terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Donzela cristã e o sofrimento!


É comum desejar-se a moça uma vida sem sofrimentos, sem contrariedades, sem dores e amarguras. Compreende-se que tudo isso se apresente ao coração. Mas convém lembrar à leitora umas verdades, que também fazem parte do símbolo a crer e professar.

Filhos de sangue, filhos de dor, não podemos salvar-nos entre as delícias. Ninguém poderá contestar a certeza deste princípio. Sem o sofrimento o coração humano afeiçoa-se da terra e sente peso em elevar-se até ao Céu. Só o sofrimento pode destruir o enganoso encanto que nos atrai para a terra.

É ele um remédio violento, mas indispensável para que os venenos da vida e, mesmo, os seus manás mais saborosos não alterem nosso organismo. É a dor que impede a alma de ambientar-se no mundo e sentir-se bem aqui. Quanto lucra a virtude nas labaredas do sofrimento!

Nós todos temos por suspeita a valentia do soldado que não cheirou a pólvora dos combates. E tu, leitora, deves suspeitar de tuas virtudes e de tua religião, se ainda não a viste debaixo do fogo dos pesares...

Um dia Pedro viu o Mestre entre nuvens de glória e felicidade no Tabor. E logo achou que "seria bom ficar ali" para sempre. Mas o Espírito Santo faz notar "que Pedro não sabia o que dizia". Ora, não queria a leitora pertencer ao número dos que não sabem o que estão dizendo. Entre eles figuraria, se quisesse estranhar o sofrimento, como um intruso neste...paraíso terestre, neste Tabor de transfiguração.

Nossa Mãe, a Igreja, nos dá o amável nome de "desterrados num vale de lágrimas".

O mais acertado, por isso, é não deixar que o coração viva ferido, enquanto os espinhos vão rasgando as mãos. Tal se faz, quando se abraça o sofrimento em união com o de Cristo para obedecer à vontade do Pai Celeste. Outro não foi o procedimento de Paulo Apóstolo. Vem daí aquela alegria na qual vivia submerso, apesar das dores que dele fizeram um mártir.

(Audi filia! - Pe. Geraldo Pires de Souza C.SS.R)
PS: Grifos meus