Virgem.

E é comunicado a Maria - segundo diz o eloqüente bispo de Meaux - um raio de Sua fecundidade, que Lhe comunicou Deus o dom de Seu amor. "Daí é que nasceu o amor, diz-nos ainda Bossuet, Deu-se uma efusão do coração de Deus no Seu próprio coração, e o amor que Ela tem a Seu Filho, esse lhe é dado pela mesma fonte que Lhe deu o Seu Filho único". (Bossuet: ibidem)

Que intensidade não supõe uma tal fonte, sobretudo quando se pode infiltrar em um coração tão admiravelmente disposto, como o coração da imaculada Virgem.

Como calcular a extensão desse amor?...

Dá-nos Santo Alberto Magno uma regra, que nos permite entrevê-lo em parte.

"Quanto mais um coração se esvazia de si mesmo, diz ele, tanto mais cheio será de caridade para com Deus - Ubi major puritas, ibi major charitas". (Sup. Missus est q. 15).

E quem poderá dizer quando Maria foi humilde foi humilde e desapegada de Si mesma e do mundo?... Quem o dirá?... Quem tal fizesse, diria ao mesmo tempo qual foi a extensão de Seu amor.

"O amor divino, diz São Bernardo, feriu, transpassou o coração de Maria Santíssima até à Sua última fibra". Segundo Santo Ildefonso, "o Espírito Santo penetrou Maria com Suas celestiais chamas, assim como o fogo penetra o ferro de modo que nada se vê e nada se sente nela, que não seja o fogo do amor divino". (De Ass. 5. I)

E, pois com muita razão, conclui São Bernardo, que São João A viu sob o emblema de uma mulher revestida do sol, pois Ele foi tão estreitamente unida a Deus, que nenhuma outra criatura a poderá jamais igualar". (In sig. m)

Concluamos, pois, dizendo com Santo Alberto Magno: "Tornando-Se Mãe de Deus, a gloriosa Virgem ficou repleta, por assim dizer, de toda caridade, de que nesta vida era capaz uma simples criatura". (Sup. missus, q. 61, parte 2)

"Esta caridade ardente tornou Maria tão bela aos olhos do Senhor, observa santo Tomás de Vilanova, que, arrebatado de amor por Ela, Ele desceu do céu para o Seu seio, e revestiu-Se de nossa humanidade". (In nat. Dom. conc. 4) Daí, esta exclamação de São Bernardino:

"Ó poder da Virgem, uma filha da terra tocou e arrebatou o coração de Deus".
(Pro festo B.Virg., q. 61,2)

"Mas, amado de tal modo a Seu Deus, diz Santo Afonso de Ligório, Maria exige de Seus servos, antes de tudo, que amem também a este Deus com todas as Suas forças". É o que ela recomendava um dia à bem-aventurada Ângela de Foligno, que acabava de comungar: "Ângela, sê bendita de Meu Filho, lhe dizia Ela, age, porém, de tal modo, que O ames tanto quanto o podes". (Boll: 4 de junho, c. q) Ela também disse a Santa Brígida: "Minha filha, se tu queres apegar-te a Mim, ama ao Meu Filho - Si vis me tecum devenire, ama Filium meum".

De fato, Maria não guarda para Si o amor que Lhe consagramos. Ela sabe que Ela não é o fim, mas sim, o meio. Por isso, cada vez que Lhe chamamos "Maria", Ela repete: "Jesus", diz o bem-aventurado de Montfort.

Ela não deseja que nós A amemos, senão para nos fazer amar cada vez mais ao Seu divino Filho.

Ela não é Rainha senão por ser Mãe e Filha do Rei.
Ela não é "amante das almas" e "arrebatadora dos corações" senão para conduzi-las e uni-las a Jesus, e para dar jesus àqueles que A amam.

Ó irmãos queridos em nossa doce Mãe, quereis amar a Jesus?... Quereis amá-lO muito? amá-lO ardentemente, apaixonadamente?...

Amai a Maria!

Não merece todo o vosso amor aquela que tanto amou a Deus e O amará, e cujo amor se confunde de certo modo com o amor de Deus?

(Por que amo Maria, pelo Pe. Júlio Maria, edição de 1945, continua com o post: As causas deste amor)

PS: Grifos meus.
PS2: Conferir demais posts deste livro aqui
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