segunda-feira, 19 de abril de 2010

Perigos do Mundo: As ocasiões perigosas (Primeira parte)

Nota: Dividirei esse capítulo em três partes.

Perigos do Mundo
As ocasiões perigosas
(Primeira parte)


O que é a ocasião?

É uma pessoa, uma coisa, um lugar que podem levar-nos ao mal. O mundo é cheio delas, andais nele por entre as ciladas.

Tal pessoa é para vós uma tentação; para ela vos sentis atraída de maneira violenta e apaixonada. Alto lá!
Em tal casa sabeis que vossa virtude pode ser posta à prova; lá não vades! Alto lá!
Em tal reunião ouvistes várias vezes certos avisos da vossa consciência que vos dizia: Toma cuidado! Alto lá!

Tal leitura frívola ou profana vos perturba e sugere-vos mil pensamentos loucos, levianos, e vos lança em devaneios que não ousaríeis contar a vossa mãe: ao fogo com esse livro!
Imagens, quadros, estátuas podem ser para vós uma tentação: passai e não olheis!

Quem ama o perigo nele perecerá

Prestai atenção, borboletinha, não vades esvoaçar em torno desses fogos que brilham... e que queimam! Outros mais santos do que vós, mais fortes do que vós aí acharam a morte da alma. A ocasião perigosa é o fogo; vós sois a palha. Como quererdes aproximar a palha do fogo e pretender que ela não arda? Deus pode fazer esse milagre uma vez, de passagem; mas não o fará sempre.

Por que foi que David caiu em dois horrendos crimes? Porque procurou a ocasião. E quando vemos Sansão prisioneiro, podemos esquecer Dalila? Se São Pedro se houvesse abstido de aquecer-se e de conversar com os soldados e as criadas do sumo pontífice, teria renegado o Mestre?

Entre vós e o abismo do pecado, só a graça de Deus será capaz de vos deter. Ora, dar-vos-á Ele essa graça se vos vir afrontar por puro gosto a ocasião do pecado? Não se deve tentar a Deus. O pecado chama o pecado, como a vaga traz outra vaga. Se cairdes, o primeiro ato culpado produzirá outros, e vossa pobre alma se parecerá com o mar sempre agitado, onde a vaga se levanta, se quebra, torna a formar-se e se levanta ainda para se quebrar e se tornar a formar incessantemente.

Os divertimentos

a) Há uns muito bons. - Na vossa idade, nem todo divertimento pode ser proibido. Há uns muito bons, há prazeres lícitos, alegrias que Deus abençoa. Após os vossos longos dias de trabalho, precisais recrear-vos, refazer-vos. Por entre os divertimentos da juventude, há uns belos, restauradores, vivificantes, edificantes mesmo. Estes vos são necessários, e largamente. Entretêm em vós a alegria, e alegria é uma potência.

b) Os do mundo são perigosos. - Mas os prazeres e os divertimentos profanos devem ser completamente excluídos. Festas mundanas, saraus dançantes... todos esses meios onde os nervos são superexcitados, a imaginação superaquecida, os sentidos amimados e o coração tentado, todos eles são demasiado malsãos para uma alma que quer permanecer bela e pura.

Escondem um veneno lento que penetra gota a gota, que perverte o espírito, seca o coração e anemiza a vontade. Um dia, fica-se surpreso de ver as forças espirituais falharem, e o primeiro turbilhão que vem carrega a alma e lança-a ao léu.

Nesses divertimentos profanos perde-se o espírito cristão; em lugar deste, adota-se o espírito do mundo. Neles também se perde a paz da alma e a alegria de uma boa consciência. Eles são a isca por meio da qual o mundo atrai a si as almas de que quer fazer seus joguetes de hoje e suas vítimas de amanhã. Murmura-lhes com sua voz de sereia:

"Vem, menina, vem! Teu coração tem necessidade de amar, teus sentidos reclamam o prazer, tudo em ti quer distrair-se...Vem! Coroar-te-ei de rosas, farei sob teus pés florescer a jovialidade, a felicidade, a alegria, a riqueza. Vem! Ouço palpitar o teu coração de vinte anos, vem conosco! Vem!"

... Renunciai, pois, de todo coração, a essas cenas que trazem enrubescer e que ofuscam uma alma piedosa, a essas palavras que magoam a virtude, a esses cantos que amolentam o coração, a esses desvaneios que desgostam do dever presente, a todos esses divertimentos pagãos que, por todas as fissuras feitas no amor dos bens superiores, fazem penetrar na alma pensamentos egoístas, covardes, sensuais.

São Francisco de Sales dizia:

"Todas as vezes que os cordeirinhos deixam o aprisco e passam ao é das moitas, deixam nelas um pouco da sua lã."

Pobres cordeirinhos de Deus, realmente sois obrigadas a deixar o aprisco da família, visto que as mais das vezes a obrigação vos chama ao mundo. Há, porém, "moitas" junto às quais não deveis passar. Deixareis nelas mais do que um pouco da vossa lã, deixareis a vossa candura, a vossa simplicidade, a vossa piedade, a vossa virtude, quiçá a vossa alma e o vosso Deus.

(Excertos do livro: Formação da donzela, do Pe. J.Baeteman)

PS: Grifos meus.
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