sexta-feira, 6 de agosto de 2010

I - A OBRA-PRIMA DO AMOR

A BELEZA DE MARIA
II PARTE


I - A OBRA-PRIMA DO AMOR

Trataremos agora de uma matéria tão delicada quão consoladora!

O coração, isto é, a sede de amor, da bondade, da ternura, da misericórdia! Coração de Maria, isto é, o amor mais inefável, a bondade sem limites, a ternura mais expansiva, a misericórdia mais universal que jamais houve.

Como tratar tal assunto?...

Meu Deus, bem o sinto, só de joelhos podemos falar de tais belezas, com o coração elevado, bem alto, acima de todas as belezas da terra. Precisava ser ao mesmo tempo poeta e cantor, teólogo e santo!

De tempos em tempos produziu a humanidade seres extraordinários, figuras doces e radiosas, que apareciam como que banhadas em atmosfera de caridade terna e forte.

Mas, quando procuro um ponto de comparação para fazer uma idéia da beleza do coração da Mãe de Deus, sinto pulsar o meu próprio coração, sinto um como relâmpago iluminar a minha inteligência, mas tornar-se-me impossível formular as minhas impressões, que parecem congelar-se na ponta de minha pena.

Ó impotência da palavra humana e dor de um coração que ama e não sabe expressar o seu amor!

O coração de Maria é o amor, diria logo, e mais até que o amor, se alguma coisa pudesse ultrapassar o amor!

Que é o amor de uma mãe?... E quem jamais sondou o coração materno?... Quem compreendeu até hoje as riquezas do coração de Maria?... Só a própria Mãe de Deus compreenderá tudo o que Deus nEla depositou de riquezas, assim como tudo o que nEla acumulou de ternura e virtudes.

Aquele que A formou já antevia a Sua profundeza, assim como perscrutou os imperscrutáveis abismos.

"Querendo Deus exprimir a ternura de Seu amor para com os homens, diz Santo Afonso de Ligório, julgou que o melhor modo de no-la fazer compreender seria comparar-se a uma mãe: 'Poderia, diz ele, uma mãe esquecer o seu filho?'"

E, no entanto, o amor de todas as mães do mundo seria incapaz e impotente para salvar uma só alma. Entretanto, havia Deus decretado que um coração de mãe seria a fonte da salvação, não só de uma alma, mas de todas. Onde encontrar, pois este coração?

Ele devia ser tão misericordioso, que nenhuma ingratidão o pudesse vencer; tão bom, que miséria alguma o pudesse contristar; tão amante, que nenhuma alma pudesse escapar aos seus convites; tão santo, que pudesse merecer a redenção; tão grande, que pudesse conter todas as graças; tão elevado, que fosse a escada do Céu; tão agradável a Deus, que sempre pudesse aproximar-se do Seu trono; tão poderoso, enfim, sobre o coração de Deus, que não pudesse receber a mínima recusa!

Pois bem! Esta obra-prima incomparável saberá Deus encontrá-la nos tesouros de Sua sabedoria e de Sua bondade, e o Filho de Deus se tornará filho de de uma mulher, que havia chegado ao grau supremo do amor, mostrar-lhe-Á o Homem e lhe dirá: "Mulher, eis aí o Vosso Filho". Amai-O como me amastes".

Deste modo o coração de Maria recebe a missão de ser como que o centro da afeição de todos os filhos de Deus, de unir como em um feixe único as ternuras de seus corações para os oferecer ao Altíssimo.

Tornar-se-á assim a mediadeira entre Jesus e nós, assim como Jesus é o mediador entre o Pai e a humanidade decaída, isto é, Ela será uma digna Mãe de Deus.

E poderia Ela ser não somente uma digna Mãe de Deus, mas simplesmente "mãe", quando o coração é imperfeito?... Uma mãe é mãe mais pelo coração que pela geração. "Desde o instante de Sua Conceição Imaculada, diz Santo Afonso de Ligório, o coração de Maria foi de tal modo tocado e transpassado de amor, que parte alguma nele ficou sem que fosse abrasada."

Mas este fogo sagrado cresceu além dos limites, quando esta Virgem tão pura se tornou mãe e, mais ainda, Mãe de um Deus.

O amor das outras mães é dividido entre vários filhos, ou então se expande sobre outras criaturas.

Maria Santíssima, porém, não terá senão um Filho, e este Filho será incomparavelmente mais belo do que todos os demais filhos de Adão, será extremamente amável, pois todas as qualidades que O fazem amar; será obediente, virtuoso, inocente, santo, em uma palavra, será perfeito.

Além disso, o amor desta Mãe de nenhum modo abrangerá outros objetos; sobre este Filho único Ela despositará todas as Suas afeições, e jamais receará amá-lO em excesso, pois este Filho, sendo Deus, merecerá um amor infinito.

Agora, pergunto eu: Quem poderá sondar o coração de uma Mãe de Deus? Quem poderá avaliar o Seu amor?

Pois bem: exultemos de alegria! Jesus Cristo formou especialmente para nós este coração tão amante, e no-lo deu quando disse: "Eis a vossa mãe!"

Depois do coração do Homem-Deus, o coração de Maria é tudo o que há de melhor, mais puro, mais misericordioso, mais belo e, finalmente, tudo o que há de mais grandioso. Junto ao Coração de Deus, do qual não quer a Providência que seja jamais separado, nada de mais central.

"Tudo é para o Filho de Deus e a Sua Mãe" (S.Bernardo. I Sup. Salv. Reg.). Tudo, tanto na terra como no Céu, gravita em torno da Mulher cercada do sol divino, que é o Verbo encarnado. "Com o coração de Jesus, o coração de Maria é o centro do mundo". (Sauvé)

O coração de Maria revela admiravelmente o coração de Jesus, e lhe prepara os caminhos; o amor do coração da Virgem é o raio mais puro da redenção, e o Salvador não podia dar à terra um testemunho mais doce do Seu amor que o coração de Sua Mãe, que se une primeiro ao Seu próprio coração, para em seguida unir-nos a Jesus Cristo.

Primeiramente, o coração de Maria é um coração físico, o Seu coração palpitante de outrora, de tão profundas e puras alegrias, angustiado por inefáveis dores, este coração em que, como em todo o Seu puríssimo corpo, e em Sua alma santíssima, habita sempre a augusta Trindade, com inefáveis complascências.

O coração de Maria é ainda esta faculdade de amar, faculdade que Maria empregou em todo o Seu poder e em toda a Sua delicadeza, o Seu amor imenso que Lhe faz sacrificar para a honra de Deus e para a nossa salvação o Seu Filho adorado.

E não se deve reparar o interior deste amor, simbolizado pelo Seu coração, mas a ele incluir todos os tesouros de luz postos a serviço deste amor.

Para ter a fisionomia completa deste amor materno, seria preciso aproximar o abismo de Suas grandezas do abismo de Suas dignidades e de Seus privilégios e vê-los expandir-se no amor.

Seria preciso contemplar ainda os abismos de Suas virtudes, inspiradas todas pela caridade, os abismos de Suas alegrias penetradas pelo amor, de Seus sofrimentos, oriundos também da exuberância do Seu amor.

Então ter-se-ia o íntimo desde "Coração-Sol", como o chamou Paracelso, e compreender-se-ia que, depois do coração de Jesus, nada é mais capaz de comover-nos que o coração de Maria, tanto mais que neste coração todas estas maravilhas e todos estes mistérios de vida nos são mostrados como orientados para a manifestação suprema de Sua caridade para com Deus e para com os homens, isto é, a Cruz.

A este respeito é perfeito o paralelismo entre o coração de Jesus e o coração de Maria.

Todo o amor de Sua Mãe, e tudo o que resulta deste amor, tende sempre para o sacrifício supremo.

Ó coração admirável de uma Mãe!

Perdoai-me a indiferença passada, ó Maria! Fazei que agora ao menos a beleza inefável de Vosso coração cative o meu; arrastai-o conVosco, pregai-o a Vós, fazei-o gravitar em redor de Vós, assim como gravitam os planetas em redor do sol.

Vós sereis o sol de minha vida, por Vós receberei calor, luz e vida - "Vita, dulcedo et spes nostra, salve !"

(Por que amo Maria, pelo Pe. Júlio Maria, continua com o post: O amor de Deus)

PS: Grifos meus.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...