segunda-feira, 5 de julho de 2010

ESPECIAL: A beleza de Maria

Nota: Transcreveremos aos poucos o belíssimo livro: Por que amo Maria, pelo Pe. Júlio Maria. Começaremos pelo capítulo: A beleza de Maria. E suplicamos a Sua proteção para  este modesto apostolado que neste mês fará 1 ano de existência.

A BELEZA DE MARIA


Introdução

Importa considerarmos atentamente este grande e irresistível motivo de amor a doce e imaculada Virgem Mãe, porque nEla se encontram como que acumuladas todas as belezas da alma, do coração, do espírito e do corpo – “facie pulcherrima, mente integerrima et spiritu sanctissima”, diz S. Boaventura. (Speculum B.Virginis)

De fato, Maria Santíssima, a mais santa das criaturas, é também a mais bela, em razão da identidade do Bem e do Belo.

Mas, como falar desta beleza, que é mais do céu que da terra?... Assunto bem difícil, mas que, entretanto, precisamos tratar.
E, em frente a tais assuntos, lamentamo-nos, devido à impotência da palavra humana, incapaz de exprimir as nossas concepções mais puras e mais entusiásticas.

A arte não é feita para ti; tu não tens necessidade dela”. A beleza da Virgem é uma poesia, mas quanto ela difere da poesia humana!...

Tirai a esta última a sua forma, e, às mais das vezes, nada lhe fica.

Ao contrário, Maria é bela no interior – bela na alma, que irradia de graças e de virtudes; bela no coração, onde cintila o amor mais puro e mais ardente; bela no espírito, que se eleva nos mais variados e mais sublimes conhecimentos; bela, enfim, no corpo, que reunia em si, como diz Gerson, todos os encantos disseminados nas demais criaturas, em tão elevado grau, que, depois do Filho de Deus, nada se pode imaginar de mais perfeito.
Para termos uma idéia completa sobre essa inefável beleza, é preciso considerar separadamente:

1. A beleza da alma de Maria, ou a graça acumulada, crescente, exuberante que a embeleza e a torna o objeto das complacências divinas.

I – O ideal

2. A beleza do coração de Maria, ou o amor sem igual de que Ela está abrasada para com Deus e para com os homens.


3. A beleza do espírito de Maria, ou os conhecimentos variados e múltiplos da Virgem... irradiação exterior das belezas da alma, do coração e do espírito, através do corpo mais belo e mais puro que jamais houve, depois da humanidade santa do Salvador.


____________________________

I - O Ideal

A verdadeira beleza reside na alma. Só e isolada da beleza interior, a beleza vivel é excessivamente vã, frágil e mesmo perigosa, desde o pecado, para ser digna de atrair os olhos  criados para contemplar a Deus.

Há coisa melhor que a beleza física do semblante, pois há uma beleza moral, um esplendor das almas. Desde que o pecado perverteu o gosto do homem - ó coisa lamentável! - a beleza unicamente exterior não é mais que um atrativo da volúpia e uma fonte de desordens.

O mundo não sabe mais elevar-se acima do que o adula, para se elevar até ao Autor de toda beleza, e é nisto que consiste a sua miséria, sua dolorosa degeneração.

É por isso que se deviam antepor aos seus olhos, mais vezes e com mais instância, visões feitas de luz, de heroísmo e de pureza.

Da visão ao amor há apenas um passo, e o amor dirigido para o ideal divino, para a beleza moral, é o começo da regeneração e da santidade. O ideal da beleza absoluta só existe em Deus, pois só nEle se encontram, em todo o Seu esplendor, o "Verdadeiro" e "Bom", que, sem ser a essência do "Belo", são, entretanto, duas partes constitutivas, de tal modo que sem "Verdade" e sem "Bondade" a beleza não pode existir.

Difícil seria dizer precisamente em que consiste a beleza.

É uma certa relação uma graça, uma harmonia de natureza, um não sei que, que todo mundo conhece e que se não pode ver sem amar.

O céu é a pátria do "Belo". - É sua morada, e aí pode o homem contemplá-lO a descoberto... ofuscar-se à Sua visão... lançar-se nEle... e dEle viver!...

Aqui na terra não possuímos mais que uma débil irradiação desta inefável beleza nas criaturas. Mas Deus não se contentou com isso. Querendo fazer-nos entrever este Belo infinito e essencial, que a alma nem sequer tinha suspeitado, abriu-se o céu por um instante para encantar o mundo com o seu ideal.

E era esta manifestação divina que fazia brotar do peito do imortal gênio de Hipona, Santo Agostinho, este brado de saudade e de deslumbramento: "Ó beleza sempre antiga e sempre nova, quão tarde eu te conheci, quão tarde eu te amei!"

"O belo essencial, disse Lamennais, é Cristo, em quem o ideal existe em seu mais alto grau. O Criador e a criação nEle são ao mesmo tempo distintos e inseparáveis - Aquele incorporado em Sua obra, esta espiritualizada em seu exemplar eterno. É o Belo completo, o Belo em suas relações com o Verdadeiro e com o Bom". (Esboço duma filosofia, III, p. 130)

Daí provêm os dois caracteres distintos do Belo, cuja idéia não era conhecida pela antiguidade: - o infinito e o amor.

O Cristo é o infinito em perfeição. - Ele é o amor. É Deus sensível ao coração... - Deus amado como Homem, com o infinito de Deus. Mas como desceu esta beleza infinita até nós?

- É a grande pergunta que se deve fazer depois de cada um dos mistérios com que aprouve ao céu cercar-nos. Como?... - Por Maria: - "Mariae de qua natus est Christus".

Este belo é uma flor, e Maria é a sua haste! É Ela que O recebeu, tal qual Ele é em si mesmo, nesta beleza essencial e incriada que extasia os anjos e o próprio Deus, que reluz através de todas as maravilhas da natureza.

Maria tornou-se, como diz São Tomás, "A arca do Ideal!"

Por isso mesmo, dia o autor da "Virgem Maria", Maria é a obra prima deste Belo que se reproduziu nEla. Porque como Ele veio para se reproduzir nas almas, pela virtude sobrenatural de Sua graça, inerente à Sua encarnação, a primeira alma que Ele havia embelezado é a da Virgem, em que Ele se fez carne.

Eis por que, antes mesmo de descer nEla, preveniu-A com Suas graças, preservou-A com a arte de um Deus e todo o amor de um Filho, como o Seu tabernáculo, com a substância de que Ele mesmo queria ser feito.

Ela era desde então "cheia de graça".

E qual não devia ser Sua beleza, para que a natureza angélica se inclinasse diante dEla, e que o próprio Deus, na admiração de Sua obra, exclamasse, à Sua vista: "Tota pulchra es, amica mea, et macula non est in te!" - Sois toda bela, ó minha amiga, e mácula alguma há em Vós!"

Já que chamamos Maria de "Santidade criada", podemos também chamá-lA a beleza criada, isto é, a beleza por excelência entre todas as belezas criadas, desde a flor dos campos até ao serafim, não sendo sobrepujada senão pelo belo infinito e criador, que foi aqui na terra o fruto da virgindade, e que, saindo dEla, deixou-Lhe Sua forma  de todas as belezas que Ele semeou em todo o universo.

Mas em que consistia esta beleza de Maria?...

"Consistia, diz o P. Binet, numa espécie de combate da natureza e da graça que entre si rivalizaram em enriquecê-lA e orná-lA de seus mais belos adornos".

"Afirmamos audaciosamente, diz Santo Alberto Magno, que a Virgem ultrapassou em graça e em beleza a todas as mulheres, pois possuiu em supremo grau a perfeição de que foi capaz um corpo mortal e que a natureza nada podia fazer de mais excelente".
(Quaest. sup. missus est, 15, 3)

"Convinha, e este é o pensamento de Dionísio o Cartucho, que o Filho de Deus e a Mãe de Deus fossem dotados, no mais eminente grau, de todas as perfeições da natureza e da graça: - o Filho, por causa de Sua união hipostática à divindade; a Mãe, por causa da união com Deus, a mais estreita depois da que é própria ao Seu divino Filho".
(De laud. excell. B. Virg., T. I, lib. 6, C. 9, n.18)

A beleza exerce sobre os homens um império soberano. Longe, aqui, as belezas profanas! Trata-se da beleza da alma, cujo irradiamento sobre uma fronte humana desanima o artista, maravilha os próprios anjos.

Maria é a criatura que mais se aproxima da beleza de Deus e que dEle trouxe o reflexo mais puro. Convinha que a Mãe do nosso Pontífice fosse como Ele "santa, inocente, imaculada, separada dos pecadores e mais elevada que os céus".

Era necessário ao novo Adão, como o fora ao primeiro, "uma auxiliar semelhante a si mesmo". Era necessária a plenitude de vida, de vida natural e de vida sobrenatural; era necessária a beleza encantadora! Como outrora, após Jesus, "todo mundo vai após Ela".

Beleza radiante! - Ela embeleza a religião e a Igreja.
No Credo Seu nome esparge como que um sorriso sobre os demais dogmas.
Seu exemplo, Sua ação nas almas faz florescer na Igreja as mais belas e heróicas virtudes.

Sem Ela a Igreja seria "como um ano sem o mês de maio".

É da alma, sobretudo, que vem a beleza. E é a graça que dá à alma seu aparato e seu brilho, de tal modo que as almas mais favorecidas da graça divina são, por isso mesmo, as mais belas.

Sigamos um instante esta maravilha da graça em Sua Conceição e em Seu contínuo crescimento - crescimento da graça, da glória e das virtudes.

Tantos abismos insondáveis, sem dúvida, mas cuja vista, não poderá senão deslumbrar nossos corações.

Ó Maria, aqui na terra o homem vai empós da beleza, para dar-lhe seu coração e suas afeições, deixa-se ofuscar por um pequeno raio, por uma sombra que passa! Por que não se apegaria ele ao contemplar-Vos... como o seu coração se dilataria a este espetáculo, como se encheria deste amor puro, ardente, forte como a morte, que Vossa beleza faz nascer em todos aqueles que A contemplam!...

(Por que amo Maria, pelo Pe. Júlio Maria)

PS: Grifos meus.
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