quarta-feira, 5 de maio de 2010

Hora Santa de Maio

Hora Santa de Maio


Padre Mateo Crawley-Boevey
Maio

Vos adoramos, Jesus Sacramentado, e Vos bendizemos, pois pela graça de Vosso Coração Divino estais redimindo o mundo…Salvai-nos nele, como promestes à Vossa serva Margarida Maria… salvai-nos, Vos rogamos, pelo amor de Vossa Mãe Imaculada…

(De joelhos e com grande recolhimento interior, peça-Lhe a luz para conhecer Seu Divino Coração e graças para amá-lO e dá-lO glória)

(Breve pausa)

(Lento e cortado)

Confidência de Jesus. Não fostes vós que Me elegeram… Eu que vos predestinei e vos selecionei entre milhares para que participeis aquí, em Hora Santa e sublime de intimidade comigo, das confiências, das ternuras e das graças que vos tenho reservadas em Meu sofrido Coração…

Aproximai-vos, estendei-Me os braços, arrancai-Me os espinhos, dai-Me consolo… pois desfaleço de amor e de amargura… aproximai-vos! Vos tenho amado tanto… tanto! Se vos encontram aqui na ceia deliciosa de Minha caridade, próximo ao Senhor dos anjos, sentindo os ardores de Meu Coração… é porque vos escolhi gratuitamente… Vós sim, que sois Meus… fostes os servos e sois, agora, os filhos… Vindo, pois, e comei comigo, à sombra do Getsemani, o pão das Minhas dores…

Necessito aliviar Minha alma com vós, pois nela há tristezas que os anjos não conhecem, e lágrimas que não correm no céu… Sinto ansias de falar-vos em dolorosa confidência, a mais intima… Se não podeis penetrar em todo o abismo de Minha aflição, não importa; leveis, como Eu, uma fibra de soluço e que, agitada pela tempestada, geme com angústia…

Os espíritos angelicos vêm me apoiar neste horto de agonia… mas vós estais muito mais proximos que eles do mar de Minhas tristezas… vós podeis beber Minhas lágrimas, podeis suavizá-las sofrendo Minha paixão e Minhas dores… Desapegai-Vos, pois, do mundo, abandone suas mentiras e as lembranças de suas loucuras, e aqui, aos Meus pés, sofrei com o Deus encarcerado, que quer que tomeis parte neste amor doloroso, crucificado… aquele amor que, entre estremecimentos de agonia, deu a paz e deu a vida ao mundo.

(Pausa)

A alma: Fazei, Senhor Jesus, que eu veja…Fazei que eu saboreie a amargura de Vossos sofrimentos infinitos…; concedei-me o fervor de penetrar com fé vivíssima e Vossa alma dorolosa… Divino Agonizante, seja benigno e mesmo que eu seja um pecador, colocai nesta Hora Santa o cálice do Getsemani em meus lábios: dai-me de beber em Vosso Coração… tenho sede de Vós, Jesus-Eucaristia!

(Breve pausa)

Voz dos Sacrário. Vós Me conheceis, filhinhos Meus, porque escutais Mnhas palavras de vida eterna… e ao conhecer-Me, conheceis a Meu Pai, pois Eu sou o caminho que a Ele conduz… Mas, ai, pensais que há milhões de irmãos vossos, criados para Me adorar, livres para Me bendizer, e que levantam contra o céu este grito de blasfemia: “Deus não existe”!... Até o meu trono de paz, até este altar de mansidão, chega esse grito irado, eco da rebeldia de Lúcifer… Esses mesmos que Me negam, vivem de Meu alento e vivem de Minha bondade, e contudo, me negam a palavra, Me expulsam em suas obras…

Eu, somente Eu, não existo para eles… Meu nome os perturba, Meu jugo suave os espantam, Meu Calvário os irrita… Blasfemam contra mim!

(Breve pausa)

Buscam a paz! Que paz pode ter aquele que não adora, que não espera, que não Me ama, a Mim que Sou a vida?... Ah!, e com que tranqüilidade renunciam a Minha pessoa em tudo, absolutamente em tudo, seja grande ou pequeno, em sua vida… Eu não tenho parte na ternura de suas mães, no cuidado de seus pais, nem no carinho de seus filhos…

Me excluem completamente das alegrias de seus lares… Não Me chamam nem para uma lembrança vaga em suas dores, ao chegar alguma morte cruel… Em seus negócios, em seus projetos, em tantas incertezas e desgraças, Me tem relegado ao mais completo esquecimento… Acreditais, Meus amados? Eu, o Criador e Redentor, não tenho, em milhares de almas, a parte que em seu coração e pensamento tem os empregados, os animais e as flores de suas casas… Assim me paga o mundo por haver me entregado por seu amor à morte, mais que de Cruz, de Eucaristia!...

(Rezemos em voz alta, com fé ardorosa, um Credo, em reparação solene à negação de Deus e de Jesus Cristo na qual vivem tantos incrédulos infelizes)

(Pausa)

Voz do Sacrário - Levo, desde séculos, um Coração doloroso e cheio de lágrimas; Ai! Quantas almas, cujo preço foi Meu sangue, se condenam!... Destinadas a se abrasar nas chamas de Meu amor, caíram já, milhares, ao abismo de outras chamas horríveis, vingadoras…! E são Minhas! Ouvi-Me… maldizem, desde o profundo do inferno,Meu berço em Belém, Minha pobreza, primeiro chamado aos humanos… Maldizem esta Cruz, marcada com sangue, em suas consciências…

Maldizem Minha Igreja, que lhes oferecer os tesouros da Redenção… maldizem Minha Eucaristia, desdenhada por eles, que teriam vivido eternamente, se tivessem se alimentado com o Pão da imortalidade, Meu Coração Sacramentado… Ah! E quantos destes réprobos estiveram algumas e muitas vezes, como estais vós, aos Meus pés!... E se perderam!... Os chamei, corri atrás deles, lhes estendi Meus braços… mas romperam todas as correntes… elegeram o gozar por um instante e, depois, chorar com pranto eterno… E maldizem com eterna maldição…

E foram Meus!... Oh! Dor das dores!... Como padeceu Minha alma, no Getsemani, esta sentença de reprovação irrevogável… E foram todos Meus… Minhas foram estas legiões incontáveis de condenados ao suplicio de uma cólera infinita!... Os tive aquí, sobre Meu peito, a beira do abismo de Meu Coração amante… E os levaram outros abismos… e para sempre… e são hoje em dia, lágrimas arrancadas para sempre de Meus olhos… criaturas expulsas para sempre de Meu Reino… filhos perdidos, pelos séculos dos séculos, do lar do céu…

(Breve pausa)

Voz da alma. Beijo Vossas mãos chagadas, Jesus, e por Vossa agonia no horto, livrai estes consoladores de Vosso Coração das chamas do Inferno…

Beijo Vossos pés chagados, Jesus, e por Vossa agonia no horto, livrai estes amigos de Vosso Coração de uma reprovação eterna…

Beijo Vosso peito aberto, Jesus, e por Vossa agonia no horto, livrai estes apóstolos de Vosso Coração do suplicio de maldizer-Vos eternamente…

(Breve pausa)

Voz do Mestre. E sabeis por qual caminho fácil se chega à reprovação final? Ferindo Meu coração com pecado de ingratidão… abusando da misericórdia deste Deus, que é todo Caridade… Sou Jesus, isto é, Salvador… Vim para os que tinha necessidade de médico, de paz e de fortaleza, e sobretudo, para os que necessitam de perdão… misericórdia… e muito amor. A estes enfermos mostrei a piscina de toda saúde: Meu Coração, que tudo absolve…!

Oh! E desta ternura tantos abusaram!... Jamais neguei perdão a quem Me pediu com humilde contrição, jamais… Por isso, porque Minha bondade é infinita…, porque espero com inalterável paciência o pródigo… porque, ao regressar, esqueço seus pecados e faço festa para celebrar a ovelha que chega ensangüentada ao redil dos Meus amores… por isso, tantos se enchem e se condenam no abuso da absolvição que lhes outorgo…

Detei-Vos, filhos Meus, na ladeira deste caminho, e chorai o extravio fatal de tantos irmãos vossos que Me ferem, porque Sou Jesus dulcíssimo para com eles…

(Pedir-Lhe perdão pelo abuso de sua misericórdia, especialmente nos Sacramentos da Confissão e da Eucaristía, dizendo-Lhe):

Que tenho eu, Senhor, que não me tenhais dado?
Que sei eu, que Vós não me tenhais ensinado?
Que valho eu, se não estou a Vosso lado?
Que mereço eu, se a Vós não estou unido?

Perdoai-me os erros que contra Vós tenho cometido…

Pois me criastes, sem que eu o merecesse.
E me redimistes, sem que eu Vos pedisse.
Muito fizestes em me criar,
Muito em me redimir,

E não serás menos poderoso em perdoar-me,
Pois o muito sangue que derramastes,
E a cruel morte que padecestes,
Não foi pelos anjos que Vos adoram,
Mas por mim e pelos demais pecadores que Vos ofendem…

Se Vos tenho negado, deixai-me reconhecer-Vos
Se Vos tenho injuriado, deixai-me reparar-Vos,
Se Vos tenho ofendido, deixa-me servir-Vos,
Porque é mais morte que vida
A que não está empregada em Vosso santo serviço…


(Pausa)

Confidência de Jesus. Tenho uma amável confidência para fazer-vos. Todavia, recebei-a com especial carinho, pois quero falar-vos de Minha Mãe… Maria jamais esteve ausente de Meu Coração… e Seu nome repercutia nele com especial ternura, em Minhas horas de solidão e agonia… No Getsemani, Oh!, quanto pensei nEla…

A vi chorar amargamente a morte do Filho e dos filhos… Atado à coluna, despedaçaram Minha carne, e ao fazê-lo, flagelaram também a Virgem Imaculada, que me deu essa carne pura, para ser vosso irmão em Seu seio… E neste mesmo instante, entretanto, os carrascos borrifavam as paredes do calabouço com Meu sangue… Vi, no transcorrer dos tempos, o ultraje que fariam à Minha Mãe os que negariam Sua maternidade divina, ofendendo ao mesmo tempo o Filho e a Mãe…

Muitos outros pretendem adorar-Me, e A relegam a um glacial esquecimento, que fere mais violentamente meu Coração filial… Maria é vossa…Ame-a, ame-a… Oh! Dê-Me um grande consolo nesta Hora Santa!: uni Minhas lágrimas às de Minha doce Mãe, ao consolar Meu entristecido Coração.

(Peça perdão ao Senhor Jesus pela dor que Lhe causam tantos católicos indiferentes à sua Mãe, tantos afastados e protestantes que Lhe recusam seu amor e que menosprezam ou negam a dignidade e prerrogativas da Virgem Maria).

(Breve pausa)

E agora, falai-Me vós, cujos nomes tenho inscrito em Meu Divino Coração…; falai-me palavras que brotem do mais intimo de vossas almas, unidas à Minha por laços de dor e de carinho imenso… Se tendes tristezas, contai-Me… Se sentes tédio da vida e ao mesmo tempo temor da morte, dizei-Me… Oh! Falai-me sobretudo dos santos desejos que tens de Me ver consolado… e de contemplar-Me logo, Rei do Amor, pela misericórdia de Meu Sagrado Coração…: falai, que vosso Deus escuta.

(Pausa)

A alma. Senhor Jesus, nesta Hora Santa trazemos aos Vossos pés um pedido amabilíssimo. Apresentamos nossos ombros carregados com Vossas mercês, com a alma cumulada com Vossos favores, enquanto Vós arrastais fatigado, agonizante, a Cruz de nossas iniqüidades… Ah! Não é possível, Mestre, que para o culpável destineis principalmente a delicioso peso de Vossa largueza e o cálice de Vossas ternuras… e que reserveis para Vós o sofrimento da agonia… a amargura dos esquecidos e as perfídias incontáveis da terra…

Partilhai, pois, Jesus Sacramentado; partilhai conosco na Hora Santa todas as Vossas tristezas, e mesmo que não O mereçamos, aceitai-nos de Cirineus na via dolorosa que conduz ao monte Calvário… Desde já Vos agradecemos os desgostos da vida… Não só os aceitamos resignados, em expiação justíssima de tantas culpas próprias e alheias, não, Jesus: Vos bendizemos pelos espinhos que fizestes brotarem nosso caminho com fim de misericórdia…

Ai! Não ignorais como se ressente nossa natureza nos combates da enfermidade… da pobreza… da calúnia… da ingratidão… dos esquecimentos… do cansaço da vida… da tristeza… das incertezas… Estamos falando de Jesus de Nazaré, nosso Irmão, cujo Coração de carne, Oh! Encantadora e divina fraqueza!... Ressentiu-se com as debilidades da miséria humana…

Vos bendizemos, Jesus, por aquelas decepções que nos desapegam das criaturas. Permitis que nos aproximemos delas, esperais tantas vezes que um afeto legítimo busque nelas consolo para o coração... energia e paz para o espírito... E logo, Vós mesmos rompeis estas ataduras e liberta estas almas... Exigistes, com soberano império, um coração inteiro...

Obrigado, Jesus, por estas divinas e amáveis crueldades... obrigado! E assim como jogais, Senhor irresistível, com a salvação de Vossos filhos... e tirais de Vossas dores a santidade da alma, assim também sabeis trocar as infelicidades em manancial da fé; e, em ocasiões, da fome e da desgraça, tirais a ressurreição e a vida... Bendito sejais, mil e mil vezes, Coração providente, benigno, salvador, que, de nossas grandes desolações, sabeis produzir eflúvios de paz, doçuras inefáveis e delicias do céu...

Divino agonizante do Getsemani, Vos bendizemos e louvamos pelas tribulações e provas com as quais nos quer fazer participantes das glórias de Vosso sangue... Espinhos do Coração Sagrado de Jesus, formai-me a coroa que aprisione o meu... Torturas e agonia do Coração Sagrado de Jesus, apagai minha sede de amor terreno e de aventuras...

Cruz bendita e chamas do Coração Sagrado de Jesus, crucificai minha sensualidade e orgulho...

Ferida sangrenta do Coração de Jesus, daí-me entrada neste Horto da agonia, do amor e de uma sublime santidade.

(Pausa)

O anátema de justiça tremenda que Vos arranca tantas almas atravessa Vosso próprio Coração, Salvador amado..., e fere também os nossos, ansiosos de glorificar-Vos, de ver santificado Vosso nome e utilizado Vosso sangue em toda a terra...

Oh, ficaríamos felizes ainda que não arrebatássemos senão uma alma com nosso clamor de desagravo, aqui, na Hora Santa, para gloria de Vosso Coração Sacramentado!... Recolhei este pedido, Senhor, e salvai a tantos que estão em perigo de perder-se...

Convertei-os, Jesus, por Vosso Divino Coração!

(Todos em voz alta)

Convertei-os, Jesus, por Vosso Divino Coração!

Aos soberbos negadores que rechaçam a existência de um Deus, Criador do Céu e da terra, e tudo quanto existe...
Convertei-os, Jesus, por Vosso Divino Coração!

Aos infelizes que negam, Salvador amado, Vossa encarnação maravilhosa, que não querem que Vós sejais nosso irmão por natureza humana...
Convertei-os, Jesus, por Vosso Divino Coração!

Aos que propagam estas negações e fazem delas bandeiras de combate, contra Vosso Evangelho e Vossos direitos soberanos...
Convertei-os, Jesus, por Vosso Divino Coração!

Aos que, seduzidos por estas palavras tenebrosas, apostatam de sua fé e renegam Vosso amor e Vossa lei...
Convertei-os, Jesus, por Vosso Divino Coração!

Aos que conspiram com raiva infernal para a destruição das instituições cristãs, e que juraram derrotar-Vos na ruína de Vossa Igreja...
Convertei-os, Jesus, por Vosso Divino Coração!

Aos que em ódio à Vossa pessoa pretendem apagar Vossa Cruz da consciência das crianças, da alma do povo e dos lares...
Convertei-os, Jesus, por Vosso Divino Coração!

Aos que, com aparência de luz e com delicadeza de formas pretendem, sem violência, eliminar, Senhor, Vossa pessoa divina de todas as atividades da vida...
Convertei-os, Jesus, por Vosso Divino Coração!

Aos que por ignorância lamentável fazem caso omisso de Vossa palavra e vivem tranqüilos fora do ambiente da fé e das insinuações de Vossa graça...
Convertei-os, Jesus, por Vosso Divino Coração!

E, enfim, Jesus, as milhares de almas que, em terras distantes, vivem, se movem e dormem nas sombras letais do paganismo, da heresia e da morte...
Convertei-os, Jesus, por Vosso Divino Coração!

(Pausa)

Tendes desejado confiar-me Jesus, o Coração da Virgem Mãe afim de reparar Suas dores e as Vossas pelas ofensas daqueles que pretendem ser cristãos e que rechaçam a Vossa última palavra a São João no Calvário: “Filho, Nela, em Maria, aí tendes vossa Mãe”...

Senhor, a aceito envergonhado, e Vos ofereço em desagravo as dores, as penas, os prantos, as orações de todas as mães que Vos adoram na terra e que aclamam Maria como Rainha... Vós sabeis, Mestre, que amor e sinceridade existem em suas almas de heroínas... Vós sabeis quanto valem, como rezam, como amam, como sofrem... Jesus, pelas lembranças de Maria Imaculada, pelas lágrimas que Vós chorastes ao ver-lA chorar em Vossa ausência, nos sofrimentos de Vossa paixão ignominiosa, escutai às mães que se sacrificam, a Vossos pés ensangüentados...

Veja como pedem, com fé ardorosa, a redenção de seus lares... Ouça como Vos aclamam Rei sobre os berços de seus filhos, sobre o sepulcro de seus esposos... Elas Vos pedem, Senhor, a vitória decisiva de Vosso Coração...; Nele confiam todos os tesouros de seu amor... Ai! São tantas as que temem pelo futuro cristão de seus filhos!...

São tantas as que padecem com eles as tristes conseqüências dos primeiros extravios!... São tantas as que vêem, em lágrimas, que as diversões mundanas, que as amizades e leituras perigosas, ameaçam a consciência e talvez a eterna salvação dos seus! Vós as confiastes, adorável Nazareno, as almas do esposo e dos filhos, e elas as depositaram, com amor, sobre o altar de Vosso Sagrado Coração... !

Oh, Jesus... Lembrei-Vos nesta Hora Santa de Vossa Mãe, como vos lembrastes dela no Horto das Oliveiras... e, por favor às suas ternuras, às suas virtudes e dores, salvai os lares, salvai as famílias... Senhor, se uma só mãe comoveu Vosso Coração e obteve a ressurreição de seu filho... Ai! A pedido de tantas mães sofridas nesta hora onipotente, santificai o santuário do lar, que Vós ambicionais como Rei de amor...

(Pede-se com fervor de alma)

(Pausa)

Vós solicitastes, amável Prisioneiro do altar, a companhia consoladora da Hora Santa... Vossa caridade nos venceu; já vês; viemos, deixando tudo, tudo, para pedir, com santo fervor, a chegada de Vosso Reino... Que esperais, Jesus, para vencer, quando esta é a Hora da misericórdia e do poder irresistível de Vosso amor?... Antes, pois, de esconder-Vos na suavíssima penumbra de Vossa prisão sacramental, deixai-nos exclamar com grito de caridade triunfante:

(Todos em voz alta)

Venha a nós o reinado de Vosso amante Coração!

1ª. Promessa. Agora, Jesus, sim, reinai, imediatamente, antes que o Demônio e o mundo Vos roubem as consciências e profanem, em Vossa ausência, todos os estados de vida...

Venha a nós o reinado de Vosso amante Coração!

2ª. Levantai-vos Jesus, e triunfai nos lares, reinai neles pela paz inalterável prometida àqueles que Vos tem recebido com Hosanas.

Venha a nós o reinado de Vosso amante Coração!

3ª. Não demoreis, Mestre mui amado, porque muitos destes padecem aflições e amarguras que somente Vós prometestes remediar.

Venha a nós o reinado de Vosso amante Coração!

4ª. Vem, porque sois forte, Vós, o Deus das batalhas da vida, vem, vem mostrando-nos Vosso peito ferido, como esperança celestial na hora da morte.

Venha a nós o reinado de Vosso amante Coração!

. Sejais Vós o êxito prometido em nossos trabalhos; somente Vós a inspiração e recompensa de todos os negócios.

Venha a nós o reinado de Vosso amante Coração!

6ª. E vossos prediletos, quero dizer, os pecadores, não esqueçais que para eles, sobretudo, revelastes as ternuras incansáveis de Vosso amor.

Venha a nós o reinado de Vosso amante Coração!

. Ai, são tantos os tíbios, Mestre, tantos os indiferentes a quem deveis inflamar com esta admirável devoção!

Venha a nós o reinado de Vosso amante Coração!

8ª. “Aqui está a vida”, nos dissestes, mostrando-nos vosso peito atravessado... Concedei, pois, que aí bebamos o fervor, a santidade a que aspiramos.

Venha a nós o reinado de Vosso amante Coração!

9ª. Vossa imagem, a pedido Vosso, tem sido entronizada em muitas casas... em nome delas, Vos suplicamos, sigais sendo, em todas, o Soberano mui amado.

Venha a nós o reinado de Vosso amante Coração!

10ª. Põe palavras de fogo, persuasão irresistível, vencedora, naqueles sacerdotes que Vos amam e que Vos pregam, como São João, Vosso apostolo amado.

Venha a nós o reinado de Vosso amante Coração!

11ª. E a todos que ensinem esta devoção sublime; a quantos publiquem vossas inefáveis maravilhas, reservai-lhes, Jesus, uma fibra similar àquela em que tendes gravado o nome de vossa Mãe.

Venha a nós o reinado de Vosso amante Coração!

12ª. E, por fim, Senhor Jesus, dai-nos o céu de Vosso Coração a estes que compartilham Vossa agonia na Hora Santa; por esta hora de consolo, e pela Comunhão das primeiras sextas-feiras, cumprí conosco Vossas promessas infalíveis; vos pedimos que na hora decisiva da morte.

Venha a nós o reinado de Vosso amante Coração!

(Pausa)

Senhor Jesus, pudemos velar uma hora convosco no Getsemani, e de bom grado ficaríamos acorrentados ao Sacrário para sempre, se Vosso amor o consentisse... Nos vamos, levando paz, consolos, nova vida... Ah! Mas, sobretudo, nos despedimos com satisfação de haver dado a Vós, Mestre, alivio de caridade, desagravo de fé e reparação de amor, que reclamastes, entre soluços, a vossa confidente Margarida Maria... Atendei, pois, Señor Jesus, acolhei manso e bom nossa última oração:

(Lento e cortado)

Coração agonizante de Jesus, triunfai.., e seja perseverança de fé e de inocência nas crianças que comungam..., Sejais, Vós, seu Amigo.

Coração agonizante de Jesus, triunfai.., e seja consolo dos pais dos lares cristãos... Sejais, Vós, a sua Vida.

Coração agonizantes de Jesus, triunfai.., e seja o amor da multidão que sofre, dos pobres que trabalham... Sejais, Vós, o seu Rei.

Coração agonizantes de Jesus, triunfai..., e seja a doçura dos aflitos, dos tristes... Sejais, Vós, seu Irmão.

Coração agonizante de Jesus, triunfai..., e seja a fortaleza dos tentados, dos débeis... Sejais, Vós, sua Vitória.

Coração agonizante de Jesus, triunfai..., e seja o fervor e a constancia dos tibios... sejais, Vós, seu Amor.

Coração agonizante de Jesus, triunfai..., e seja o céu ardente e vitorioso de vossos apóstolos..., sejais, Vós, seu Mestre.

Coração agonizante de Jesus, triunfai..., e seja o centro da vida militantes da Igreja... Sejais, Vós, seu lábaro triunfante.

Coração agonizante de Jesus, triunfai..., e seja na Eucaristía a santidaide e o céu das almas... Sejais, vós, seu paraíso de amor... seu tudo.

E enquanto chega o dia eterno de cantar Vossas glórias, deixai-nos, dulcíssimo Mestre, sofrer, amar e morrer sobre a celestial ferida de Vosso peito, murmurando aí, na chega de Vosso amante Coração, esta palavra triunfadora: Venha a nós o Vosso Reino!

(Pausa)

Pai Nosso e Ave-Maria pelas intenções particulares dos presentes.
Pai Nosso e Ave-Maria pelos agonizantes e pecadores.
Pai Nosso e Ave-Maria pedindo o reinado do Sagrado Coração mediante a Comunhão freqüente e diária, a Hora Santa e a Cruzada da Entronização do Rei Divino em lares, sociedades e nações.

(Cinco vezes)

Coração Divino de Jesus, venha a nós o Vosso Reino!

Fórmula de consagração individual ao Sagrado Coração de Jesus, composta por Santa Margarida Maria

Eu N. vos dou e consagro, ó Sagrado Coração de Jesus Cristo, minha pessoa e minha vida, minhas ações, penas e sofrimentos, para não querer mais servir-me de nenhuma parte de meu ser senão para Vos honrar, amar e glorificar.

É esta minha vontade irrevogável: ser todo Vosso e tudo fazer por Vosso amor, renunciando de todo o meu coração a tudo quanto Vos possa desagradar. Tomo-vos, pois, ó Sagrado Coração, por único objeto de meu amor, protetor de minha vida, segurança de minha salvação, remédio de minha fragilidade e de minha inconstância, reparador de todas as imperfeições de minha vida e meu asilo seguro na hora da morte.

Sede, ó coração de bondade, minha justificação diante de Deus, Vosso Pai, para que desvie de mim sua justa cólera. Ò coração de amor! Deposito toda a minha confiança em Vós, pois tudo temo de minha malícia e de minha fraqueza, mas tudo espero de Vossa bondade!

Extingui em mim tudo o que possa desagradar-Vos, ou se oponha à Vossa vontade. Seja o Vosso puro amor tão profundamente impresso em meu coração, que jamais possa eu esquecer-Vos, nem separar-me de Vós. Suplico, por Vosso infinito amor, que meu nome seja escrito em Vosso coração, pois quero fazer consistir toda a minha felicidade e toda a minha glória em viver e morrer como Vosso escravo. Amém.