quarta-feira, 30 de junho de 2010

Hora Santa de Julho

Hora Santa de Julho
Pe. Mateo Crawley-Boevey


Mil vezes felizes os desgraçados que, ao dobrar um caminho estreito, se encontraram a sós com Jesus!... Que bem puderam, esses ditosos afligidos de Jerusalém, de Naim ou Betânia, desafogar a alma nesse celestial instante, com liberdade de súplica e pranto, no coração de Jesus!...

Assim nos encontramos conVosco nesta Hora Santa venturosa, Jesus de Nazaré e do Sacrário, assim!... Olhai-nos: os que aqui estamos somos cabalmente esses ditosos azarados que viemos em busca de Vós, para nos esquecer, por um momento, de nós, aqui a Vossos pés, à Vossa sombra deliciosa. Viemos só por Vós, chegamos em Vossa defesa, porque um clamor de raiva e de blasfêmia nos advertiu que Vossos carrascos não se dão trégua com o propósito de Vos desterrar da sociedade e das almas. E se haveis de sofrer, se haveis de agonizar, se haveis de morrer, Jesus, eis aqui o rebanho que quer ser ferido ao lado e por causa do pastor!

Vós o dissestes com amargura de alma à Vossa serva Margarida...: “Quero compartilhar minha agonia, tenho necessidade de corações vítimas!” Disponde, pois, de todos estes, Senhor: amamo-Vos muito, amamo-Vos todos...

(Breve pausa)

Retrocedei, Jesus, o véu de Vosso peito, o Santo dos Santos, e consenti que Vossos filhos contemplemos, nesta Hora Santa, a paixão e ultraje, a dor da sentença dos mesmos que resgatastes com Vosso sangue... Fazei à luz nesse Tabernáculo e permiti-nos seguir-Vos, passo a passo, nesta incruenta Via Dolorosa, que começa nas sombras do Getsêmani e terminará, unicamente, no derradeiro ocaso da Terra... E ainda que não sejamos dignos, permiti que estes confidentes e consoladores Vossos, participemos do cálice de Vossos opróbrios e agonias... Deixai-nos, oh amável Prisioneiro do altar!, um só e único direito: amar-Vos na ignomínia de Vossa Cruz, nos unir na Hora Santa à Vossa agonia, amar-Vos até à morte e morrer amando com delírio a loucura o Getsêmani incessante de Vosso Coração Sacramentado...

(Peçamos luz e amor para contemplar a Jesus Cristo na misteriosa paixão de Vosso Sacrário).

Jesus.

(Pausa)

Vivo, alma querida, envolto no silêncio e mudo, porque estou, aqui onde me vês, perpetuamente encadeado ante os modernos Herodes da terra... Não ouves como se levanta até ao céu seu insolente interrogatório, a Mim, que sou o poder, a verdade e o único Mestre?... calo por teu amor, pensando em ti, a quem redimo com a condenação ignominiosa dos governantes... juízes dos homens, mas não de minha doutrina... Oh!, eles ambicionam autoridade de tirania para descarregá-la em Mim, e Eu sou sua perpétua vítima... Para eles o trono..., para Mim o trono da vergonha...; para eles o cetro de ouro... e Eu sempre com o cetro da zombaria...; para eles cortejo de aplausos e incensadores...; para Mim a côrte do desprezo e os carrascos...; para eles diadema e homenagens...; para Mim uma coroa de espinhos..., para Mim o esquecimento, sempre o esquecimento!

E, se alguma vez, recordam a este Rei nas alturas fictícias da terra, somente meu Nome atrai a tempestade do ódio, a perseguição e a blasfêmia... Aqui me tens, posto em roupas de réu por um mundo que vive de meu alento... Emudeço porque no Sacrário sou a encarnação da misericórdia e do amor... E esse desacato à minha soberania, o desconhecimento de minha realeza nas leis que regem os povos, é o ultraje direto, blasfemos, à minha pessoa, a Mim, que vivo abatido, sacramentado entre os humanos. Essa injúria é o desafio a este Jesus-Eucaristia, que te fala desde um altar, convertido com freqüência no pretório de Pilatos...

Aqui, alma consoladora, aqui no Tabernáculo, recebo manso as afrontas do escravo e a sentença do vilão...; daqui, deste calabouço, em que vivo perdoando, Me tiram unicamente quando os tribunais da terra decretam Me flagelar, para Me apresentar logo, ensangüentado, às iras populares... Como se sente aliviado meu Divino Coração com vosso desagravo!... Esse escárnio dos poderosos, o compensa nesta Hora Santa o amor ardente dos meus...; o reparais vós, os ricos humildes e os pobres resignados... Desde aqui, desde o altar, Eu vos bendigo amigos fidelíssimos... Por isso, falai, meus filhos, exigi milagres de meu amor, vós, os predestinados de meu Coração... Falai, sou o Rei das misericórdias infinitas.

(Pausa)

A alma. Senhor Jesus, Vossa alma enternecida pela adesão deste rebanho pequenino, nos oferece agora milagres e perdão. Oh!, sobretudo, o mundo dos poderosos, dos governantes e dos ricos, necessita o grande prodígio de Vossa luz, necessita conhecer-Vos, Senhor Sacramentado, conhecer-Vos nessa Hóstia, e aceitar desde aí a imposição de Vossa realeza salvadora.

Pela afronta, pois, que padecestes ante o iníquo Herodes, na mansão dos que se chamam magnatas da terra:

(Todos, em voz alta)

Cumpri Vossas promessas de vitória, oh Divino Coração!

No santuário das leis e nos tribunais tão falíveis da justiça humana...
Cumpri Vossas promessas de vitória, oh Divino Coração!

Na consciência daqueles que influem nos destinos dos povos...
Cumpri Vossas promessas de vitória, oh Divino Coração!

Nos conselhos de tantos governantes, levantados em oposição a Vosso Calvário...
Cumpri Vossas promessas de vitória, oh Divino Coração!

Nas sedições populares explodidas em ultraje a Vossa doutrina redentora...
Cumpri Vossas promessas de vitória, oh Divino Coração!

No jogo de tantos interesses de soberba e de fortuna, dos azarados gozadores da terra...
Cumpri Vossas promessas de vitória, oh Divino Coração!

No satânico complô, estourado com sigilo, em ruína de Vosso sacerdócio e de Vossa Igreja...
Cumpri Vossas promessas de vitória, oh Divino Coração!

Na imprudente segurança de tantos bons, na apatia e indolência dos que quiseram adorar-Vos, mas longes do Calvário...
Cumpri Vossas promessas de vitória, oh Divino Coração!

Na ambição desenfreada de ganhar alturas e dinheiro, à custa de Vosso sangue e da condenação eterna de tantas almas infelizes...
Cumpri Vossas promessas de vitória, oh Divino Coração!

Jesus. Eu sou a santidade, assim m’O dizeis vós, de joelhos ante esta Hóstia, assim m’O canta o céu, que repete neste templo o clamor da Hora Santa... Sim, Eu sou a santidade, e fui trocado, no entanto, pelo assassino Barrabás... Ah, e ainda sou preterido, muitas vezes, por ódio, por desdém e por esquecimento!...
(Pausa)

Que angustia tão cruel a de meu Coração, vexado nesta afronta! Eis-Me aqui, oculto num Sacrário...; sou Jesus, o Deus da humildade... O mundo vão vive de soberba, e não perdoa que Eu seja nazareno escondido, nascido num estábulo... Vede como passam as almas orgulhosas por diante de meu altar, como vão desoladas, sedentas de ostentações, ambicionando estimação e aplausos... Passam... e Me pospõem a uma honra falsa... Nesta penumbra de meu templo, vivo relegado; desde aqui vou pregando estas palavras; “aprendei de Mim, que sou humilde e pobre”.

Ah, sim, sou pobre!, pois entreguei os tesouros da terra para vos abrir a vós a imortalidade do paraíso... Sou pobre, sou mendigo...; por isso vivo desdenhado do grande mundo, que necessita do ouro, e se não o tem, de seu brilho mentiroso... O que valho Eu para ele, entre as palhas de Belém, na obscuridade de Nazaré, nudez e abatimento do Calvário e da Eucaristia?

Que amarga decepção!... Me fiz pobre por amor..., e sou um pobre repudiado, posposto à fortuna miserável deste mundo.

(Breve pausa)

Estou chagado... Minhas mãos, que chamam e bendizem, estão atravessadas...; Meus pés, feridos...; Minha frente, destroçada; lívidos, Meus lábios; sem luz, Meus olhos...; ensangüentado o corpo...; aberto, como larga ferida, o peito apaixonado... Ah, como tremem os mortais ao ver a este Deus perpetuamente ensangüentado!... Eles quiseram as delicias de um Éden antecipado no deserto... Quem me pôs assim?... O amor que vos tenho... Assim estou, assim vivo no Sacrário, oferecendo paz e céu, mas entre espinhos e na Cruz...

E onde estão os amigos, os crentes, os discípulos?... Onde?... Se foram..., Me deixaram, em busca de prazeres; Me legaram ao lodo da culpa... Barrabás, o vilão, vai triunfando pelo mundo, e atrás dele, os soberbos convencidos, os de costumes levianos; atrás de Barrabás, aclamando-o em sua liberdade e em seu delito, os licenciosos, os corruptores da infância, os que mentem aos povos, os que envenenam pela imprensa... Vitorioso Barrabás, lhe dão vitória todos aqueles que me renegam e maldizem nas leis, os políticos que sobem, cuspindo-Me no rosto sua blasfêmia...

Todos estes vão ufanos, livres; o mundo lhes joga flores...; para eles palmas de vitória... E aqui, em Meu solitário Tabernáculo, Eu, Jesus, atado por amor, abandonado pelos bons, negado pelos débeis, esquecido dos demais..., condenando pelos governantes, flagelado pelas multidões desencadeadas contra Mim... Eu amei aos Meus, sobre todas as coisas do céu e da terra..., e os de Meu próprio lar Me pospuseram ao pó..., ai!, ao lodo dos caminhos... Decidi vós, Meus amigos, se há afronta mais ardente que a Minha!... Considerai e vede se há dor semelhante a esta dor!...

(Pausa)

A alma. O discípulo, Jesus divino não há de ser mais que seu Mestre... Vós, que nos deu o exemplo, quereis que, seguindo a Vós, nos neguemos, levando com amor a Cruz que salva... Vo-lo pedimos nesta Hora Santa, com a caridade ardente de Maria Dolorosa, Vo-lo exigimos para Vosso consolo e para a Redenção dos pecadores, com o entusiasmo de Margarida Maria; sim, nos abraçamos à Cruz pelo triunfo de Vosso Coração na Santa Eucaristia... Escutai-nos, Jesus, nesta Hóstia...; vamos oferecer a Vós a prece de Getsêmani, que é a oração de Vosso sacrifício de aniquilamento no altar. Ouvi-nos, benigno e manso.

(Cortado e lento)

Amamo-Vos, Jesus; concedei-nos a glória de sermos preteridos, por Vosso entristecido Coração.

Amamo-Vos, Jesus; outorgai-nos a dita de sermos confundidos, por Vosso amargado Coração.

Amamo-Vos, Jesus; concedei-nos a graça de sermos desatendidos, por causa de Vosso misericordioso Coração.

Amamo-Vos, Jesus; outorgai-nos a honra imerecida de sermos zombados, por Vosso angustiado Coração;

Amamo-Vos, Jesus; concedei-nos a recompensa de sermos desprezados, pela glória de Vosso ferido Coração.

Amamo-Vos, Jesus; outorgai-nos a distinção preciosa de sermos injuriados, pelo triunfo de Vosso Sagrado Coração.

Amamo-Vos, Jesus; concedei-nos a fruição incomparável de ser algum dia perseguidos, pelo amor de Vosso Divino Coração.

Amamo-Vos, Jesus; outorgai-nos a coroa de sermos caluniados, no apostolado de Vosso Sagrado Coração.

Amamo-Vos, Jesus; concedei-nos a amável regalia de sermos traídos, em holocausto a Vvosso Divino Coração.

Amamo-Vos, Jesus; outorgai-nos a honra de sermos aborrecidos, em união com Vosso agonizante Coração.

Amamo-Vos, Jesus; concedei-nos o privilégio de sermos condenados pelo mundo, por vivermos unidos a Vosso Sagrado Coração.

Amamo-Vos, Jesus; outorgai-nos a amargura deliciosa de sermos esquecidos, pelo amor de Vosso Sagrado Coração.

Oh, sim!... Suplicamo-Vos: dai-nos a parte que de direito nos corresponde nos vilipêndios e agonias de Vosso Coração Sacramentado... Consolai-Vos, Mestre... cada um destes, pondo em Vosso Lado aberto uma palavra de humildade e confidência, Vos protesta, que Vós sois a única fortuna e seu único paraíso...

(Breve pausa)

Que tenho eu, oh, Divino Coração!, que Vós não me haveis dado?

Que sei eu, que Vós não me haveis ensinado?

Que valho eu, se não estou a Vosso lado?

Que mereço eu, se a Vós não estou unido?

Perdoai-me os erros que contra Vós cometi.

Pois me criastes sem que o merecesse.

E me redimistes sem que Vo-lo pedisse.

Muito fizestes em me criar.

Muito em me redimir.

E não sereis menos poderoso em me perdoar...

Pois o muito sangue que derramastes,

E a acerba morte que padecestes,

Não foi pelos anjos que Vos louvam,

Senão por mim e demais pecadores que Vos ofendem...

Se Vos neguei, deixai-me reconhecer-Vos,

Se Vos injuriei, deixai-me louvar-Vos,

Se Vos ofendi, deixai-me servir-Vos,

Porque é mais morte que vida a que não está empregada em Vosso santo serviço.

(Pausa)

Jesus. Posto que vós que estais aqui comigo sois meus íntimos, deixai que em vós desafogue Meu Coração, tão amargurado...; ouvi-Me. Há nEle uma pena funda, uma ferida que chega até à divisão de Minha alma.
Israel, o povo de Meus amores, Israel pediu a sentença, exigiu Minha morte e levantou a Cruz... Israel, por quem Eu flagelei o Egito, Me flagelou... Despedacei suas cadeias e as pus nas mãos de seu Salvador...; lhe dei maná no deserto e me teceu uma coroa de espinhos...; tirei a água milagrosa da rocha, para aplacar sua sede, e insultou a febre abrasadora de Minha agonia... Baixei do céu, e na arca misteriosas quis morar com eles nos deserto... Quantas vezes os tive protegidos sob Minhas asas!... E vede-Me, ferido de morte por Israel...

Por que Meu povo ainda segue Me despojando de Minha soberania?... Por que ainda segue tirando a sorte sobre Minhas vestes e atirando ao vento do desprezo Meu Evangelho de caridade e de consolo?

Como se agitam as multidões rugindo contra Minha lei!... Como povos inteiros, seduzido pela soberba, romperam a unidade sacrossanta de Minha doutrina, túnica inconsútil de Minha Igreja!... Meu Coração soluça dentro de Meu peito desgarrado, ao ouvir como no átrio de Pilatos, o clamor de tantas raças, de tantas sociedades, que, apontando a Mim neste pobre altar, exclamam: “Não queremos, não, que esse Nazareno reine sobre nosso povo!”. Eu te perdôo, oh, Israel!

(Breve pausa)

Meu Vigário é perpetuamente vítima dessa multidão enlouquecida...; ele é Meu rosto terreno..., nele sigo sendo esbofeteado pelos insultador de Minha Igreja... Esse agravo me é particularmente doloroso; ai daquele que põe a mão no Pontífice, o ungido de Meu Pai!...

Detende seu braço justiceiro..., interponde esta Hora Santa, em união com Meu ultrajado Coração, pois quero fazer piedade... Sim, pela apostasia cruel de tantos povos, pela apostasia pública em tantas sociedades, pela descarada afronta a Meu Vigário, pelo ódio aberto e legalizado a Meu sacerdócio, pela iníqua tolerância e os favores de que gozam todos os modernos sinedristas, por todo esse acúmulo de pecados, por essa plebe e essa côrte que me ferem... com uma só voz e uma só alma, pedi piedade a Meu Coração, pedi-Lhe misericórdia...

As almas. Prisioneiro de amor, Jesus Sacramentado, passe nossas orações as grades de Vosso cárcere, como um incenso de adoração e desagravo, que Vos oferecemos pelas mãos de Maria Imaculada...

Ladainha

Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
Deus, Pai dos céus, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do mundo,
Deus Espírito Santo,
Santíssima Trindade, que sóis um só Deus,

Coração de Jesus, Filho do Pai Eterno,
Coração de Jesus, formado pelo Espírito Santo no seio da Virgem Mãe,
Coração de Jesus, unido substancialmente ao Verbo de Deus,
Coração de Jesus, de majestade infinita,
Coração de Jesus, templo santo de Deus,

Coração de Jesus, tabernáculo do Altíssimo,
Coração de Jesus, casa de Deus e porta do céu,
Coração de Jesus, fornalha ardente de caridade,
Coração de Jesus, receptáculo de justiça e de amor,
Coração de Jesus, cheio de amor e bondade,

Coração de Jesus, abismo de todas as virtudes,
Coração de Jesus, digníssimo de todo o louvor,
Coração de Jesus, Rei e centro de todos os corações,
Coração de Jesus, no qual estão todos os tesouros da sabedoria e ciência,
Coração de Jesus no qual habita toda a plenitude da divindade,

Coração de Jesus, no qual o Pai põe as suas complacências,
Coração de Jesus, de cuja plenitude nós todos participamos,
Coração de Jesus, desejo das colinas eternas,
Coração de Jesus, paciente e misericordioso,
Coração de Jesus, rico para todos os que vos invocam,

Coração de Jesus, fonte de vida e santidade,
Coração de Jesus, propiciação pelos nossos pecados,
Coração de Jesus, saturado de opróbrios,
Coração de Jesus, atribulado por causa de nossos crimes,
Coração de Jesus, feito obediente até à morte,

Coração de Jesus, atravessado pela lança,
Coração de Jesus, fonte de toda a consolação,
Coração de Jesus, nossa vida e ressurreição,
Coração de Jesus, nossa paz e reconciliação,
Coração de Jesus, vítima dos pecadores,

Coração de Jesus, salvação dos que esperam em Vós,
Coração de Jesus, esperança dos que expiram em Vós,
Coração de Jesus, delícia de todos os santos,

Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós.

V. Jesus, manso e humilde de coração,
R. Fazei nosso coração semelhante ao Vosso.

Oração

Deus onipotente e eterno, olhai para o Coração de Vosso Filho diletíssimo e para os louvores e as satisfações que Ele, em nome dos pecadores Vos tributa; e aos que imploram a Vossa misericórdia concedei benigno o perdão em nome do Vosso mesmo Filho Jesus Cristo, que conVosco vive e reina por todos os séculos dos séculos. Amém.

(Pausa)


Jesus. Tudo, em meu amor pelos humanos, está consumado já pela Santa Eucaristia, tudo. Oh! mas a ingratidão humana consumou também Comigo, neste maravilhoso Sacramento, a obra dar dor suprema...

Meus filhos, onde estáveis vós quando no Calvário se Me envolveu no silêncio de uma solidão, mais cruel que a de Minha tumba?... Amigos de Meu Coração, que era de vós quando Meus olhos, nublados pelo pranto derradeiro da agonia, não contemplavam senão semblantes iracundos de verdugos?... Onde estáveis?...

E quando, pensando em vós, os predestinados, tive sede de que consolassem Minha alma, infinitamente angustiada, por que então, se umedeceram Meus lábios, abrasado com fel de ausência... de esquecimento... de covardia..., de tibieza daqueles mesmo que foram os regalados do banquete de Meu lar?...

Bem o sabeis: essa não é, por desgraça, uma história de séculos atrás; contemplai-Me nesta Hóstia, e decidi se a ingratidão não é pão amargo e cotidiano deste Deus feito Pão pelos mortais... Quanto e em que vos contristei cárcere voluntário, para que seleis suas portas com o abandono em que se deixa um sepulcro destruído e vazio?

Oh!, vinde, rodeia-Me, estreitai-vos a Meus pés; quero sentir-vos perto, muito perto, na mística agonia de Meu Coração Sacramentado...

Hora ansiada, Hora venturosa, a Hora Santa, na qual este Deus recobra Sua herança, o preço do Seu sangue!...

Eu vos bendigo, porque tive fome e, deixando o repouso, viestes partir-Me o pão da caridade...; vos considero Meus porque tive sede e Me destes compaixão e lágrimas; vos abraço sobre Meu peito lastimado, porque estive tristíssimo na solidão desta prisão e viestes fazer-Me deliciosa companhia. Em verdade, em verdade, vos digo que vossos nomes estão escritos para sempre com letras de fogo e sangue no mais recôndito de Meu Coração enamorado...

Descansai sobre Ele, como eu descanso agora entre vós, os filhinhos preferidos de Meu amor.

(Pausa)

A alma. Viemos, não para descansar, Mestre, senão para sofrer conVosco, para compartilhar Vosso cálice e para reparar pedindo o reinado de Vosso Divino Coração... Por isso não nos retiramos de Vosso lado, levando-Vos na alma, sem Vos haver confiado antes um anelo ardoroso, o único anelo de Vossos consoladores e amigos... e é dizer-Vos que venhais, que aproximei-Vos triunfador por Vosso Sagrado Coração..., que Vos reveles a estes Vossos apóstolos humildes, porque sentem ardores inefáveis, que só Vossa posse e Vosso reinado podem mitigar. Acedei, pois, Jesus amabilíssimo, e nas naturais aflições e sombras da vida:

(Todos, em voz alta)

Vinde!... sentimos sede de Vosso adorável Coração.

Nos afetos caducos e enganosos da terra...
Vinde!... sentimos sede de Vosso adorável Coração.

Nas desilusões da amizade terrena, nas fraquezas do amor humano...
Vinde!... sentimos sede de Vosso adorável Coração.

Nas seduções brilhantes da vaidade, nos obstáculos incessantes do caminho...
Vinde!... sentimos sede de Vosso adorável Coração.

Nas castas e legítimas alegrias dos lares que Vos adoram...
Vinde!... sentimos sede de Vosso adorável Coração.

Nas veleidades da adulação e da fortuna sedutora...
Vinde!... sentimos sede de Vosso adorável Coração.

Nas horas de paz da consciência, nos momentos de um arrependimento saudável...
Vinde!... sentimos sede de Vosso adorável Coração.

Nas tribulações dos nossos, ao ver sofrer os que amamos...
Vinde!... sentimos sede de Vosso adorável Coração.

Nos desfalecimentos do amor terreno, ao sentir a fadiga do desterro...
Vinde!... sentimos sede de Vosso adorável Coração.

Nas contradições incessantes, nos dias de incerteza ou de quebranto amargo...
Vinde!... sentimos sede de Vosso adorável Coração.

No momento da tentação e na hora da suprema despedida da terra e da Hóstia Santa...
Vinde!... sentimos sede de Vosso adorável Coração.

(Pausa)

As almas. Ao ver-Vos de perto e tão benigno, longe de exclamar como Vosso apóstolo: “Apartai-Vos, Senhor; afastai-Vos, porque somos miseráveis pecadores...” queremos, pelo contrário, lançar-nos a Vosso encontro, encurtar as distâncias e estreitar a ditosa intimidade entre Vosso Coração e os nossos...

(Lento e cortado)

Vinde, Jesus, vinde descansar em nosso amor, quando os soberbos governantes da terra maldisserem de Vossa lei e de Vosso nome... lembrai-Vos que somos Vossos..., que estamos consagrados à glória de Vosso Divino Coração... Vinde, Jesus, vinde descansar em nosso amor quando as multidões, agrupadas por Lúcifer e os sectários seus sequazes, assaltem Vosso santuário, e reclamem Vosso sangue... lembrai-Vos que somos Vossos, que estamos consagrados à glória de Vosso Divino Coração...

Vinde, Jesus, vinde descansar em nosso amor...; quando gemerdes pelo vitupérios e pelas cadeias com que ultrajam a Vossa Igreja santa, os poderosos e aquele falsos sábios, cujo orgulho condenastes com dulcíssima firmeza..., lembrai-Vos que somos Vossos..., que estamos consagrados à glória de Vosso Divino Coração...

Vinde, Jesus, vinde descansar em nosso amor, quando milhares de cristãos fizerem pouco caso de Vossa pessoa adorável..., e Vos lastimem cruelmente com uma tranqüila renúncia, que é um punhal de frieza cravado em Vosso peito sacrossanto...., lembrai-Vos que somos Vossos..., que estamos consagrados à glória de Vosso Divino Coração...

Vinde, Jesus, vinde descansar em nosso amor; quando tantos bons e virtuosos Vos meçam com avareza vosso carinho, Vos dêem com mesquinhez aborrecível sua confiança... e Vos neguem consolo em sacrifício e santidade... lembrai-Vos que somos Vossos..., que estamos consagrados à glória de Vosso Divino Coração...

Vinde, Jesus, vinde descansar em nosso amor; quando Vos oprime a deslealdade, quando Vos amargue a tibieza das almas predestinadas, que, por vocação, deveriam ser inteiramente Vossas, sendo santas..., então como nunca, nessa hora de desolação ímpar, lembrai-Vos que somos Vossos..., restitua aqui os olhos entristecidos, suplicantes..., não esqueçais que estes filhos estão consagrados para sempre à glória de Vosso Divino Coração...

(Pai-Nosso e Ave-Maria) pelas intenções particulares dos presentes.

(Pai-Nosso e Ave-Maria ) pelos agonizantes e pecadores.

(Pai-Nosso e Ave-Maria) pedindo o reinado do Sagrado Coração mediante a Comunhão freqüente e diária, a Hora Santa, e a Cruzada da Entronização do Rei Divino em lares, sociedades e nações).

(Cinco vezes)

Coração Divino de Jesus, venha a nós o Vosso Reino!

(Lento)

Vós sois, Jesus, o Deus oculto... Escondei-Vos em minha alma, e convertido eu numa Hóstia, noutra Eucaristia humilde, vamo-nos, Senhor, vamo-nos eternamente unidos, como na Comunhão, como na Hora Santa... Vós em meu pobrezinho coração..., e eu perdido para sempre no abismo de dor, de luz do céu, de Vosso Sagrado Coração: venha a nós o Vosso Reino!


Fórmula de consagração individual ao Sagrado Coração de Jesus, composta por Santa Margarida Maria

Eu N. vos dou e consagro, ó Sagrado Coração de Jesus Cristo, minha pessoa e minha vida, minhas ações, penas e sofrimentos, para não querer mais servir-me de nenhuma parte de meu ser senão para Vos honrar, amar e glorificar.

É esta minha vontade irrevogável: ser todo Vosso e tudo fazer por Vosso amor, renunciando de todo o meu coração a tudo quanto Vos possa desagradar. Tomo-Vos, pois, ó Sagrado Coração, por único objeto de meu amor, protetor de minha vida, segurança de minha salvação, remédio de minha fragilidade e de minha inconstância, reparador de todas as imperfeições de minha vida e meu asilo seguro na hora da morte.

Sede, ó coração de bondade, minha justificação diante de Deus, Vosso Pai, para que desvie de mim Sua justa cólera. Ó coração de amor! Deposito toda a minha confiança em Vós, pois tudo temo de minha malícia e de minha fraqueza, mas tudo espero de Vossa bondade!

Extingui em mim tudo o que possa desagradar-Vos, ou se oponha à Vossa vontade. Seja o Vosso puro amor tão profundamente impresso em meu coração, que jamais possa eu esquecer-Vos, nem separar-me de Vós. Suplico, por Vosso infinito amor, que meu nome seja escrito em Vosso coração, pois quero fazer consistir toda a minha felicidade e toda a minha glória em viver e morrer como Vosso escravo. Amém.
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