segunda-feira, 26 de julho de 2010

MARIA RADIANTE DE VIRTUDES

A BELEZA DE MARIA
PARTE VI

MARIA RADIANTE DE VIRTUDES


"Assim como o sol eclipsa todos os astros noturnos,
pelos seus raios ofuscantes, diz São Boaventura,
Maria ultrapassa a todos os demais eleitos em graça e em virtudes".

Teremos nós dito tudo o que diz respeito à beleza da alma de Maria?

Em substância, sim, já dissemos tudo. Em seus pormenores, porém, a graça, para ser coroada de glória, deve transformar-se aqui na terra em virtudes, como a água, para tornar-se nuvem, deve passar pelo estado de vapor, assim como a árvore ou a planta, para produzir a semente, deve primeiramente cobrir-se de abundantes flores.

"Maria", cheia de graça", não é, pois, "cheia de glória", senão porque é também "cheia de virtudes". Graça, virtude e glória são, de fato, as três etapas da felicidade eterna.

É que a graça não é uma coisa morta, mas uma luz, um impulso, um anelo, que afasta a substância de nossa alma, obriga-a a agir, a impele para fora de si mesma e a eleva para Deus.

A graça faz tudo isso!

E o que não teria feito esta plenitude de graças em Maria?...

Quantas virtudes heróicas e doces não A teriam impelido!...

Maria é bela, toda bela, porque a incomensurável grandeza que A elevou a Deus, se baseia nas graças mais raras. Com a graça a grandeza é mais característica; com a grandeza a graça é mais graciosa.

A beleza incomparável das montanhas, com as frondes altivas, flancos convulsos, os cimos embranquecidos de neve,  reside neste eterno contraste da grandeza que se eleva e tudo afronta, assim como a beleza das graças se compõe de condescendências e fraquezas aparentes, que sobre seus flancos se lançam, assim como a seus pés, e sobre os cimos.

As orlas destes fantásticos rochedos se cobrem de musgos floridos, de pequenas e verdejantes violetas, que são como um sorriso, uma graça florescente, e dão à grandeza este beleza que atrai, suaviza e encanta.

Assim Maria, tão real, tão elevada, tão divina, era doce, humilde, de virginal modéstia, repleta de ternura, de amor, transbordante de todas as virtudes.

Para compreender o número, a extensão e a intensidade das virtudes praticadas pela Virgem santa, seria, pois, necessário compreender o número, a extensão e a intensidade das graças que Lhe foram concedidas.

Experimentemos já formar uma imagem a Seu respeito. Escutemos Santo Antonino resumi-la em quatro palavras:

"Em primeiro lugar Ela possui todas as graças gerais e especiais de todos os santos, em um grau supremo. Em segundo lugar, Ela teve graças que jamais foram concedidas a natureza alguma. Em terceiro lugar, várias dentre estas graças eram tão sublimes, que criatura alguma era capaz de receber maiores, por exemplo, a maternidade divina. Em quarto lugar, Ela encerra em Seu seio virginal a graça incriada, fonte de todas as graças, abismo das grandezas - o próprio Deus". (Summum. P.4, tít. 15, c. 20,15)

1. Maria praticou todas as virtudes, de todos os santos, em grau supremo.

2. Ela elevou a heroicidade de Suas virtudes a um grau de intensidade jamais alcançado por santo algum.

3. Todas as Suas virtudes foram tão sublimes, que nenhuma outra criatura seria capaz de alcançá-lA.

4. Encerrou em Seu seio o foco e o modelo de todas as virtudes, a própria virtude, a ponto de Ela mesma tornar-se "toda virtude".

Exalta-se a justiça de Noé,  fé de Abraão, a castidade de José, a paciência de Jó, e Maria reuniu as virtudes de todos os patriarcas, e de tal modo, que Ela foi o modelo acabado de cada uma delas.

Deus derramou a mãos cheias Suas riquezas neste vaso de alabastro.

Ela não foi privada nem mesmo dos dons, que, segundo o apóstolo, são essencialmente conferidos para o bem do próximo, como sejam o conhecimento das línguas, a inteligência das Escrituras, o espírito profético, etc...

Uma das virtudes que mais distinguem a gloriosa Virgem é a Sua incomparável humildade.

"A graça santificante, diz São Bernardino de Sena, cumulando-A de todas as virtudes, aprofundou a Sua alma, desde o princípio, no abismo da humildade... A ninguém foi concedido, como a esta Virgem bendita, verificar melhor o nada que é a criatura, humilhar-se tão profundamente e aniquilar-Se tão completamente sob a vontade da Majestade divina".
(De concep. B. Virg. Art. I, C. 3)

"Vede, diz ainda o mesmo santo, como em santa emulação lutam na Santíssima Virgem a humildade e a bondade de Deus. Maria se humilha e Deus Se compraz em elevá-lA. Não basta a Maria humilhar-Se de um modo comum, mas Ela Se abisma na mais profunda humildade"
(De Assumpt. Art. 2. C. 2)

Foi dado à irmã Paula de Foligno compreender, em um êxtase, qual havia sido a humildade da Santíssima Virgem. Em seguida, querendo contar ao seu confessor o que ela havia visto, não soube, em seu espanto, senão exclamar: "A humildade de Maria!... a humildade de Maria! Ah! meu padre, não existe no mundo nem sequer o menor grau de humildade que se possa comparar com a humildade de Maria".

Um dia fez Nosso Senhor ver a Santa Brigida duas senhoras, dentre as quais uma não era senão fausto e vaidade, dizendo-lhe ao mesmo tempo: "Eis o orgulho!" Mas a outra, cabisbaixa, que se mostra muito respeitosa e considera-se um nada; "eis a humildade, lhe diz ainda, e esta última se chama Maria".

Por este meio quis Nosso Senhor fazer-nos compreender que a Sua bem-aventurada Mãe podia, tão grande era a Sua humildade, ser considerada como a humildade em pessoa.

"De fato, diz São Gregório de Nissa, a humildade é entre todas as virtudes talvez a mais custosa na prática à nossa natureza corrupta pelo pecado. Mas é preciso tirar dela o nosso proveito, diz Santo Afonso de Ligório (Glórias de Maria: Virtudes de Maria). Se não formos humildes, jamais seremos filhos de Maria. Daí esta palavra de São Bernardo: 'Se não sabeis, como o fez Maria, abraçar a virgindade, é preciso que, ao menos, a exemplo da Virgem Maria, pratiqueis a humildade'. - Si non potes virginitatem humilis, imitare humilitatem Virginis".
(De laud. B. Virg. hom.)

Tudo o que nos dizem os santos a respeito da humildade da Santíssima Virgem deve-se entender como dito de todas as virtudes, pois Ela praticou-as todas em grau heróico. É o que Lhe valeu o título que a Igreja Lhe confere: "Rainha de todos os santos", o que equivale ao título de Senhora de todas as virtudes.

"Assim como o sol eclipsa todos os astros noturnos, pelos seus raios ofuscantes, diz São Boaventura, Maria ultrapassa a todos os demais eleitos em graça e em virtudes".

E nós, que aspiramos a um dia fazer parte desta gloriosa falange dos santos, quão grande e intenso amor devemos ter para com aquela que será o nosso modelo e nossa Rainha!...

(Por que amo Maria, pelo Pe. Júlio Maria, continua com o post: Deus, enamorado da beleza de Maria)

PS: Grifos meus.
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